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O Paradoxo de Easterlin: Por que mais riqueza não garante mais bem-estar?

Cesar Vasconcellos de Souza
Saúde Mental e Você
O psiquiatra César Vasconcellos assina a coluna Saúde Mental e Você, publicada às quintas, dedicada a apresentar esclarecimentos sobre determinadas questões da saúde psíquica e sua relação no convívio entre outro indivíduos.
Richard Ainley Easterlin foi um economista americano, professor de economia na Universidade do Sul da Califórnia. Ele estudou o que veio a ser chamado de o “Paradoxo de Easterlin”, na década de 1970. Ele questionou a ideia comum de que um aumento contínuo na renda, ou seja, ganhar mais dinheiro continuamente, levaria, de forma igualmente contínua, a um aumento no bem-estar subjetivo das pessoas.
Num primeiro momento, parece lógico pensar que quanto mais recursos materiais alguém possui, mais confortável e feliz será. No entanto, a pesquisa de Easterlin demonstrou que, embora pessoas mais ricas, dentro de um mesmo país, tenham a tendência de relatar níveis de felicidade maiores do que pessoas mais pobres, o aumento da renda média de um país ao longo do tempo não resulta em aumento proporcional da felicidade da população como um todo.
Esse paradoxo revela que o bem-estar humano é influenciado por fatores muito mais profundos e complexos do que apenas condições econômicas. Uma das explicações disso está na chamada “adaptação hedônica”, ou seja, indivíduos rapidamente se acostumam aos ganhos materiais, e o que inicialmente parecia trazer satisfação torna-se, pouco tempo depois, algo normal. Assim, o crescimento econômico acaba produzindo um ciclo contínuo de expectativas crescentes, neutralizando o impacto positivo que o aumento de renda poderia oferecer. É como se a pessoa dissesse: “Agora cheguei nesse patamar de riqueza, que mais posso ter?” Parece uma falta insaciável para alguns.
Esse estudo de Richard Easterlin, e outros, mostraram que a felicidade depende menos do nível absoluto de renda e mais da renda relativa, ou seja, como o indivíduo se percebe em relação aos outros ao seu redor. Quando todos ficam mais ricos simultaneamente, ninguém se sente relativamente melhor, e o ganho de bem-estar se dissipa.
À medida que as sociedades enriquecem, surgem novas pressões, competitividades e tensões sociais e podem surgir doenças como a Síndrome de Burnout e outras ligadas ao alto estresse. Expectativas profissionais mais altas, ritmo acelerado de vida e crescente comparação social criam ambientes onde o aumento de renda vem acompanhado de novas exigências emocionais. O estudo de Easterlin não afirma que dinheiro é irrelevante, de fato, ele é essencial para tirar pessoas da pobreza e garantir condições mínimas de vida com dignidade. Porém, o economista Richard mostra, que após certo limiar, o acúmulo de riqueza deixa de produzir melhorias significativas na qualidade pessoal de vida.
Resumindo, o Paradoxo de Easterlin desafia nossa visão materialista de progresso e nos leva a reconsiderar o que significa viver bem. Ele convida sociedades e indivíduos a refletirem sobre o papel de relações sociais sólidas, propósito, saúde mental, tempo de lazer e segurança emocional. Esses fatores, frequentemente negligenciados em contextos econômicos, revelam-se determinantes para uma vida verdadeiramente satisfatória.
Mesmo sendo uma pesquisa antiga, a conclusões de Richard Easterlin permanecem atuais e provocadoras. De acordo com os estudos dele, podemos afirmar que crescer economicamente é importante, mas não suficiente. O bem-estar pessoal exige muito mais do que riqueza material.
Jesus entendia e vivia isso, tanto que levantou a pergunta para nossa reflexão: “Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo mais do que o vestuário?” Mateus 6:25.
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Cesar Vasconcellos de Souza
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Cesar Vasconcellos de Souza
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O psiquiatra César Vasconcellos assina a coluna Saúde Mental e Você, publicada às quintas, dedicada a apresentar esclarecimentos sobre determinadas questões da saúde psíquica e sua relação no convívio entre outro indivíduos.
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