O verde que nos molda e o futuro que nos cobra: Nova Friburgo aos 208 anos!

Alex Santos tem dedicado seus esforços desde 2010 para disseminar a importância da sustentabilidade. Através de projetos inovadores busca catalisar uma mudança positiva no mundo, incentivando práticas mais responsáveis e ecologicamente conscientes.

Alex Santos

Prosa Sustentável

Alex Santos tem dedicado seus esforços desde 2010 para disseminar a importância da sustentabilidade. Através de projetos inovadores busca catalisar uma mudança positiva no mundo, incentivando práticas mais responsáveis e ecologicamente conscientes.

terça-feira, 19 de maio de 2026
por Alex Santos

Opa! Tudo verde? Bora para mais uma prosa sustentável e, desta vez, em clima de “festa”.

Caminhar pelas ruas de Nova Friburgo nas primeiras horas da manhã é um exercício de conexão que transcende o visível. Há uma poesia silenciosa na forma como a bruma abraça o Pico da Caledônia, ou no som discreto dos nossos rios que cortam a história urbana, lembrando-nos, a cada segundo, de onde viemos. Neste mês, quando nossa cidade celebra 208 anos, o meu olhar de escritor e de eterno apaixonado por este chão não consegue se fixar apenas nas luzes da “festa”. Ele se volta para as nossas raízes, para o nosso relevo e, principalmente, para o horizonte que estamos desenhando para as próximas gerações.

Fui agraciado com o título de cidadão friburguense em 2017, e não tenho medo de pecar pelo excesso de afeto ao afirmar: Nova Friburgo é, sem sombra de dúvidas, uma das cidades mais bonitas do Brasil. Fomos abençoados por uma geografia generosa, cercados por montanhas imponentes que guardam o que resta de mais precioso da nossa Mata Atlântica. Nossas cachoeiras, nossas florestas e o nosso clima outonal privilegiado formam um mosaico de riqueza natural hipnotizante. Temos em nosso DNA territorial um potencial para o ecoturismo e para o turismo consciente que supera, com folga, o de dezenas de municípios brasileiros que hoje têm nessa atividade sua principal matriz econômica.

No entanto, a beleza que nos deslumbra também precisa nos despertar. Como cronista do cotidiano friburguense e estudioso das causas ambientais, sinto o dever ético de apontar a nossa maior contradição: estimo, com dor, que Nova Friburgo ainda aproveita menos de 30% desse potencial de ecoturismo avassalador. Estamos sentados sobre uma mina de ouro verde, mas insistimos em fechar os olhos para este cenário.

Faltam-nos investimentos públicos consistentes e de longo prazo em turismo sustentável. Falta-nos uma infraestrutura ecológica que permita ao visitante e ao morador desfrutar das nossas trilhas e parques com segurança, sinalização e manejo adequado. Acima de tudo, falta-nos colocar a educação ambiental no centro da mesa de discussões, transformando o respeito à natureza em um valor cultural indissociável do ser friburguense. O turismo do futuro não é o de massa, predatório e efêmero; é o de experiência, aquele que preserva enquanto encanta, que gera renda mantendo a floresta em pé. E, nesse quesito, ainda engatinhamos de forma tímida.

Essa subutilização do nosso potencial caminha de mãos dadas com dores urbanas que já não podemos mais varrer para debaixo do tapete. Celebrar 208 anos exige maturidade para encarar os nossos gargalos. Nova Friburgo ainda padece com uma gestão inadequada de resíduos sólidos. O descarte incorreto de lixo nas encostas e nas margens dos rios é uma ferida aberta que sangra a cada temporada de chuvas. Carecemos de políticas públicas ambientais que sejam eficientes, contínuas e imunes às trocas de governos. A ausência de ações estruturadas de sustentabilidade urbana drena a nossa qualidade de vida e sufoca o brilho da nossa joia serrana.

Paralelamente ao poder público, há outra engrenagem que precisa de uma profunda autocrítica: o nosso setor corporativo. Ainda assistimos a um cenário onde muitas empresas centralizam excessivamente seus lucros, operando sob uma lógica obsoleta de extrair o máximo do município e devolver o mínimo. Investir em ações sociais, adotar práticas de governança socioambiental (ESG) e patrocinar projetos comunitários não são atos de caridade; são investimentos na sobrevivência do próprio mercado consumidor e na saúde do território que as abriga.

Nova Friburgo só resiste e pulsa porque se tornou um solo fértil para movimentos independentes, projetos sociais apaixonados, educadores ambientais incansáveis e coletivos de cidadãos que se recusam a aceitar a inércia. São empreendedores conscientes que trocam o plástico pela compostagem, marcas que desenham campanhas solidárias para apoiar instituições históricas da nossa cidade, e pessoas anônimas que, nos finais de semana, sobem as montanhas para plantar árvores e recolher o lixo que outros deixaram.

Olhar para trás, para estes 208 anos de história, nos dá a dimensão do quanto fomos fortes para superar tragédias e nos reconstruir. Mas olhar para a frente nos impõe uma responsabilidade coletiva inadiável. Neste aniversário, o meu desejo e o meu chamado a você é para que façamos um pacto de amor ativo por esta cidade. Que cobremos os governantes, que exijamos das marcas uma postura ética e, fundamentalmente, que mudemos nossa postura no dia a dia. Nova Friburgo merece mais do que parabéns e discursos inflamados na praça e nas redes sociais. Viva a nossa terra, viva o nosso povo, e que o nosso futuro seja tão grandioso e verde quanto as montanhas que nos cercam.

Saudações sustentáveis! Tudo verde sempre

Foto da galeria
(Imagem criada por IA por Alex Santos)
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Alex Santos tem dedicado seus esforços desde 2010 para disseminar a importância da sustentabilidade. Através de projetos inovadores busca catalisar uma mudança positiva no mundo, incentivando práticas mais responsáveis e ecologicamente conscientes.

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