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Existem mulheres psicopatas?

Cesar Vasconcellos de Souza
Saúde Mental e Você
O psiquiatra César Vasconcellos assina a coluna Saúde Mental e Você, publicada às quintas, dedicada a apresentar esclarecimentos sobre determinadas questões da saúde psíquica e sua relação no convívio entre outro indivíduos.
Um psicopata tem um padrão de alteração de personalidade com comportamento antissocial, ausência de empatia, manipula muito e tem frieza emocional. É cruel, não sente culpa ou remorso, não se importa com os outros, não se arrepende por tratar mal os outros, mente com frequência, não respeita o direito dos outros.
Mesmo fazendo algo de bom para o psicopata, ele não retribui. Sempre culpa os outros, o ambiente, as circunstâncias quando as coisas dão errado, e usa o que outra pessoa fez como crédito seu a fim de subir na hierarquia na empresa, na igreja, na política. Nem toda pessoa com traços psicopáticos é criminosa. Psicopatia não significa necessariamente violência, pelo menos física.
O especialista e pesquisador em psicopatia em empresas, professor universitário em Londres, Dr. Cliver Boddy disse ao jornal The Guardian (26/02/2024): “Os psicopatas buscam dinheiro, poder e controle” e o “número de mulheres com esse transtorno neuropsiquiátrico pode ser muito maior do que se imaginava.”
Dr. Boddy diz que “Um conjunto de evidências, ainda que pequeno, mas crescente, descreve as psicopatas femininas como propensas a expressar violência verbalmente em vez de fisicamente, sendo essa violência de natureza relacional e emocional, mais sutil e menos óbvia do que a expressa por psicopatas masculinos”, e isso pode incluir espalhar boatos e mentiras para obter vantagens pessoais.
Ele crê que a ideia de ser pequeno o número de mulheres psicopatas se deve ao fato da subestimação dessa realidade já que os instrumentos de medição usaram amostras com predomínio de homens criminosos. Esses instrumentos falham na identificação de psicopatas mulheres e também na de psicopatas em empresas.
Sobre estatística o Dr. Boddy disse ao The Guardian que: “cerca de 23% dos homens, mesmo não sendo categoricamente psicopatas, têm características suficientes para serem problemáticos para a sociedade”, e que: "cerca de 12% a 13% das mulheres possuem um número suficiente dessas características para serem potencialmente problemáticas". Reconhecer a psicopatia em mulheres e homens é importante porque eles podem ter grande impacto no ambiente de trabalho, marginalizando, abusando e intimidando funcionários.
A violência praticada pela mulher é muito mais sutil, é silenciosa, com menos abuso físico e menos violência física. É mais fácil de disfarçar porque é no campo emocional que ela agride. A mulher psicopata exclui pessoas de grupos de amizade ou colegas na empresa, espalha boatos e fofocas. Em busca de promoção no trabalho, ela pode flertar e tentar seduzir seus chefes.
Dr. Boddy diz que não podemos afirmar que, por exemplo, quando duas pessoas parecem estar mentindo, o homem será o mais mentiroso. No abuso interpessoal ou conjugal, às vezes quem pratica é a mulher, não o homem. E ele comenta: “Nas decisões sobre quem cuidará das crianças após divórcios, por exemplo, não podemos automaticamente presumir que os filhos estariam melhor com a mãe se houver evidências de que ela é manipuladora, mentirosa e abusiva.”
A psicopatia surge por fatores genéticos e ambientais. O tratamento busca ajudar no controle e manejo dos comportamentos disfuncionais, através da psicoterapia, com resultados limitados principalmente em adultos. Não existem medicamentos específicos para a psicopatia, mas alguns podem aliviar sintomas de impulsividade, agressividade, ansiedade e depressão. Quando traços de psicopatia aparecem na infância ou adolescência como transtorno de conduta, as intervenções precoces aumentam as chances de melhora.
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Cesar Vasconcellos de Souza

Cesar Vasconcellos de Souza
Saúde Mental e Você
O psiquiatra César Vasconcellos assina a coluna Saúde Mental e Você, publicada às quintas, dedicada a apresentar esclarecimentos sobre determinadas questões da saúde psíquica e sua relação no convívio entre outro indivíduos.
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