Notícias de Nova Friburgo e Região Serrana
Placebo e nocebo

Cesar Vasconcellos de Souza
Saúde Mental e Você
O psiquiatra César Vasconcellos assina a coluna Saúde Mental e Você, publicada às quintas, dedicada a apresentar esclarecimentos sobre determinadas questões da saúde psíquica e sua relação no convívio entre outro indivíduos.
Você já deve ter ouvido falar em efeito placebo. E nocebo? Efeito placebo e efeito nocebo são dois fenômenos psicológicos e fisiológicos opostos, mas que têm o mesmo princípio, ou seja, são ligados com os efeitos da mente sobre o corpo.
Efeito placebo é a melhora de sintomas que uma pessoa experimenta após um tratamento sem efeito ativo, por exemplo, tomando um comprimido de açúcar ou de amido, crendo que se trata de um remédio verdadeiro. Ela crê que é um medicamento real e se sente melhor. Quando cremos em algo bom, nosso corpo pode liberar substâncias como a endorfina e a dopamina, que diminuem a dor e melhoram o bem estar emocional.
Já o efeito nocebo é a piora de sintomas ou surgimento de efeitos negativos por causa da expectativa negativa que a pessoa nutre, mesmo sem causa física real para tais sintomas. Isso acontece por causa do medo ou crença de que alguma coisa fará mal. Por exemplo, uma pessoa toma um remédio inofensivo, mas ao ler na bula sobre possíveis efeitos colaterais, começa a sentir dor de cabeça ou náusea. O medo e a ansiedade podem ativar a liberação de hormônios do estresse, como o cortisol e a adrenalina.
Estes dois efeitos mostram como a mente é unida ao corpo e produz efeitos físicos, bons ou ruins, dependendo da crença psicológica, a qual pode ser positiva ou negativa.
Vamos ver alguns exemplos clínicos. Várias pessoas participando de uma pesquisa científica, e tendo dor muscular recebem um comprimido sem princípio ativo achando que é um analgésico. Algumas poderão sentir redução da dor mesmo sendo um remédio sem efeito químico, porque acreditam, e essa crença libera analgésicos naturais produzidos pelo corpo, chamados “endógenos”, como a endorfina.
Outro exemplo é quando um laboratório farmacêutico pesquisa um novo antidepressivo. No grupo de pacientes que recebem um tratamento com comprimidos sem efeito antidepressivo, vários podem relatar melhoras do estado depressivo. Eles tomaram um placebo e sentiram melhor. A atitude mental de crer favorece a melhora, mesmo não tendo tomado um antidepressivo real.
Certa vez uma equipe de neurocirurgia num hospital me pediu para avaliar um paciente que tinha dor na coluna lombar e que não melhorava com medicamentos via oral para dor, mas que relatou melhora quando injetaram um placebo. Aquela pessoa acreditou na injeção e comentou ter sentido diminuição da dor lombar.
Por outro lado, algumas pessoas muito impressionadas, ansiosas, com medo excessivo, muito preocupadas, podem apresentar efeitos colaterais tomando medicamentos sem efeito. Por exemplo, o médico pode explicar que o remédio que a pessoa precisa tomar pode ter como efeito colateral dor de cabeça. É dado para o paciente uma pílula sem produto químico, mas a pessoa diz sentir dor de cabeça. Isso é o efeito nocebo.
Importante, então, considerar o seguinte: a forma como o tratamento é apresentado pode influir no resultado do mesmo. A confiança no médico e no tratamento pode produzir melhores resultados. O medo, a tristeza, a ansiedade, a desconfiança podem piorar os sintomas ou criar sintomas não prováveis de surgirem com aquele medicamento ou procedimento. A atitude mental é muito influenciadora da saúde ou da doença.
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Cesar Vasconcellos de Souza

Cesar Vasconcellos de Souza
Saúde Mental e Você
O psiquiatra César Vasconcellos assina a coluna Saúde Mental e Você, publicada às quintas, dedicada a apresentar esclarecimentos sobre determinadas questões da saúde psíquica e sua relação no convívio entre outro indivíduos.
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