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Elizabeth Souza Cruz

Elizabeth Souza Cruz

Surpresas de Viagem

A jornalista-poeta-escritora-trovadora-caçadora de cometas Elisabeth Sousa Cruz divide com os leitores, todas as terças, suas impressões a bordo do que ela carinhosamente chama de “Estação Caderno Light”, na coluna Surpresas de Viagem.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026
por Jornal A Voz da Serra

A charge de Silvério me fez embarcar lá pelos anos de 1998, quando minha filha caçula tinha perto de seis anos de idade. A campanha “Se beber, não dirija” circulava intensamente nos meios de comunicação. Pois bem: certo dia, tia Maria Luiza viu Fernanda bebendo refrigerante, antes do almoço. Foi o bastante para titia ralhar: “Para de beber, garota!” – E a garota, mais do que depressa: - O que é que tem isso? Eu não vou dirigir!! (Rimos muito, porque criança leva tudo ao pé da letra).

Na verdade, a campanha jamais saiu da mídia e Silvério, sempre oportuno em seus traços e ideias, estampou a frase, alertando sobre a responsabilidade com o lema “Se beber não dirija”, pois são três coisas que não combinam: folia, bebida e direção. Os “anjos” tentam interceder, mas nem sempre os condutores de veículos escutam a voz do bom senso. Como sempre gosto de afirmar, a charge é direta, objetiva e tem, além de tudo, um traço educativo, preventivo e de grande alcance. Basta interpretar e o recado está dado.

Assim como o Natal, a folia de Momo é uma construção de memórias afetivas. Em minha casa de infância, o período carnavalesco era preparado com entusiasmo e seriedade. Meus pais tinham o carnaval na mais alta             relevância e os preparativos iam desde as fantasias que mamãe costurava nas altas horas da madrugada até os roteiros que iriamos percorrer pela cidade. Confetes, serpentinas e espirradeiras faziam a nossa alegria. Eu e meu irmão   fomos holandeses, soldadinhos, piratas e tudo o mais que a imaginação de meus pais concebia. Era um carnaval tamanho família!

Naquele tempo de meus pais era preciso mesmo idealizar e preparar a fantasia com o requinte das costuras e bordados, tudo bem delineado, sem improvisos de última hora. Ao contrário do que acontece na atualidade, quando se tem a facilidade de “montar um look para a folia com até R$ 50”. A estagiária Isabella Rodrigues trouxe dicas valiosas para os mais incríveis “improvisos”, pois “no Carnaval, mais importante do que gastar muito é se divertir”. Tudo vale a pena, porque a alma do Carnaval é infinita.

Uma novidade pra lá de interessante, que incentiva a reciclagem, é a utilização de máquinas para amassar latinhas, instaladas nos locais da folia. O objetivo desse projeto é “facilitar o trabalho dos catadores nas áreas de maior concentração de foliões”. Da maneira como tem feito calor, o consumo tem sido muito produtivo para quem faz essas coletas. A cerveja, por exemplo, é responsável pelo grande volume de latinhas, embora os refrigerantes sejam bem consumidos também. Mas, a vantagem da cerveja é que faça chuva ou faça sol, frio ou calor, a bebida “desce” muito bem.

Enquanto o folião se diverte, a criançada corre e a multidão segue o curso das batucadas, a limpeza urbana não brinca em serviço. “69 profissionais atuam na varrição, equipados com 31 contêineres e varrição mecânica, retroescavadeira, caminhões e veículos de suporte”. É mesmo um “bloco” nossa uma cidade limpa o ano inteiro.

O Bloco Companhia Arteira tem feito bonitas produções teatrais em nossa cidade. No Carnaval, seu grupo de teatro prestou homenagem a diversos ícones das artes friburguenses. Álvaro Ottoni, Raquel Nader, Daniela Santi, Nelmo, Julio Cezar Seabra Cavalcanti, o Jaburu, Carlito Marchon, Marcelo Guerra, Paulo Carvalho, Adriane Salomão e Jorge Miguel Mayer são alguns de seus homenageados. O enredo do carnaval dos “arteiros” é sempre um sucesso. Este ano cheio de saudades e lembranças com uma constelação repleta de estrelas no céu dos iluminados . Parabéns, Companhia Arteira!...

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A jornalista-poeta-escritora-trovadora-caçadora de cometas Elisabeth Sousa Cruz divide com os leitores, todas as terças, suas impressões a bordo do que ela carinhosamente chama de “Estação Caderno Light”, na coluna Surpresas de Viagem.

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