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Transformando resíduos de comunicação visual em novos ciclos produtivos

Alex Santos
Prosa Sustentável
Alex Santos tem dedicado seus esforços desde 2010 para disseminar a importância da sustentabilidade. Através de projetos inovadores busca catalisar uma mudança positiva no mundo, incentivando práticas mais responsáveis e ecologicamente conscientes.
Bora para mais uma prosa sustentável?
Hoje o tema é posicionamento estratégico para empresas que queiram ser mais competitivas e sustentáveis. Bora lá!
Na minha trajetória escrevendo sobre ESG — e também atuando diretamente nessa área — tenho observado um desafio crescente e ainda pouco debatido nos bastidores corporativos: o destino de banners e lonas publicitárias após o fim de campanhas. Produzidos em larga escala e com baixa reciclabilidade, esses materiais costumam ter vida útil curta e frequentemente acabam descartados como resíduos sólidos, ampliando impactos ambientais sérios, visto que tal material é derivado do petróleo podendo levar muitos séculos para se decompor.
Hoje, o descarte inadequado desses materiais deixou de ser apenas um problema ambiental e passou a integrar diretamente a agenda reputacional das empresas. Em um contexto em que práticas de ESG influenciam decisões de mercado, a gestão responsável de resíduos tornou-se um indicador concreto de compromisso socioambiental — e também de credibilidade institucional. É preciso considerar, ainda, o impacto negativo na imagem corporativa: imagine uma lona publicitária com a logomarca da empresa boiando em um rio, visível para todos. Aquilo que foi criado para promover a marca pode, rapidamente, transformar-se em um símbolo de descuido ambiental, gerando percepção negativa e prejuízos à reputação de qualquer negócio.
Números que mostram o impacto
Como integrante da EcoModas, acompanho de perto iniciativas que buscam soluções práticas para esse problema. Desde 2010, alguns projetos já desenvolvidos já possibilitaram a transformação de um pouco mais de sete toneladas de banners e lonas em novos produtos ecológicos para empresas de diferentes regiões do Brasil.
Esse volume representa não apenas resíduos desviados de aterros, mas também redução indireta de impactos ambientais, como economia de matéria-prima virgem, diminuição da demanda por novos plásticos e menor emissão associada à produção de materiais promocionais convencionais.
Para Adriana Santos, responsável pela criação das peças, “cada material tem características próprias, e nosso trabalho é estudar o melhor aproveitamento possível. Quanto mais inteligente for o design, maior é o reaproveitamento e menor o descarte”, observa.
Do passivo ambiental ao ativo estratégico
Na prática, banners que perderam sua função original podem ser convertidos em bolsas, estojos, carteiras e nécessaires utilizados em ações institucionais, kits corporativos e campanhas promocionais. Essa substituição de brindes tradicionais por itens reaproveitados ajuda empresas a alinhar comunicação, branding e responsabilidade ambiental.
O processo segue critérios técnicos: cálculo da área disponível de material, dimensionamento dos produtos possíveis e definição proporcional da produção. Esse planejamento garante melhor aproveitamento da matéria-prima e transparência de resultados — dados que podem inclusive compor relatórios de sustentabilidade corporativa.
Impacto social além do ambiental
Outro ponto relevante é o efeito social desse modelo produtivo. A confecção dos itens prioriza contratação de mão de obra local, estimulando geração de renda, valorização de habilidades artesanais e fortalecimento da economia regional. Isso amplia o alcance da iniciativa, que deixa de atuar apenas na esfera ambiental e passa a contribuir também para desenvolvimento social.
Na prática, isso significa que um resíduo corporativo descartado em uma ponta da cadeia pode se transformar em oportunidade de trabalho e renda em outra — um exemplo concreto de como a economia circular conecta diferentes dimensões da sustentabilidade.
Uma mudança de lógica
Tenho defendido cada vez mais a ideia de que sustentabilidade corporativa não depende somente de grandes tecnologias, mas de mudanças de mentalidade. Quando empresas passam a enxergar seus próprios resíduos como recursos reaproveitáveis e regenerativas, elas deixam de lidar com o descarte como problema isolado e passam a tratá-lo como parte estratégica de sua operação.
Produtos desenvolvidos a partir de banners que seriam descartados ganham novos significados, contam outras histórias e ainda se transformam em instrumentos de educação ambiental. Mais do que itens reutilizados, eles representam uma forma concreta de vivenciar a sustentabilidade e a economia circular — de maneira visível e autêntica.
No fim das contas, iniciativas desse tipo mostram que a chamada “missão sustentável” não é um conceito abstrato. Ela se materializa em números, processos, pessoas envolvidas e resultados mensuráveis — elementos que transformam discurso ambiental em prática concreta.
Saudações sustentáveis! Tudo verde sempre!

Alex Santos
Prosa Sustentável
Alex Santos tem dedicado seus esforços desde 2010 para disseminar a importância da sustentabilidade. Através de projetos inovadores busca catalisar uma mudança positiva no mundo, incentivando práticas mais responsáveis e ecologicamente conscientes.
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