Terras Frias, uma vinícola em Nova Friburgo

Max Wolosker

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Economia, saúde, política, turismo, cultura, futebol. Essa é a miscelânea da coluna semanal de Max Wolosker, médico e jornalista, sobre tudo e sobre todos, doa a quem doer.

quarta-feira, 26 de novembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Sábado, 22 de novembro, fiz um programa diferente ao visitar a vinícola Terras Frias. Ela está situada no distrito de Campo do Coelho, tendo como ponto de referência o apiário Amigos da Terra, na estrada Friburgo-Teresópolis. É uma empresa familiar típica, cujo idealizador foi André Guedes, mestre queijeiro. Também professor da Associação Brasileira de Sommeliers (ABS) há mais de 20 anos, ele começou a se interessar pelo mundo dos vinhos por meio das harmonizações com queijos. Daí a fundar sua própria vinícola, foi questão de tempo.     

 Antes de prosseguirmos é preciso responder uma pergunta que, talvez, você leitor, esteja fazendo. Como é possível colher uvas prontas para o processo de fermentação, na região sudeste, onde o verão é muito quente e com muitas chuvas, o que praticamente impossibilita a produção de frutos sadios e equilibrados? Esse contratempo foi resolvido com o processo da dupla poda, que é usado na vinícola friburguense. Na realidade, trata-se de uma inversão do ciclo da videira, fazendo-se duas podas por anos e transferindo-se, assim, a colheita do verão para o inverno. É uma estação pouco chuvosa e que oferece uma grande amplitude de temperatura, com noites frias, mas manhãs quentes e ensolaradas. Além disso, o risco de doenças fúngicas e outras pragas é praticamente nulo no período seco, que coincide com a maturação e a colheita.      

 Os vinhedos ocupam uma área de 35 mil metros quadrados e estão situados a 1,1 mil metros de altitude. O terreno foi preparado em 2017 e, dois anos depois, foi plantada a primeira casta, a Cabernet Franc; no momento, são 5 os tipos de uvas — a já citada, a Pinot Noir, a Chardonnay, a Sauvignon Blanc e a Sarah.  O vinho produzido, atualmente, vem das castas Cabernet Franc, Pinot Noir e Chardonnay.

A primeira colheita aconteceu em 2021, do tipo Cabernet Franc; nesse mesmo ano começou a produção da uva Pinot Noir e da Chardonnay, finalizando esse trio de peso que compõe a vinícola. A Terras Frias disponibiliza visitas aos sábados e domingos, mediante marcação prévia, pois o número de visitantes é limitado. A explicação para apenas esses dias é que por ser uma empresa familiar, durante a semana, todos, em suas respectivas áreas, estão ocupados e os portões estão sempre fechados.

Mas, vale a pena conhecer o local, pois além de muito bonito e bem cuidado, aprende-se muito sobre o plantio das mudas e a produção dos vinhos. Faz parte da programação a recepção, com algumas explicações preliminares como o porquê do nome Terras Frias, num distrito que se chama Campo do Coelho. Na realidade, o primeiro nome foi dado pelos colonos suíços que chegaram em Nova Friburgo, em 1819 e foram encaminhados para aquela localidade. Posteriormente, pelo decreto de nº 641 de 15 de dezembro de 1938, passou a ser conhecido como Campo do Coelho. De acordo com antigos moradores, esse nome foi dado em homenagem a uma tradicional família da localidade, de nome Coelho. Eram possuidores de terras onde os viajantes paravam para descansar e depois seguir viagem, daí o nome Campo do Sr. Coelho.
   Em seguida, os visitantes são levados aos vinhedos, onde o agrônomo Arthur, responsável por toda a área verde e dos vinhedos, genro do André, dá as explicações sobre o preparo do terreno, o plantio, a manutenção das videiras, o processo de dupla poda e a colheita das uvas. O trajeto até eles é motorizado, por ser muito íngreme. Na volta, são recebidos pela Nayara, filha mais velha do André e esposa do Arthur, que é engenheira de produção com especialização em segurança dos alimentos. Ela é a responsável técnica pela vinícola e que fornece as explicações sobre o processo de fabricação do vinho e de sua estocagem, numa cave com temperatura assistida, onde os vinhos “descansam” até a sua comercialização. Esse processo pode variar de meses ou anos, dependendo do tipo da uva.          

O momento mais esperado é o da degustação, a cargo do André. São quatro os vinhos oferecidos, todos secos, um branco, o Chardonnay, um rosé, o Pinot Noir, e dois tintos, um Pinot Noir e um Cabernet Franc, acompanhados de uma tábua de queijos, fabricados numa pequena queijaria da própria vinícola: Montanhês Rouge (com vinho), Camembert Trufado, Expresso (com café), e Caledônia (queijo azul recheado com queijo cremoso). Entra aí o processo de harmonização ou compatibilização, com a explicação do que cada tipo de vinho pede e o porquê. Como o André é um queijeiro por excelência, a explicação é bem fácil de ser assimilada.                  Ao final temos a venda para quem assim o desejar, das garrafas de vinho e dos queijos produzidas pela vinícola.

Em geral, uma empresa tem um setor responsável pela divulgação e marketing para a comunicação das suas atividades. Na vinícola Terras Frias é responsabilidade da Mylena, filha mais nova do André, e formada em jornalismo com especialização em Marketing.            

A visita foi muito importante por mostrar que Friburgo, aos poucos, entra no fascinante mundo da produção de vinhos, ainda que com uma produção pequena, mas em crescimento e me fez repensar o gosto pelo vinho nacional. Eu, de maneira geral, os evito por serem muito ácidos, o que faz a diferença dos vinhos Terras Frias que têm um gosto mais alcalino, o que os torna muito mais agradável ao paladar.

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