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Onça Parda, a Suçuarana sob nossos cuidados

Bernardo Furrer
Nosso Meio Ambiente
Bernardo Furrer é médico, ambientalista, cidadão honorário de Nova Friburgo, presidente da APN (RPPNs do Estado), membro do Conselho Consultivo da APA Macaé de Cima, da CNRPPN e do Conselho Municipal do Meio Ambiente de Nova Friburgo. Escreve aos sábados.
Em março passado, outro friburguense virou notícia nas páginas dos jornais e nas redes sociais: um Puma concolor conhecido como Onça Parda ou Suçuarana, que foi flagrado no Parque Estadual dos Três Picos vizinho da APA (Área de Proteção Ambiental) de Macaé de Cima. Não é a primeira vez que ocorre o registro de uma onça naquele parque, mas a novidade é que o vídeo mostra o animal numa atitude de demarcação de território indicando sua intenção de permanência na região. Não estava só de passagem, o que configura um indicador de adaptação ao território. Esse registro foi possível por diversos fatores conjugados, e vale a pena vermos quais são.
O Território: Parque dos Três Picos
Inicialmente, e antes de tudo, o território tem que estar preservado em caráter integral. Não falamos da preservação de um pequeno território, um pequeno fragmento. Falamos de áreas de grandes dimensões e seu entorno. Para uma onça parda, por exemplo, há necessidade de um território preservado da ordem de cerca de 300 km2 (imaginemos um retângulo de 20 km x 15 km) para cada espécime, para cada onça, e as áreas preservadas, no caso de serem fragmentos de matas, devem estar conectadas para sua viabilidade como habitat.
É um animal de características solitárias sendo encontrado em geral apenas indivíduos isolados ou uma mãe com seus filhotes. Já a Onça Pintada, a Panthera onca é mais exigente, necessitando áreas ainda maiores com fragmentos de mais de 500 km2, explicando sua raridade. Para termos uma ideia, o Parque dos Três Picos tem cerca de 652 km2.
O Órgão ambiental: INEA
Outro fator fundamental é a atuação do órgão ambiental, no caso, o Instituto Estadual do Ambiente, o Inea. Ele foi criado em 2008 para executar e fiscalizar as políticas públicas do meio ambiente no Estado do Rio e entre outras atividades fazer a gestão das Unidades de Conservação estaduais como o Parque dos Três Picos. É fundamental uma boa gestão, que zele pela preservação da sua flora, fauna, de seus atrativos naturais e preservar a integridade de seu território.
O Registro das imagens: Projeto Aventura Animal
Mesmo com os cuidados permanentes dos gestores do Parque e com a presença da Suçuarana no local, como saberíamos da sua existência se não estivermos lá e em condições ideais? Felizmente, graças ao admirável trabalho de Juran Santos e seu “Projeto Aventura Animal”, com canais no YouTube https://www.youtube.com/@JuranSantosAventuraAnimal e Instagram @aventuraanimaloficial, temos a oportunidade de observar bem “de perto” esses animais em momentos raros de serem vistos.
Para isso o seu Projeto utiliza as chamadas “câmeras-armadilha”, colocadas em locais estratégicos, que necessitam de monitoramento permanente, às vezes em locais de muito difícil acesso. Juran Santos se encantou com a fotografia ambiental e a convivência com os animais silvestres desde a sua infância, e é quem registra quase todas as imagens que tem impactado não só os friburguenses, mas milhares de pessoas no Estado, no Brasil e no exterior.
É um trabalho muito reconhecido e valorizado por todos que tem apreço à manutenção da vida silvestre e que entendem a importância da fauna em seu habitat natural. Juran Santos trabalha em parceria com o Inea no Parque dos Três Picos e em outras Unidades de Conservação como as RPPNs.
A Sociedade: Todos nós
E de que valeria o registro se ninguém assistisse os vídeos e fotos gravados e reconhecesse o seu valor? Temos então outro fator determinante para o sucesso da preservação ambiental. O público interessado, curioso, fascinado, leigo ou não, mas estimulado, envolvido e aprendendo com os dados científicos obtidos com essas fascinantes imagens.
O público que ao tomar conhecimento da existência desses vizinhos no seu habitat natural cobra dos governantes a devida proteção desses verdadeiros santuários da vida silvestre nas Unidades de Conservação, como as RPPNs, os Parques, as Áreas de Proteção Ambiental, os Refúgios da Vida Silvestre, etc., combatendo a especulação imobiliária e a ganância que corroem pelas bordas e por dentro esses territórios sagrados para a manutenção da vida e da biodiversidade.
O Projeto Aventura Animal, ao trazer ao conhecimento público a fauna que habita nossas florestas, colabora de forma inestimável para garantir sua sobrevivência. Ao contrário dos receios dos que temem a divulgação das imagens dos vídeos registrados, que poderiam estimular atividades criminosas como a caça, entendemos que a garantia da vida desses animais se dará pela sua defesa por parte da população, que sensibilizada pela beleza e emoção gerada pelas imagens, cobrará dos seus representantes nas instituições públicas e órgãos governamentais como prefeitura e Câmara de Vereadores, as ações visando sua proteção. Quando conhecemos, protegemos.
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Bernardo Furrer é médico, ambientalista, cidadão honorário de Nova Friburgo, presidente da APN (RPPNs do Estado), membro do Conselho Consultivo da APA Macaé de Cima, da CNRPPN e do Conselho Municipal do Meio Ambiente de Nova Friburgo. Escreve aos sábados.
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