Resíduos têxteis: um desafio crescente e as soluções possíveis

Alex Santos tem dedicado seus esforços desde 2010 para disseminar a importância da sustentabilidade. Através de projetos inovadores busca catalisar uma mudança positiva no mundo, incentivando práticas mais responsáveis e ecologicamente conscientes.

Alex Santos

Prosa Sustentável

Alex Santos tem dedicado seus esforços desde 2010 para disseminar a importância da sustentabilidade. Através de projetos inovadores busca catalisar uma mudança positiva no mundo, incentivando práticas mais responsáveis e ecologicamente conscientes.

terça-feira, 16 de setembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

 

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O setor da moda é um dos mais dinâmicos do mundo, mas também um dos que mais geram impactos ambientais. De acordo com um relatório da Ellen MacArthur Foundation (2017), o equivalente a um caminhão de lixo de resíduos têxteis é aterrado ou incinerado a cada segundo no planeta. Estima-se que a produção global de roupas tenha dobrado entre 2000 e 2015, enquanto o tempo médio de uso de uma peça caiu em mais de 30%.

No Brasil, a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) aponta que o país descarta cerca de 170 mil toneladas de resíduos têxteis por ano, grande parte sem destinação adequada. Esse descarte ocorre em costureiras, facções, indústrias e até mesmo no pós-consumo, quando roupas usadas são jogadas no lixo comum.

Além do impacto direto no acúmulo de resíduos sólidos, a moda também é uma das indústrias que mais consome recursos naturais. A produção de uma única calça jeans pode demandar cerca de 5 mil litros de água, segundo estudo da Water Footprint Network, além do uso de pesticidas no cultivo do algodão e produtos químicos em processos de tingimento e acabamento.

O problema vai além do lixo

Quando esses tecidos chegam aos lixões ou aterros, a decomposição dos materiais sintéticos, como poliéster e nylon, pode levar séculos. Além disso, liberam microplásticos que contaminam solos e oceanos, entrando na cadeia alimentar.

Alternativas em curso

Diante desse cenário, empresas e organizações têm buscado soluções inovadoras. A economia circular no setor têxtil já apresenta modelos como a reciclagem mecânica de fibras, a reutilização criativa (upcycling) e projetos de logística reversa para estimular o retorno das roupas usadas.

No Brasil, um exemplo é a EcoModas Soluções Sustentáveis, empresa sediada em Nova Friburgo (RJ), que há 15 anos atua transformando resíduos têxteis em produtos sustentáveis. A iniciativa já reaproveitou milhares de peças, incluindo uniformes empresariais em desuso, convertendo-os em bolsas, mochilas, estojos e outros.

Voz da transformação

Para Adriana Santos, fundadora da EcoModas, o resíduo têxtil precisa ser entendido como um recurso, não como um problema:

“Cada pedaço de tecido que é descartado carrega junto energia, água e trabalho humano. Quando reutilizamos e transformamos esse material em brindes sustentáveis corporativos, estamos preservando recursos naturais e mostrando que é possível unir moda, responsabilidade social e cuidado ambiental. A moda precisa deixar de ser descartável e passar a ser regenerativa.”

Polo de moda íntima de Nova Friburgo

Em meio a esse cenário, Nova Friburgo se destaca como um dos maiores polos de moda íntima do país, oficialmente reconhecida como Capital Nacional da Moda Íntima pela Lei nº 14.883/2024, sancionada em junho de 2024 (segundo publicação do Jornal O Dia, 2024).

De acordo com informações disponibilizadas pela Prefeitura de Nova Friburgo (2024), o município responde por cerca de 25% da produção nacional, fabricando aproximadamente 114 milhões de peças por ano nos segmentos de lingerie, praia, fitness e roupas de dormir, e gerando em torno de 28 mil postos de trabalho diretos e indiretos.

Grande parte dessa produção utiliza poliéster e poliamida, fibras sintéticas amplamente escolhidas pela elasticidade, secagem rápida, durabilidade e brilho. Mas essas mesmas características trazem sérios desafios ambientais: os sintéticos são derivados do petróleo, liberam microplásticos a cada lavagem e podem levar séculos para se decompor quando descartados inadequadamente.

O papel do consumidor

Embora as soluções industriais e empreendedoras sejam fundamentais, o papel do consumidor é decisivo. Prolongar o ciclo de vida das roupas, optar por peças de maior qualidade, apoiar marcas responsáveis e destinar corretamente peças em desuso são atitudes que contribuem para reduzir a pressão sobre o planeta.

O futuro da moda sustentável

Segundo a ONU, a indústria da moda é responsável por cerca de 10% das emissões globais de gases de efeito estufa. A tendência, portanto, é que cada vez mais empresas sejam cobradas a apresentar práticas sustentáveis, seja por legislações, seja por consumidores mais conscientes.

Saudações sustentáveis!

Tudo verde sempre!

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(Foto: Pixabay)
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Alex Santos tem dedicado seus esforços desde 2010 para disseminar a importância da sustentabilidade. Através de projetos inovadores busca catalisar uma mudança positiva no mundo, incentivando práticas mais responsáveis e ecologicamente conscientes.

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