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A poesia concreta

Tereza Cristina Malcher Campitelli
Momentos Literários
Tereza Malcher é mestre em educação pela PUC-Rio, escritora de livros infantojuvenis e ganhadora, em 2014, do Prêmio OFF Flip de Literatura.
Nesta quinta-feira ensolarada, quando a tarde nos convida a dar uma volta, pegar uma flor para colocar na mesa ou tomar um sorvete na praça, preferi assistir à aula ministrada pela professora Fabiana Corrêa sobre poesia concreta, no “Grupo de Leitura e Escrita de Poesia”. Por diversas vezes tive contato com esse estilo poético, mas nunca havia percebido sua criatividade e sutileza. É uma poesia que se espalha pelo papel, escolhendo, brincando e mexendo com as palavras para, num só poema, tocar no fundo de questões fundamentais ao dia a dia. À loucura que estamos vivendo.
Depois da aula, me enchendo de inspiração para escrever em prosa esta coluna, no estilo que sei, vou andando pela casa, reparando os detalhes dos quadros e dos móveis, admirando as cores da madeira da parede e, repentinamente, começo a perceber que tudo poderia se transformar em poemas concretos. Não são superficiais. Não! São carregados de sentido, história e afeto. Todas as coisas falam sem rimas ou métrica, mas com pulsações. Cada momento de vida traz a síntese da nossa energia vital. Nada é por acaso.
É uma poesia que revela como cada pessoa não é certa nem tem certezas. Tem inversos e reversos. Está em busca de algo. Felicidade? Mas o que é felicidade?
!! !! !! ... ? ... ! ... ?! ?! ?! ?! ?! ?! ?! ?! ?! ?! ?! ?! ?! ?! ?! ?! ?! ??
(Será que é assim que a gente se pergunta?)
Pode ser que a felicidade seja uma utopia em sintonia com nossos sonhos. Devaneios? Pois bem, a vontade de ser feliz é o que mais se escuta por aí, é expressa nos jeitos, no tom de voz e modos de olhar. Como também nas composições de músicas, pinturas de quadros, até no poetar.
A poesia concreta não precisa de nada mais do que repetir a palavra felicidade numa página inteira ou
Felicidade????? feliz por ser
Se a felicidade suspira suspiro breve
aspiração eterna ser para ser feliz um dia
um instante quem sabe
Apenas uma só palavra, se escrita ou desenhada, se separada ou repetida, diz tantas coisas. Basta um relance de olhar; num piscar de olhos é possível perceber a verdade, que é:
revelada sempre, sem pre, pré. Nunca mente.
Pode se esconder por um tempo!
Mas, de repente, é dita, é vista, é sentida, é... É
Precisa ser anunciada!?
Não sou poeta, mas me atrevi a sê-lo por estar encantada com esse estilo poético. Estou me aventurando a fugir da prosa porque na poesia concreta basta uma palavra escrita pelo avesso, uma frase solta ou uma brincadeira com letras para dizer tudo, tudinho.
Par A bom entendedor, só meia palavra
só meia
Só uma basta!
A poesia concreta é um movimento internacional, de cunho artístico e literário, que surgiu nos anos 50 e se enraizou nos países da Europa e no Brasil, onde se utilizou de diversas formas de sonorização e visualização da palavra, concebendo-a como um projeto gráfico (verbivocovisualidade). Os seus expoentes foram Augusto de Campos, Haroldo de Campos e Décio Pignatari. Em 1956 lançaram o “Manifesto da Poesia Concreta”, que revolucionou a forma de fazer poesia, rompendo com a estrutura linear do verso tradicional.
Eis alguns exemplos que acredito que todos conheçam:
“Beba Coca-Cola”, 1957 (Décio Pignatari)

Até a semana que vem!!!!! Virá de mansinho!!!!!! Não deixará de vir!!!

Tereza Cristina Malcher Campitelli
Momentos Literários
Tereza Malcher é mestre em educação pela PUC-Rio, escritora de livros infantojuvenis e ganhadora, em 2014, do Prêmio OFF Flip de Literatura.
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