No teleférico, a transformação de garrafas descartadas em impacto social, ambiental e turístico

Alex Santos tem dedicado seus esforços desde 2010 para disseminar a importância da sustentabilidade. Através de projetos inovadores busca catalisar uma mudança positiva no mundo, incentivando práticas mais responsáveis e ecologicamente conscientes.

Alex Santos

Prosa Sustentável

Alex Santos tem dedicado seus esforços desde 2010 para disseminar a importância da sustentabilidade. Através de projetos inovadores busca catalisar uma mudança positiva no mundo, incentivando práticas mais responsáveis e ecologicamente conscientes.

terça-feira, 11 de novembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Opa! Tudo verde?

Bora pra mais uma prosa sustentável!

Quando nos instalamos no alto do teleférico de Nova Friburgo, algo nos inquietava: a quantidade de garrafas plásticas de água mineral descartadas irregularmente nas matas da encosta. Não era apenas um incômodo visual. Era um alerta ambiental e também um risco ao turismo — uma das principais vocações econômica da nossa cidade.

Ali, percebi que não bastava ocupar aquele espaço com uma loja de moda e produtos sustentáveis. Precisávamos fazer parte da solução. Foi assim que nasceu a ideia do nosso primeiro coletor de PET, instalado no primeiro estágio do teleférico, bem próximo da EcoModas.

O lixo que virou oportunidade

Hoje, esse coletor recebe em média 500 garrafas por mês, cerca de seis mil unidades por ano. Pode parecer pouco diante dos desafios do plástico no Brasil — onde cada pessoa gera, em média, 64 quilos de resíduos plásticos por ano — mas para o ecossistema local, a diferença é enorme.

A iniciativa, alinhada ao turismo sustentável, desviou essas garrafas do aterro sanitário e das trilhas do morro do teleférico. O impacto é triplo: ambiental, por evitar poluição; social, por envolver os visitantes nos cuidados com o território; e econômico, ao valorizar a cadeia da reciclagem.

O recolhimento das garrafas é feito através de um prestador de serviços que é um pequeno empreendedor da nossa região, que gera renda com a venda de PET para a indústria de reciclagem. É com ele, inclusive, que também compramos caixas de papelão reutilizadas para embarcar nossos produtos até o endereço dos clientes corporativos. Na prática: o que era lixo se tornou trabalho, renda e economia circular local.

O impacto em números

Para medir nosso avanço, adotamos uma referência operacional:

  • 1 garrafa PET (500 ml): 12 g
  • 6.000 garrafas = 72 kg de PET (0,072 tonelada)
  • Cada 1 kg de PET produzido emite cerca de 2,5 kg de CO₂e

Isso significa que, só no primeiro ano do coletor, evitamos aproximadamente 180 quilos de CO₂e na atmosfera. Para ficar mais claro: é como tirar um carro a gasolina circulando por 1.500 quilômetros das ruas.

Mais que reciclagem, consciência turística

No entanto, o resultado mais transformador não cabe em gráficos, está no comportamento das pessoas. Quando um turista segura sua garrafa, olha para o coletor e a descarta corretamente, ali acontece uma virada silenciosa. Ele entende que faz parte da preservação do destino que está visitando. E isso é poderoso!

Somos uma cidade turística. E o turismo é sensível, ou seja, lixo visível afasta visitantes, mancha a reputação do destino, reduz tempo de permanência e impacta diretamente quem vive dessa cadeia — do artesão ao hoteleiro, do guia ao comerciante. Por outro lado, quando o turista percebe cuidado, pertencimento e responsabilidade, ele respeita, consome, volta e recomenda.

Uma sala de aula a céu aberto

Aproveitamos o fluxo de visitantes do teleférico para ir além da coleta: fazemos educação ambiental de maneira envolvente. Recebemos escolas, famílias e viajantes, e temos cinco hotéis da cidade que indicam a sede da EcoModas como um mais um atrativo turístico de experiências. Aqui, apresentamos alternativas ecológicas para alguns tipos de resíduos, mostrando a economia circular acontecendo ao vivo — de forma prática e inspiradora. Provamos que impacto positivo não precisa ficar nas páginas dos livros, pode ser vivido na montanha, em cada visita e em cada passeio consciente. Eu sempre digo que não estamos recolhendo garrafas, estamos semeando conceitos e transformando descarte em oportunidades de transformação de mentalidades.

Para onde vamos agora

Nosso próximo passo é expandir a iniciativa, instalando dez coletores em pontos estratégicos da cidade. Cada coletor tem um custo médio de R$ 700 para fabricação e instalação, além das etapas de autorização junto ao poder público municipal que, inclusive, poderia estimular esta ação oferecendo incentivos — por exemplo, abatimento no alvará ou em tributos municipais — que nos permitiria converter esse valor em ações socioambientais imediatas. Todos ganhariam: a cidade fica mais limpa, a economia gira com a cadeia da reciclagem, mais pessoas são beneficiadas e Nova Friburgo se posiciona como um destino de turismo sustentável e inovador no Brasil.

E, como diz um velho ditado popular, sonhar não custa nada. A diferença é que, neste caso, o sonho já começou a acontecer pelas nossas próprias ações — e pode crescer muito mais com os parceiros certos.

O que realmente estamos construindo

No fim, o coletor é só o começo. O que estamos construindo é uma equação.

✅ O turista, que desfruta de um lugar mais cuidado;
✅ A natureza, que respira com menos lixo;
✅ O trabalhador local, que gera renda;
✅ A cidade, que fortalece sua imagem e sua economia;
✅ E o futuro, que recebe um pouco mais do nosso compromisso do que da nossa culpa.

Na EcoModas, no alto do teleférico, aprendemos que sustentabilidade não é sobre perfeição. É sobre decisão. E a nossa, todos os dias, é estar do lado certo da mudança.

Saudações sustentáveis! Tudo verde sempre!

Foto da galeria
(Foto: Divulgação)
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Prosa Sustentável

Alex Santos tem dedicado seus esforços desde 2010 para disseminar a importância da sustentabilidade. Através de projetos inovadores busca catalisar uma mudança positiva no mundo, incentivando práticas mais responsáveis e ecologicamente conscientes.

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