Dados preliminares do último censo demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizado em 2022, revelaram uma curiosidade sobre a mobilidade urbana. A pesquisa Trabalho e Rendimento e Deslocamento para Trabalho e para Estudo, divulgada na semana passada, mostrou que o tempo de deslocamento de aproximadamente 37% dos friburguenses entre a casa e o trabalho é de 15 a 30 minutos, em média. Para 25% dos trabalhadores, o tempo médio de deslocamento é entre seis e 15 minutos e para 21% entre 30 minutos e uma hora. Outros 6% levam mais de uma hora no deslocamento diário.
O tempo médio de até meia hora no deslocamento, para alguns friburguenses é considerado demais devido às constantes retenções no tráfego, mas seria o sonho daqueles que enfrentam mais de duas horas para ir de casa ao trabalho todos os dias nas grandes cidades brasileiras, como as capitais Rio de Janeiro e São Paulo. No entanto, os dados estatísticos revelam a necessidade de melhor planejamento para mobilidade urbana em Nova Friburgo.
O transporte público (ônibus) é utilizado por 25,95% dos trabalhadores friburguenses que reclamam do tempo gasto para chegar ao trabalho e voltar para casa. “Moro no distrito de Riograndina e para percorrer os 15 quilômetros de distância até o Centro, levo em média uma hora pela manhã e até uma hora e meia, na volta à noite. O trânsito está sempre com muita retenção. A reta de Conselheiro Paulino (Avenida Governador Roberto Silveira) tem muitos sinais e os ônibus nesses horários param em todos os pontos. É o trecho mais complicado e, para piorar, ainda tem a obra de uma ponte no centro de Conselheiro”, conta a recepcionista Ângela Moreira.
Entre os moradores que usam o ônibus como principal meio de transporte, 40,71% gastam entre 31 minutos e uma hora dentro do coletivo. Outros 16,1% passam de uma a duas horas no trajeto de casa até o local de trabalho.
Número recorde de veículos
Os dados preliminares do censo revelaram ainda que, em 2022, quando a pesquisa foi realizada, pelo menos 33,56% dos friburguenses utilizavam automóvel para se deslocar, 28,58% iam a pé e 8,9% preferiam motocicleta. Na época do levantamento, a população de Nova Friburgo era de 189.939 habitantes. A estimativa mais recente do IBGE aponta que, em 2025, o número subiu para 203.417 moradores.
O excesso de veículos nas ruas de Nova Friburgo realmente chama atenção, ainda mais porque a maioria dos veículos é utilizada apenas pelo motorista, evidenciando a necessidade de ações para estimular caronas solidárias ou até mesmo a melhoria do transporte público. Dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), informam que Nova Friburgo possuía 138.771 veículos emplacados no município no ano passado, segundo o Detran-RJ, sendo 85.377 automóveis, 24.963 motocicletas e 2.102 utilitários.
Situação crítica pelo Brasil afora
O IBGE também revelou o tempo médio de deslocamento entre casa e o trabalho para a maioria dos brasileiros. Dois em cada três trabalhadores, ou seja 67% gastam até 30 minutos. Em 2010, esse percentual era 65%. Outros 30% gastam entre 30 minutos e uma hora, enquanto 10% tem até duas horas consumidas entre casa e o trabalho todos os dias. Já 1,3 milhão de trabalhadores gastam mais de duas horas no trajeto diário.
O IBGE considera tempo gasto entre a casa e o trabalho, o deslocamento integral, desconsiderando paradas intermediárias, como deixar e buscar filhos em escolas ou fazer compras. Nos casos em que o trabalhador se desloca de outro local, como escolas, cursos ou faculdades, para o trabalho, o IBGE considera para o estudo, somente o tempo gasto no retorno para casa.
Os dados de Nova Friburgo e do Brasil referem-se a semana de 25 a 31 de julho de 2022 e abrangem apenas os trabalhadores que se deslocam pelo menos três vezes por semana de casa até o local de trabalho.

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