Árvore não tem pressa

Paula Farsoun

Com a palavra...

Paula é uma jovem friburguense, advogada, escritora e apaixonada desde sempre pela arte de escrever e o mundo dos livros. Ama família, flores e café e tem um olhar otimista voltado para o ser humano e suas relações, prerrogativas e experiências.

sexta-feira, 20 de março de 2026
por Paula Farsoun

É tanta informação que me confunde. E, talvez, essa frase nunca tenha sido tão verdadeira quanto agora. Acordamos com notificações. Dormimos com o celular ainda na mão. Entre uma tarefa e outra, deslizamos o dedo pela tela como quem procura alguma coisa que nem sempre sabemos exatamente o quê. Notícias, opiniões, vídeos curtos, análises longas, urgências que surgem do nada. Tudo parece importante. Tudo parece imediato. Tudo parece exigir uma resposta. E, no meio disso, a gente vai ficando cansado sem perceber. Um tipo de esgotamento diferente e até perturbador.

Não é só cansaço físico. É um cansaço mental, difuso, que embaralha ideias simples, que tira a clareza das decisões pequenas, que nos faz sentir atrasados mesmo quando não estamos. É como se o excesso de informação criasse um ruído constante dentro da cabeça que não silencia nem quando tudo ao redor está quieto.

A verdade é que fomos tragados por esse movimento de consumir informação como se isso fosse, por si só, sinônimo de evolução. Não fomos ensinados a parar. Cada pessoa que vemos porta um smartphone junto ao corpo, como parte indissociável dele.

Acontece que nosso cérebro também precisa de intervalo. Que o silêncio não é perda de tempo. Que não absorver tudo é, na verdade, uma forma de proteção. E talvez seja por isso que, em algum momento, o simples se torna quase revolucionário. Olhar uma árvore, por exemplo. Pode parecer pouco. Pode parecer até ingênuo. Mas não é.

Uma árvore não tem pressa. Não disputa atenção. Não tenta convencer ninguém de nada. Ela só está ali, suficiente em si mesma. E, quando a gente se permite observar, algo dentro de nós começa a desacelerar também. O vento nas folhas, a textura do tronco, a sombra que se move devagar. Tudo isso acontece fora da lógica da urgência. E, por alguns instantes, a gente também pode sair dela.

Não se trata de ignorar o mundo. Nem de fugir das responsabilidades. Trata-se de lembrar que existe vida para além da enxurrada de estímulos. A pausa não é um luxo. É uma necessidade. Porque, sem pausa, a informação deixa de esclarecer e passa a confundir. Sem pausa, a gente perde o critério. Perde a sensibilidade. Perde até a capacidade de distinguir o que realmente importa.

Chega um momento em que, se conscientemente não praticarmos a pausa, não pararmos de buscar por mais e mais conteúdo, mais estímulos, respostas, explicações, interações, não vamos dar conta. Tenho batido nesta tecla por aqui, mas não apenas nos textos. Venho buscando praticar essas reflexões e os resultados têm sido muito bons, como esperado. Venho priorizando o tempo com mais qualidade, o contato com a natureza como prioridade, menos volume, mais afetos.

De vez em quando, é simplesmente parando e contemplando uma árvore que investimos nossa vida no que interessa, porque ressignificar o que andamos fazendo com nossas mentes conectadas é necessário. O vazio também abre espaço para o  mundo.

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Paula Farsoun

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Paula é uma jovem friburguense, advogada, escritora e apaixonada desde sempre pela arte de escrever e o mundo dos livros. Ama família, flores e café e tem um olhar otimista voltado para o ser humano e suas relações, prerrogativas e experiências.

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