A esperança que nos move

Camilla Fiorito

Conversas de Dentro

Camilla é friburguense e psicopedagoga. Adora escrever e trabalhar com desenvolvimento socioemocional. Nesta coluna, escreve sobre os encontros entre o social e o emocional - espaços onde a vida, por vezes, nos pede pausa, coragem e escuta.

quarta-feira, 12 de novembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Esperança, esperançar, esperar

A esperança nos move e nos impulsiona. Nasce no âmago, transforma, atravessa o tempo. Não deixa desistir, enquanto todo o resto desmorona.

            Nossos desejos ficam latentes, à espera daquilo que tanto ansiamos, dentro de uma escolha diária. Faz parte do passado, vigora no presente e permeia o futuro.

            Mesmo quando o mundo parece mais lento e silencioso, seja na infância, adolescência, juventude, vida adulta ou qualquer momento, a esperança fica ali. Guardada, intocável, no respirar profundo que não se rende ao desalento.

A espera demora, desmotiva, faz o sentido se perder, traz vontade de desistir, confunde, tira do eixo, balança, provoca, questiona, silencia, desampara.

            Faz com que deixemos de acreditar em nós mesmos ou até traz dúvidas sobre aquilo que acreditamos, mas também nos dá força, ampara, acolhe, impulsiona, amadurece, traz novas rotas, visões e leituras do mundo vivido e sentido. Não é vazio, mas sim preenchimento se formando para o tempo que ainda está por vir.

            Esperar dentro do esperançar é manter o coração aceso, em chama ardente, profunda. É entender com sabedoria o tempo das coisas e cultivar a paciência, como quando aramos a terra para plantar e florescer. Requer coragem e resistência, sem rigidez, com flexibilidade, sustentando sonhos, desejos e escolhas, mesmo no meio de raios, trovões e tempestades.

            O esperançar soa como um equilíbrio. É agir e esperar, saber e entender que o tempo não se apressa, mas caminha, sem pressa. É compreender que, após o plantio árduo e demorado, há o momento moroso de fortalecer raízes, cultivar e colher. Assim como na vida, onde há hora para observar, ficar, falar, seguir com coragem, permanecer, escolher, pensar. Calar e escutar com profundidade, lembrando que algumas respostas só chegam quando a alma se aquieta, se acalma em relaxamento repleto de tranquilidade e harmonia.

            É uma espera que traz um respirar fundo e intenso, que não se rende ao abatimento, assim como o coração que pulsa diante do amor e da dor. É não ocupar esse tempo com o sentir do tédio, mas com a ternura e a percepção de que respostas estão sendo escritas em silêncio, dia após dia.

            Assim, seguimos cheios de esperança, esperançando e esperando.
Tecendo o hoje, fio a fio, ponto a ponto, confiante, na espera de um futuro repleto de expectativa, pois a esperança sabe esperar.

            Até a próxima quarta!

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Instagram: @camilla.fioritoeduc

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Camilla é friburguense e psicopedagoga. Adora escrever e trabalhar com desenvolvimento socioemocional. Nesta coluna, escreve sobre os encontros entre o social e o emocional - espaços onde a vida, por vezes, nos pede pausa, coragem e escuta.

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