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A herança genética produz a depressão?

Cesar Vasconcellos de Souza
Saúde Mental e Você
O psiquiatra César Vasconcellos assina a coluna Saúde Mental e Você, publicada às quintas, dedicada a apresentar esclarecimentos sobre determinadas questões da saúde psíquica e sua relação no convívio entre outro indivíduos.
Os médicos Douglas F. Levinson e Walter E. Nichols, professores da Faculdade de Medicina da Universidade de Stanford, publicaram um artigo sobre influências genéticas para o surgimento da depressão. Vamos ver que achados eles encontraram nessa questão. Você pode ler o artigo original nesse link: https://med.stanford.edu/depressiongenetics/mddandgenes.html
Duas vezes mais mulheres do que homens sofrem de depressão grave. O Brasil é o país da América Latina com mais depressão na população com 5,8%, e o segundo se considerarmos as três Américas. Os Estados Unidos são o país com mais depressão no mundo, com 5,9%.
Uma das formas com que cientistas avaliam se existe influência genética sobre alguma doença é observando irmãos gêmeos. Eles procuram pessoas com uma doença que são gêmeos idênticos por terem 100% de seus genes iguais, enquanto gêmeos não idênticos têm 50% de seus genes iguais. Se existe uma influência genética numa doença, espera-se que o gêmeo idêntico de um paciente tenha um risco muito maior de desenvolver esta doença, do que o gêmeo não idêntico da pessoa com a doença. Verificou-se que isso ocorre na depressão.
Estes cientistas da Universidade Stanford afirmam que o fator hereditário contribui para a depressão entre 40% a 50%. Isso pode significar que, na maioria dos casos de depressão, cerca de 50% da causa é genética. Ou pode significar que, em alguns casos, a tendência de ficar deprimido é quase completamente genética e, em outros casos, não é genética. Se uma pessoa tem um pai, mãe ou irmão com depressão grave, ela pode ter um risco 2 ou 3 vezes maior de desenvolver depressão comparado com quem não tem parente com esse diagnóstico.
Quanto a fatores não genéticos para a depressão, abuso físico ou sexual grave na infância, negligência emocional e física na infância e estresse grave na vida são fatores de risco, e existem outros fatores ainda não conhecidos. Perder um dos pais no início da vida pode aumentar o risco até certo ponto.
Algumas doenças raras são causadas por um único gene defeituoso. Muitos distúrbios como depressão, diabetes e pressão alta, são influenciados por genes. Nesses distúrbios parece haver combinações de mudanças genéticas que predispõem algumas pessoas a adoecer. Ainda não sabemos quantos genes estão envolvidos na depressão, mas é duvidoso que algum gene cause depressão em um grande número de pessoas. Não se “herda” a depressão da mãe ou do pai. Cada pessoa herda uma combinação única de genes de sua mãe e pai, e certas combinações podem predispor a uma doença específica.
A maioria das pessoas com depressão grave não tem parentes próximos com transtorno bipolar, mas os parentes de pessoas com transtorno bipolar correm maior risco de depressão maior e transtorno bipolar.
E quanto aos transtornos graves de depressão e ansiedade? Provavelmente existem mudanças genéticas que podem aumentar a predisposição tanto para a depressão maior quanto para certos transtornos de ansiedade, incluindo transtorno de ansiedade generalizada, transtorno de pânico e fobia social. Além disso, algumas pessoas têm uma maior tendência ao longo da vida de experimentar emoções desagradáveis e ansiedade em resposta ao estresse.
Segundo a OMS – Organização Mundial da Saúde – a depressão deverá ser a doença número 1 no mundo em 2030. A perda da esperança é um dos fatores principais no surgimento do estado mental depressivo. Por que a sociedade em geral está perdendo a esperança?
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Cesar Vasconcellos de Souza
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Cesar Vasconcellos de Souza
Saúde Mental e Você
O psiquiatra César Vasconcellos assina a coluna Saúde Mental e Você, publicada às quintas, dedicada a apresentar esclarecimentos sobre determinadas questões da saúde psíquica e sua relação no convívio entre outro indivíduos.
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