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O que significa a Páscoa para nós

Max Wolosker
Max Wolosker
Economia, saúde, política, turismo, cultura, futebol. Essa é a miscelânea da coluna semanal de Max Wolosker, médico e jornalista, sobre tudo e sobre todos, doa a quem doer.
Apesar do início da humanidade ter sido no Oriente, seus grandes impérios, suas religiões suas primeiras descobertas, o Ocidente pouco a pouco se tornou o centro do mundo. É claro que isso foi possível pelas grandes migrações do Oriente em direção do Ocidente, com o povoamento de grande parte da Europa e a consequente continuação de tradições ou festividades que se iniciaram no Oriente. A Páscoa é um acontecimento que está integrada a várias religiões, com significados diferentes. Por exemplo, entre os muçulmanos o que se assemelha à Páscoa é o jejum do Ramadã. Acredita-se que no mês do Ramadã, o Alcorão sagrado foi enviado do céu como uma orientação aos homens e como um meio de sua salvação.
Mas, o que é, na realidade a Páscoa?
De acordo com a publicação https://www.bibliaon.com/o verdadeiro significado da páscoa/, ela é a celebração cristã que recorda a morte e a ressurreição de Jesus Cristo. A palavra “Páscoa” vem do hebraico “Pessach”, e significa “passagem”. Para os cristãos, essa passagem representa a vitória da vida sobre a morte e a renovação da esperança por meio da obra de Jesus. De acordo com a tradição cristã, Jesus foi crucificado e morto numa sexta feira, tendo ressuscitado três dias depois, no domingo. Daí, o domingo de páscoa ser a festa da ressurreição, uma comprovação do que rezavam as escrituras do antigo testamento.
Para os judeus, o Pessach é a Festa da Liberdade, pois comemora a saída do Egito, local onde eles habitaram por mais de 400 anos, sendo um período como escravos. A travessia dos judeus pelo Mar Vermelho em direção à Terra Prometida simbolizou a passagem da escravidão para liberdade; desde então, os judeus reúnem-se todos os anos, para celebrá-la com elementos que relembrem a sua história e os fatos que culminaram na saída do Egito.
Com o tempo, elementos como ovos, chocolates e reuniões em família se tornaram parte da comemoração. No entanto, esses costumes não explicam o significado original da data, que tem o seu fundamento em Jesus Cristo, no caso daqueles que professam a religião católica. Por isso, na Bíblia, a Páscoa é uma celebração que recorda a libertação do povo de Israel, que vivia em situação de escravidão. Esse acontecimento, registrado no Antigo Testamento, serviu como base para a festa que mais tarde ganharia um novo e maior significado para os cristãos.
O dia da Páscoa foi estabelecido por decreto do Primeiro Concílio de Niceia (ano de 325 d.C), devendo ser celebrado sempre no domingo após a primeira lua cheia do equinócio da primavera (no Hemisfério Norte) e outono (no Hemisfério Sul). O Primeiro Concílio de Niceia foi um concílio de bispos, reunidos na cidade de Niceia da Bitínia (atual İznik, província de Bursa, Turquia) pelo Imperador Romano Constantino. A Páscoa é, portanto, uma festa móvel. É um tipo de feriado que não ocorre sempre na mesma data no calendário civil, mas tem um período certo para acontecer. Como o carnaval, por exemplo. A comemoração da Páscoa costuma ser entre os dias 22 de março a 25 de abril. É comemorada em vários países, principalmente aqueles com fortes influências do cristianismo. Os espanhóis chamam a data de Pascua, os italianos de Pasqua e os franceses de Pâques.
A entrada em cena do coelho da páscoa e dos ovos de chocolate é muito mais recente, mas tem uma explicação lógica. As celebrações religiosas da igreja católica são resultado do sincretismo de costumes e rituais pagãos ou de outras religiões. O coelho, por exemplo se tornou um dos principais símbolos desta festividade em referência as comemorações realizadas pelos povos antigos, durante o começo da primavera. Acreditava-se que o coelho era a representatividade da fertilidade e do ressurgimento da vida. Do ressurgimento eu não digo nada, mas da fertilidade, eu tenho certeza.
Com relação ao ovo, do ponto de vista religioso, ele é considerado símbolo do nascimento e da vida. A relação com a Páscoa, comemorada pelos cristãos, está a partir da Ressurreição de Jesus Cristo, que representa a esperança de uma nova vida para toda a humanidade. Mas, existe também uma tradição que vem dos povos eslavos. Presentear as pessoas com ovos era um costume antigo, comum entre os povos que habitavam a região do Mediterrâneo, do Leste Europeu e do Oriente. Durante as festividades realizadas com a chegada da primavera, depois do inverno, os ovos (de galinha) eram cozidos e pintados com desenhos que lembravam plantações e outras figuras relacionadas à colheita. Representavam a esperança de fertilidade do solo e de abundantes colheitas.
A origem dos ovos de chocolate
Os ovos de chocolate vieram dos Pâtissiers franceses que recheavam ovos de galinha, depois de esvaziados da clara e gema, com chocolate e os pintavam por fora. Os pais costumavam escondê-los nos jardins para que as crianças os encontrassem na época da Páscoa. Com melhores tecnologias, a partir do final do século XIX, se difundiram os ovos totalmente feitos de chocolate, utilizados até hoje. A título de curiosidade, em 1847, a empresa Fry’s, que hoje pertence à fábrica de chocolates inglesa Cadbury, fabricou as primeiras barras de chocolate. Elas começaram a se popularizar e, em 1873, a mesma fábrica produziu os primeiros ovos de Páscoa de chocolate em todo o mundo
Infelizmente, voltamos aos primórdios do século 20, quando essa iguaria era muito cara, exclusiva das castas abastadas. A partir da década de 1970, o comércio começou a vendê-lo a preços mais em conta e eles se tornaram uma tradição. Mas a parir de 2010 eles voltaram a pesar no bolso do consumidor e hoje, estão a preços estratosféricos. Dizem que é por causa da alta do preço do chocolate. Pelo sim, pelo não, uma caixa de bombons é bem mais em conta e tem efeito semelhante.
Desejo uma boa Páscoa para os meus leitores e com o sabor inebriante de um bom chocolate.

Max Wolosker
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Economia, saúde, política, turismo, cultura, futebol. Essa é a miscelânea da coluna semanal de Max Wolosker, médico e jornalista, sobre tudo e sobre todos, doa a quem doer.
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