O nível de ocupação da população brasileira chegou a 53,3% em 2022, de acordo com os dados do Censo demográfico relativos a trabalho e rendimentos, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) na última quinta-feira, 9. Isso significa que pouco mais da metade das pessoas com 14 anos de idade ou mais estava trabalhando em todo o país quando a pesquisa foi realizada.
OLHO: Em 2022, mais da metade da população brasileira economicamente ativa estava ocupada
Nova Friburgo superou a média nacional. Dados do censo referentes ao município apontam que 59,48% da população estava trabalhando em 2022. Sete em cada dez deles recebiam, à época, em média, dois salários mínimos.
Os dados do Censo sobre trabalho e rendimentos mostram ainda que na Região Serrana fluminense, os municípios vizinhos de Sumidouro e Bom Jardim também tiveram percentuais superiores à Friburgo e a média nacional no quesito “população ocupada”.
Sumidouro registrou a maior taxa de ocupação de todo o Estado do Rio de Janeiro, com 65,12% das pessoas de 14 anos ou mais trabalhando em 2022, enquanto Bom Jardim somou 59,95%.
O índice de Sumidouro também supera a média estadual, que foi de 51,02%, e também a nacional, de 53,3%. O levantamento mostra que, entre os 92 municípios fluminenses, apenas 34 ficaram acima da média brasileira.
Além de Sumidouro, outros municípios do Estado do Rio de Janeiro tiveram destaque em ocupação da população economicamente ativa: Armação dos Búzios (63,78%), Paraty (60,80%), São José do Vale do Rio Preto (60,29%). Na outra ponta do ranking estão Japeri (37,32%), São João da Barra (40,30%) e Italva (42,72%), com as menores taxas.
Mais homens trabalhando
O estudo do IBGE mostrou ainda que, no Estado do Rio, em 2022, os homens representavam 54,8% das pessoas ocupadas, enquanto as mulheres correspondem a 45,2%. Mesmo com menor presença no mercado de trabalho, as mulheres fluminenses apresentaram níveis de escolaridade mais elevados: 28,5% delas possuíam ensino superior completo, contra 19,5% dos homens.
Comparação com dados de 2010
A proporção divulgada nesta semana pelo IBGE é um pouco menor do que a verificada no Censo anterior, realizado em 2010, quando 55,5% dos brasileiros, a partir de 14 anos, estavam ocupadas.
"Em 2010, a economia estava mais aquecida. Já em 2022, estávamos saindo da pandemia de covid-19 que alterou todos os padrões de comportamento. Houve um movimento de recuperação em 2022, mas a economia ainda não estava plenamente restabelecida”, explica o analista do IBGE, João Hallack Neto.
Metodologia
Os dados do Censo relativos a trabalho e rendimentos referem-se a respostas dadas por cerca de 10% da população, selecionada de forma aleatória para compor uma amostra, que respondeu um questionário mais completo do que as questões básicas aplicadas a todas as pessoas.
Eles mostram ainda que 11,1% dos adolescentes entre 14 e 17 anos já exerciam algum tipo de trabalho no momento da pesquisa. Na outra ponta, 14,9% das pessoas com 65 anos ou mais também trabalhavam.
Renda
Em contrapartida, os trabalhadores brasileiros recebiam, em 2022, R$ 2.851 por mês, em média, mas 35,3% das pessoas tinha remuneração de, no máximo, um salário mínimo, o que na época equivalia a R$ 1.212. Neste quesito, houve um ligeiro avanço entre os anos, já que a proporção no Censo de 2010 foi 36,4%.
Nas duas edições da pesquisa, a maioria dos trabalhadores recebia entre um e cinco salários mínimos, proporção que subiu de 54% para 57%, entre 2010 e 2022. Por outro lado, a parcela de pessoas com rendimentos provenientes do trabalho superiores a cinco salários mínimos caiu, de 9,6% para 7,6%.
Ainda de acordo com o Censo, o rendimento proveniente do trabalho era responsável por 75,5% da renda mensal domiciliar, enquanto fontes como aposentadoria, pensão, benefícios de programas sociais do Governo Federal e aluguéis correspondiam aos outros 24,5%.
A relação entre o nível educacional e a remuneração também foi comprovada: trabalhadores com ensino superior completo recebiam, em média, R$ 5.796, cerca de R$ 3.500 a mais do que quem tinha completado apenas o ensino médio, população com renda média de R$ 2.291 mensais.
Formas de trabalho
Algumas mudanças no mercado de trabalho também apareceram na pesquisa. Em 2022, a população ocupada como empregados somou 69,2%, quase cinco pontos percentuais a menos do que em 2010. Já os trabalhadores por conta própria somavam 26,7%, um aumento de mais de quatro pontos na comparação com 2010, quando eles perfaziam 22,4%. Apesar da proporção de empregadores ser bem menor, também houve aumento entre os anos, de 2,1% para 3,3%
Entre os empregados, a maioria atuava no setor privado com carteira assinada, em 2022: 56,3%. Em seguida, vem os trabalhadores sem carteira do setor privado, que somavam 18,5% e os militares e estatutários, 13,7%.
Regiões do Brasil
A pesquisa também identificou algumas diferenças regionais. Quanto ao nível de ocupação, por exemplo, a média brasileira de 53,3% foi superada nas regiões Sudeste e Centro-Oeste e no Sul, onde foi verificada a maior proporção: 60,3%. Já no Norte e Nordeste, menos da metade da população com mais de 14 anos estava ocupada no momento da pesquisa: 48,4% e 45,6%, respectivamente.
Essa desigualdade também apareceu nos rendimentos obtidos com o trabalho.
No Centro-Oeste, essa renda representava 80,6% do total de rendimentos declarados pelos domicílios, 12,8 pontos percentuais a mais do que a proporção de 67,9% verificada no Nordeste.
Nas outras três regiões, a relação ficou na casa dos 76%. Já o rendimento médio mensal de todos os trabalhos variou de R$ 2.015 no Nordeste, a R$ 3.292 no Centro-Oeste, ficando em R$ 2.238 na Região Norte, R$ 3.154 na Região Sudeste e R$ 3.190 no Sul.
"Do total de municípios brasileiros, 520 deles apresentaram rendimento nominal abaixo de um salário mínimo, enquanto 19 deles possuem um indicador acima de quatro salários mínimos. Ilustrando a desigualdade tão grande, os dez municípios com menores rendimentos situavam-se na Região Nordeste. Por outro lado, dez municípios com maiores rendimentos médios estavam nas regiões Sul e Sudeste", complementa o analista do IBGE, João Hallack Neto.
Com informações do IBGE, Agência Brasil e O Dia
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