A rigidez em um mundo que pede flexibilidade

Camilla Fiorito

Conversas de Dentro

Camilla é friburguense e psicopedagoga. Adora escrever e trabalhar com desenvolvimento socioemocional. Nesta coluna, escreve sobre os encontros entre o social e o emocional - espaços onde a vida, por vezes, nos pede pausa, coragem e escuta.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026
por Jornal A Voz da Serra

“Eu nasci assim, sou assim e vou morrer assim”
Essa fala ecoa de forma profunda. Evidencia medo, insegurança, resistência à mudança em um mundo que muda constantemente.

Mudamos de visão, de sentimento, de percepção, de opinião, de aceitação, de gosto, de pensamento, de estilo de vida, de postura, de comportamento, de organização interna e externa.

A nossa mente cria vários mecanismos que são sentidos no corpo, na nossa respiração, temperatura e em sensações que causam desconforto, trazendo constrangimento, seja para si mesmo ou para o outro.

O medo que nos silencia paralisa e, com ele, vem um grande barco à vela que pode naufragar a qualquer momento. A insegurança resiste, o “eu sempre fui assim” soa como uma âncora de defesa, mas que pesa mais que o esperado. Faz o barco ficar desequilibrado. A segurança escapa por entre as frágeis tramas da rede de pesca, que não se sustentam na maré agitada.

As inúmeras possibilidades de mudança bagunçam a falsa segurança, que traz a estagnação de forma cômoda, mas o barco precisa seguir. Passar por marés altas, baixas, serenas, confusas e turbulentas nos traz boas oportunidades de lidar com as nossas frustrações e proporciona bons momentos de aprendizagem.

Nosso crescimento e desenvolvimento socioemocional acontece de forma contínua. Dia após dia, vamos aprimorando e refazendo as nossas lentes que, às vezes, parecem sujas, rachadas, arranhadas, quebradas, embaçadas. Precisamos limpar e atualizar as nossas lunetas, para que a navegação fique mais leve, límpida, trazendo boas experiências para essa viagem mágica que é a nossa vida.

A falta de flexibilidade pode gerar muitos conflitos, assim como a flexibilidade em excesso, onde jogamos fora a nossa essência no mar, sem possibilidade de resgate. O oito ou oitenta, faz ou não faz, é isso ou aquilo, funcionamentos rijos ou soltos demais, nos tiram da fase de negociação, que é importante para mantermos o equilíbrio. Nenhum excesso é salutar.

A adaptação entra como uma grande convidada para essa aventura em águas que se modificam de forma incessante, onde a resolução de contingências passa a ser tratada sem a densidade que outrora fez parte.

Ser flexível é estar aberto à renovação, é ser adaptável. Não é ser permissivo ou passivo, mas, sim, se adaptar sem perder a sua essência, pois renovar faz parte desse mundo que vivemos.

Até a próxima quarta!

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Instagram: @camilla.fioritoeduc

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Camilla Fiorito

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Camilla é friburguense e psicopedagoga. Adora escrever e trabalhar com desenvolvimento socioemocional. Nesta coluna, escreve sobre os encontros entre o social e o emocional - espaços onde a vida, por vezes, nos pede pausa, coragem e escuta.

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