Você precisa mesmo comprar isso? – A compulsão por compras

César Vasconcelos de Souza

Cesar Vasconcellos de Souza

Saúde Mental e Você

O psiquiatra César Vasconcellos assina a coluna Saúde Mental e Você, publicada às quintas, dedicada a apresentar esclarecimentos sobre determinadas questões da saúde psíquica e sua relação no convívio entre outro indivíduos.

quinta-feira, 16 de abril de 2026
por Cesar Vasconcellos

Vivemos num mundo bombardeado por estratégias de marketing para vender tudo. Obter bens tem sido usado como prova de competência e de status. O conceito, mesquinho, da sociedade pós-moderna é que seu valor como indivíduo depende do quanto você tem, da sua fama, do seu poder social. Isso é um equívoco porque se você constrói sua noção de valor pessoal na dependência de vínculo com pessoas e posse de bens materiais, o que seria de você se essas pessoas e coisas forem tiradas de repente de sua vida? O que sobraria? Pode existir uma diferença grande entre o que você realmente precisa e o que deseja.

A compulsão por compras serve para mascarar dores emocionais que para a pessoa são difíceis de serem encaradas para serem resolvidas de forma construtiva e funcional. Enquanto reações químicas cerebrais produzidas pela excitação das compras atua no cérebro, a pessoa se sente bem. Ao retornar para casa, e colocar as bolsas de compras na cama ou na mesa, a onda cerebral de prazer já terá passado e a pessoa se defrontará com a sensação de vazio novamente.

Pessoas diferentes se envolvem em compulsões às vezes diferentes, mas tendo um mesmo objetivo: buscar alívio da angústia, da tristeza, da sensação de falta de sentido para viver. Esses sentimentos podem estar enraizados em sofrimentos vividos ao longo da infância, ou na juventude e mesmo na vida adulta, para os quais a pessoa ainda não encontrou solução. Comprar de forma compulsiva serve como um calmante e euforizante temporário.

O compulsivo para compras precisa perceber gatilhos que disparam a fissura para adquirir objetos. Gatilhos externos podem ser propagandas, promoções, novidades, notícias sobre o “último lançamento” de um produto. Gatilhos internos que disparam a fissura pelas compras podem ser tédio, ociosidade, estresse, orgulho, egoísmo, inveja, conflitos familiares e pessoais.

Um fator que colabora para a obsessão por compras é ligado à cultura de consumo, ao mundo consumista, ao que a Bíblia denomina “concupiscência dos olhos”, ou seja, desejos desenfreados para obter o que os olhos podem ver e os sentimentos desejam, mesmo sem ter lógica nisso. Mas, o que também contribui para o consumismo que se enquadra na compulsão para compras, além do vazio interior, pode ser a comparação social. Você vê que seu vizinho comprou um novo carro, e começa a cultivar o desejo de fazer o mesmo. Pode ser por inveja, por futilidade, ou por querer diminuir ou apagar o sentimento de ansiedade e tristeza que podem perturbar, na falsa impressão de que obtendo aquele objeto, tudo ficará bem.

O Senhor Jesus ensinou nos Evangelhos que maior coisa é dar do que receber. E recomendou que não coloquemos nosso coração nos bens materiais, mas nas coisas do Céu. Se seu sofrimento com vício em compras está machucando muito, peça ajuda a Deus para lidar com isso, reconsidere seu sentido para a vida, reflita sobre que sofrimentos você passou em sua vida infantil e talvez na adolescência que produziram angústia, tristeza que podem estar empurrando você para tentar obter alívio disso através de compras. Se necessário, procure ajudar profissional com psicólogo de boa referência.

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Cesar Vasconcellos de Souza

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