Quero ser seu par

Camilla Fiorito

Conversas de Dentro

Camilla é friburguense e psicopedagoga. Adora escrever e trabalhar com desenvolvimento socioemocional. Nesta coluna, escreve sobre os encontros entre o social e o emocional - espaços onde a vida, por vezes, nos pede pausa, coragem e escuta.

quarta-feira, 07 de janeiro de 2026
por Jornal A Voz da Serra

No final de semana, após um almoço gostoso de domingo na casa dos meus sogros, li uma placa com a frase “Por onde for, quero ser seu par”. Um momento nostálgico invadiu minha mente adentro, deixando ares de doçura, que me fizeram lembrar de uma época muito especial e eternizada. 

O ano era 1990. Colégio Cêfel, 3ª série primária. Estávamos todos na aula de música, divididos em grupo, onde aprendemos uma letra, imersos na doce melodia. Aulas e mais aulas ensaiando cada estrofe, para que fosse apresentada de forma brilhante para os nossos responsáveis no grande dia. A professora nos guiava com maestria e cada palavra entoava meu coração, exalando um perfume inigualável. Os pedaços cantados transbordavam em meu ser um sentimento que, na época, eu não sabia explicar e muito menos entender. Algo novo e indecifrável.
Os anos passaram. Não sou mais aquela menina de 9 anos, de cabelos compridos e castanhos, mas, hoje, aqui me encontro voltando a sensação que essa música transpassa meu ser. Recheada de significados e que sempre me percebo entoando seus versos, que me trazem uma paz interior. 

“Por onde for, quero ser seu par”.

Esse trecho da música “Andança”, cantada na voz maravilhosa e saudosa de Beth Carvalho, traz um pouco de mim, de você, da gente.

Escolher o nosso par nas andanças da vida, aquele que queremos seguir lado a lado, nas tristezas, perdas, conquistas, boas gargalhadas gostosas de doer a barriga, descobertas, indecisões e também nos medos, anseios, receios e desafios é algo que nos tira do centro, desperta sensações e percepções sobre como será a nossa caminhada. 

A escolha não nos remete somente a quem preferimos de forma amorosa nas relações que estabelecemos no dia a dia, mas traz dentro dela os nossos amigos, familiares, seja de laços construídos e escolhidos por nós mesmos ou de sangue. Conduz todos que selecionamos para estarem na carruagem que faz parte da nossa existência, em uma estrada deslizante, sinuosa, com desníveis que nos surpreendem. 

Andança não é apenas uma música. Ela desperta saudade, esperança, conexão. Tudo aquilo que compõe o nosso mais íntimo desejo profundo, despertando o nosso eu interior.

Que possamos continuar escolhendo os nossos pares, seguindo com firmeza e boas expectativas. Pois o que seríamos sem as andanças ao longo da nossa jornada?

Até a próxima quarta!

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Camilla Fiorito

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Camilla é friburguense e psicopedagoga. Adora escrever e trabalhar com desenvolvimento socioemocional. Nesta coluna, escreve sobre os encontros entre o social e o emocional - espaços onde a vida, por vezes, nos pede pausa, coragem e escuta.

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