Notícias de Nova Friburgo e Região Serrana
Oitenta e um anos de informação séria e de qualidade

Max Wolosker
Max Wolosker
Economia, saúde, política, turismo, cultura, futebol. Essa é a miscelânea da coluna semanal de Max Wolosker, médico e jornalista, sobre tudo e sobre todos, doa a quem doer.
Na terça feira, dia 07/04/2026, o jornal A Voz da Serra completou oitenta e um anos de existência. Fundado por Américo Ventura Filho, a princípio como um jornal de divulgação do partido político PSD, era um concorrente do A Paz, representante da UDN e do O Nova Friburgo, do PTB, os mais importantes partidos políticos da cidade e que a cada quatro anos disputavam as eleições municipais. Mas, a preocupação de Américo Ventura era também a de informar a população friburguense dos acontecimentos da época, na cidade e municípios limítrofes de Friburgo. Claro que o que acontecia de importante no Brasil ou no mundo, também virava notícia no jornal. No entanto, o que chama mais a atenção é que de todos os jornais que já tivemos por aqui, somente o A Voz da Serra permanece em atividade, até os dias de hoje.
Em 23/02/1973, morre Américo Ventura e assume a direção do jornal, seu filho Laércio Rangel Ventura. Começava, então, uma nova época em que a nova direção emprestava ao periódico a sua marca pessoal e a sua maneira de encarar o jornalismo regional. Ao longo dos 40 anos em que esteve à frente da Voz da Serra, Laércio foi responsável pela modernização da empresa, com a contratação de mais profissionais e aquisição de equipamentos. Foi durante a sua gestão que a publicação deixou de ser semanal para se tornar trissemanal em 1983 e diária a partir de 1995; também sob sua liderança, o jornal foi uma das primeiras publicações fluminenses a ganhar sua versão online, em 1997.
Esteve intimamente ligado à vida cultural da cidade e muitos dos que hoje militam nos meios de comunicação ou em outros ramos da atividade humana, em Friburgo ou fora daqui, tiveram a ajuda dele, no início de suas respectivas carreiras.
Me lembro, que em 2023, já pensando numa futura aposentadoria da medicina, entrei para a faculdade de Comunicação Social da Universidade Cândido Mendes, onde fiz a opção pelo jornalismo. Dois anos depois, chegou o momento de escolher um veículo da mídia, para o estágio obrigatório do currículo da faculdade. Laércio era além de amigo, meu paciente no consultório e não tive nenhum constrangimento em procurá-lo e pedir ajuda. Prontamente, entrou em contato com a Cândido Mendes, inscreveu o jornal na grade para receber estagiários da instituição e, me recebeu de braços abertos, me incumbindo de escrever uma coluna semanal para o jornal. E tem mais, a minha dissertação de conclusão do curso foi complicada, pois versava sobre a fundação da, na época, Rádio Sociedade de Friburgo, ZYE-4, em 01/06/1946, com o título “Rádio Sociedade de Friburgo, a mídia falada chega em Friburgo”. E se não fosse Laércio, eu teria desistido e procurado outro tema. Não existia nenhum relato escrito sobre a saga que foi ter a ideia, desenvolvê-la e, finalmente, colocar a rádio no ar. E foi ele, que me indicou as pessoas certas a serem entrevistadas e me darem as informações que eu precisava, para desenvolver o meu trabalho. Eu me formei em 2007 e me tornei colaborador do jornal, onde permaneço até hoje, lá se vão vinte e um anos. Não fosse o A Voz da Serra, eu teria tido um diploma universitário que, ao contrário do meu de médico, não teria tido valor nenhum.
Infelizmente, no dia 03/02/2013, Friburgo recebeu a triste notícia de que o diretor-presidente do A Voz da Serra tinha falecido. O jornal perdia seu grande líder, após quarenta anos de um contato direto com funcionários, leitores, amigos e a cidade de Nova Friburgo. A pergunta que muitos se fizeram foi: e agora, o que será do jornal?
Mas, a veia jornalística estava implantada na família Ventura, desde Américo, e foi sua neta, Adriana que teve a missão de assumir a direção do periódico e continuar o trabalho executado por seu pai. Como dizia Oscar Pires, quando o jornal completou oitenta anos “pelo jeito, parece que Adriana Ventura carrega com ela um lema forte: Desejar, sempre. Fraquejar, jamais. Desistir, nunca.” E nesses treze anos de ausência de seu pai, coube a ela a missão de manter o jornal ativo, publicado diariamente, mantendo o seu papel de informar, divulgar e manter viva uma empreitada que se torna cada vez mais difícil. A internet é uma concorrente importante, as pessoas hoje, infelizmente, têm preguiça de ler e a dificuldade de colocar o jornal nas bancas todos os dias é um trabalho hercúleo, que requer disposição e perseverança.
Lógico que isso rendeu frutos e em 2022, ela foi agraciada com a Medalha do Mérito Industrial, em cerimônia realizada na sede da FIRJAN (Federação das Indústrias do Estado do Rio de janeiro). É importante ressaltar que nessa caminhada de três gerações, agora é uma mulher que está na direção do jornal.
Lá se vão oitenta e um anos de fundação de uma empresa de comunicação, que prestou, presta e ainda vai continuar prestando um serviço muito importante à cidade de Nova Friburgo, divulgando, promovendo, criticando (no bom sentido) o que acontece no dia a dia da cidade. Muitos já passaram por sua redação, deram a sua contribuição e tenho certeza de que são gratos pela projeção que o jornal lhes deu. Aliás, essa é a função de um jornal.
Parabéns ao jornal A Voz da Serra, a sua diretora-presidente, aos seus funcionários e colaboradores e, a você nosso leitor, que continua a acreditar na seriedade do jornal.

Max Wolosker
Max Wolosker
Economia, saúde, política, turismo, cultura, futebol. Essa é a miscelânea da coluna semanal de Max Wolosker, médico e jornalista, sobre tudo e sobre todos, doa a quem doer.
A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

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