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De volta ao batente

Max Wolosker
Max Wolosker
Economia, saúde, política, turismo, cultura, futebol. Essa é a miscelânea da coluna semanal de Max Wolosker, médico e jornalista, sobre tudo e sobre todos, doa a quem doer.
Após 30 dias de férias pelo Nordeste, estou de volta. Nossa viagem começou por Porto de Sauipe-BA, aonde chegamos de carro, vindos de Salvador, a capital baiana. O nosso objetivo era João Pessoa-PB, para visitar nosso filho mais velho, que mora nessa cidade, desde fevereiro. Na nossa primeira parada visitamos as praias do Centro, de Santo Antônio e do Forte. A próxima parada foi Estância, em Sergipe, hospedados numa pousada na Praia do Saco. Ali fizemos passeio de buggy pelas dunas, fomos à Lagoa dos Tambaquis que como o nome indica é uma reserva/criadouro do peixe Tambaqui. Pasmem, mas eles são tão domesticados que são capazes de virar de costas e deixar fazer carinho em suas barrigas. São protegidos sendo a pesca e o consumo proibidos. Seguimos para Piaçabuçu onde visitamos um Quilombola, fizemos um passeio pelas dunas com direito a navegar pelo rio São Francisco e ver o seu desague no oceano, além de banhos e caminhadas pela praia.
Seguimos, então para Barra de São Miguel onde visitamos a praia do Gunga com suas falésias coloridas, um passeio de barco para as piscinas naturais de corais, e as principais praias da região. Dali fomos a Pipa, no Rio Grande do Norte. Pipa pode ser comparada a Búzios de 30 anos atrás, com sua rua principal que lembra a Rua das Pedras. Visitamos a praia do Amor, com seu chapadão próximo a ela, de onde se tem uma vista deslumbrante do pôr do sol.
Finalmente, chegamos a João Pessoa, cidade da qual falarei oportunamente. Uma característica de nossa viagem é que por estarmos em balneários do interior, tanto a hospedagem como a comida são de um preço muito em conta. Pousadas variando de R$ 250 a R$ 280 e refeições completas entre R$ 35 a R$ 40 por pessoa, sendo que a peixada, a moqueca, o vatapá e a carne de sol para duas pessoas saindo entre R$ 80 a R$ 100.
No meio da viagem recebi, no meu Whatsapp um artigo que achei interessante e reproduzo abaixo. O texto é muito bom e, infelizmente, aqueles que deveriam, não vão lê-lo.
Carta pública do Instituto Lexum (renomada organização de juristas e acadêmicos brasileiros) ao ministro Luís Roberto Barroso
“Fique, Barroso. Tenha a coragem de assistir ao fim do que você começou.
De todas as estratégias possíveis, a mais covarde é a fuga disfarçada de cansaço.
A história está repleta de engenheiros de ruínas que, ao verem o castelo desmoronar, saem pela porta dos fundos, de fininho, como se nada tivessem a ver com os escombros. Mas não, ministro Barroso — o senhor não vai sair assim.
Sabe por quê? Porque cada rachadura no prestígio da Suprema Corte brasileira carrega sua digital. Cada voto em que o juiz se fez legislador, cada frase em que a moral pessoal se travestiu de princípio constitucional, cada vez que a toga pesou mais do que o texto — tudo isso tem sua assinatura intelectual, moldada lá nos tempos de Uerj, quando o senhor, encantado com a living constitution, decidiu ensinar ao país que a Constituição era um romance em construção, escrito por intérpretes iluminados. De uma linha de pensamento ativista, porém respeitável, da tradição jurídica norte-americana, passamos a conviver com um neoconstitucionalismo tupiniquim, com uma demão de verniz acadêmico, mas que bem poderia ser batizado de doutrina do ‘Perdeu, Mané, não amola’.
A prometida ‘recivilização’ do país, por um autodeclarado iluminista, se concretizou em autoritarismo galopante. Pois bem, o romance virou panfleto. A Corte virou trincheira. A Constituição, peça de ocasião. E agora, quando o país finalmente percebe o que aconteceu, o senhor cogita ir embora?
Não, Barroso. Isso não seria prudente. Seria simbólico. E o símbolo que se formaria seria implacável: o autor de uma doutrina que prometeu redenção, mas entregou autoritarismo revestido de empáfia, agora tenta escapar do veredito histórico.
Não como um magistrado que se despede após o serviço cumprido — mas como quem abandona o navio ao ouvir o estalo da madeira.
Roberto Campos, ao comentar a correção monetária, confessou ter criado um carneiro que virou um bode. Ele não se esquivou. Ele olhou para a distorção de sua ideia original e assumiu a paternidade do monstro. Já o senhor, quer sair de cena sem sequer reconhecer que o bode constitucional que nos coube nos últimos anos tem os traços exatos do seu neoconstitucionalismo messiânico.
Portanto, ministro, fique. Fique para ver a extensão da obra. Fique para explicar a erosão da legitimidade. Fique para ouvir a crítica dos que ainda acreditam que juízes devem julgar, não governar. Fique para entender que o Supremo não é palanque nem púlpito.
Ou então saia. Mas saiba: sua saída não será apenas uma aposentadoria precoce. Será uma confissão.”
Uma coisa que me impressionou, nessa viagem, é como tem gente vivendo do bolsa família e outras bolsas criadas pelo PT, o que torna o Nordeste uma capital de ociosos ou de pessoas vivendo na informalidade. Tomei consciência de que o país vai quebrar, em breve, a continuar nesse ritmo.

Max Wolosker
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