Reflexões sobre a generosidade, o amor e a educação

Tereza Cristina Malcher Campitelli

Momentos Literários

Tereza Malcher é mestre em educação pela PUC-Rio, escritora de livros infantojuvenis e ganhadora, em 2014, do Prêmio OFF Flip de Literatura.

terça-feira, 09 de dezembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

O livro “A árvore generosa”, de Shel Silverstein (1930 – 1999), publicado pela primeira vez em 1964, pela editora Haper & Row, nos Estados Unidos e no Brasil, em 2006, pela Cosacnaif, e em 2017, pela Companhia das Letrinhas, é um clássico da literatura infantil que nos motiva a fazer reflexões sobre a relação dos pais, parentes, professores e outros adultos envolvidos afetivamente com a criança.

Silverstein foi poeta, compositor, músico, cartunista e autor de livros para crianças. “A árvore generosa” se tornou um clássico da literatura mundial por abordar um tema sobre a essência dos relacionamentos humanos: o amor e a generosidade. O texto conta a história da relação entre uma árvore e um menino. Quando pequeno, o menino tinha prazer em descansar à sombra da árvore, brincar com seus galhos e comer seus frutos. E a árvore, afetuosa e muito apegada a ele, fazia-lhe todas as vontades. Com o tempo e na medida em que ia crescendo, o menino passou a fazer mais e mais exigências à árvore, pedindo seus frutos para vendê-los e ganhar dinheiro, cortar os galhos para construir uma casa, usar seu tronco para fazer um barco para viajar e assim por diante. A árvore foi cedendo e cedendo, deixando-se cortar, até ser reduzida a um toco, renunciando à própria vida.

Por amor e generosidade pode se fazer tudo pelo outro até porque ambas as virtudes estão relacionadas e se alimentam mutuamente. Quem ama genuinamente deseja o melhor e faz o bem a quem ama, fica na arquibancada, torcendo para que nada de mal aconteça. O amor é expresso através de vínculos afetivos que envolvem presença, convivência, respeito, carinho, cuidado, carinho dentre atitudes em que uma pessoa transfere para a outra afeto e apoio emocional, como também objetos e bens materiais. Doa-se.

Quem o faz para somente cumprir obrigações não ama. Estar junto significa estar presente e não ao lado. O professor tem um olhar atento a cada aluno, conhece-o, sabe o que fazer para ensinar conteúdos e valores. Quem ama vê, percebe e enriquece. O amor é praticado, não falado. A generosidade não exige recompensas. Quem é generoso sabe dividir seu tempo, recursos e atenção. O amor e a generosidade são profundas virtudes e expressam o maior talento humano através das relações afetivas, familiares, sociais e profissionais.

A criança precisa de amor para crescer e tornar-se um adulto pronto a enfrentar a vida. Portanto, posso afirmar que a educação é um processo alicerçado nessas talentosas virtudes, na postura responsável para oferecer condições saudáveis de acolhimento, aprendizagem e convivência.  

Como tudo na vida, os limites precisam ser respeitados para garantir a saúde do relacionamento e o bem-estar individual. Por tanto amar, a pessoa pode se sacrificar em suas necessidades, desejos e até em sua identidade, colocando-se, inclusive, em último lugar para atender ao outro como fez a árvore.

Shel Silverstein foi claro, lúdico e objetivo nas frases que compôs e nos desenhos que criou para mostrar o egoísmo, a exploração do outro e a ingratidão como algumas das consequências que a generosidade sem limites pode causar. Além de limitar as possibilidades de crescimento dos potenciais existentes em alguém.

A generosidade ilimitada tende a criar monstros!

O texto com as ilustrações pode ser facilmente encontrado na internet (Google). Vale a pena ler e refletir. Para se conquistar a felicidade é preciso aprender a dizer e a escutar o não com inteligência, amor e sensatez!

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Tereza Malcher é mestre em educação pela PUC-Rio, escritora de livros infantojuvenis e ganhadora, em 2014, do Prêmio OFF Flip de Literatura.

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