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O ano, no Brasil, parece que vai começar

Max Wolosker
Max Wolosker
Economia, saúde, política, turismo, cultura, futebol. Essa é a miscelânea da coluna semanal de Max Wolosker, médico e jornalista, sobre tudo e sobre todos, doa a quem doer.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026
por Max Wolosker
É claro que não podemos nos esquecer da Semana Santa, que será celebrada daqui a pouco menos de 40 dias. Ou seja, como bem diz o nosso hino, “Deitado eternamente em berço esplêndido”. A partir de 22 de dezembro, ante véspera do Natal até o dia 1º do ano seguinte é só comemorações, aí emenda-se com as férias escolares e de muitos adultos, claro, é verão no hemisfério sul e as altas temperaturas são um convite para uma esticada nas praias do litoral ou, nos rios e lagos das montanhas. Só que em 2026 o carnaval chegou mais cedo, em meados de fevereiro, o que prolongou o famoso “niente far niente”, ainda mais que o mês é mais curto.
Estradas cheias, cuidado redobrado, pois essa época do ano é muito complicada. Como faço todos os anos, não passo as festas de Momo em Friburgo e optei por Monte Verde, no sul de Minas Gerais, na realidade a verdadeira Suíça Brasileira. Uma das cidades mais altas do Brasil, a 1.680 metros de altitude, em plena Serra da Mantiqueira. Na realidade trata-se de um distrito, cuja sede (município) é Camanducaia. Fica a 634 quilômetros de Friburgo o que me obrigou a dividir a viagem em duas etapas.
Pegamos a Dutra, na quinta feira e pernoitamos em Lorena, já em São Paulo. Se em dias normais, a circulação na rodovia mais importante do Brasil, com a gama de caminhões que por ali trafega já requer atenção redobrada, imagine-se na ante véspera do Carnaval, uma loucura. De Lorena até nosso destino, a melhor saída foi pegar a rodovia Fernão Dias, que liga São Paulo a Belo Horizonte-MG, também com um trânsito intenso. Chegamos na sexta feira, um pouco depois do almoço, para o nosso repouso momesco.
Monte Verde tem, no máximo, seis mil habitantes, com uma temperatura que lembra muito Friburgo nessa época, sendo que durante o dia gira em torno de 25 graus e à noite cerca de 14 graus. Já no inverno o bicho pega, atingindo zero grau ou menos, com facilidade, sendo que é comum, pela manhã geada e pequenas coleções de água com uma fina camada de gelo. Tanto que a época mais importante para o turismo local, é o inverno. Nesse ponto se assemelha muito a Campos do Jordão, que fica o outro lado da serra, mas essa cidade está no Estado de São Paulo.
Para quem quer fugir dos dias agitados das comemorações carnavalescas, é o local ideal, pois só temos consciência de ser carnaval por causa dos bailes infantis. A Avenida Monte Verde, a principal da cidade, fica cheia à tarde e à noite, pois é onde se concentram bares, restaurantes e o comércio local. E a gastronomia é variada, com a tradicional comida mineira, além da alemã e italiana. Desde a sua fundação, ela teve um grande afluxo de imigrantes oriundos da Hungria, Suíça, Alemanha, Rússia e Itália, sem falar de mineiros e paulistas, o que lhe dá um toque europeu nos tipos de construções e no trato com as pessoas, no seu dia a dia.
Pela manhã, o ideal são as caminhadas e visitas aos parques, que mantém o turista em pleno contato com a natureza e ajuda a desgastar as guloseimas comidas na véspera. Vale a pena uma visita ao Parque Oschim, uma área de 50 mil metros quadrados, com várias araucárias (arvore típica da região), lhamas, avestruzes, além de córregos e uma pequena queda d´água. No outro extremo da cidade fica o parque Villa leta, esse com cerca de 20 mil metros quadrados, cuja característica é uma imitação perfeita de um barco usados pelos vikings.
Fora isso pode-se visitar o pinheiro mais antigo da cidade, com cerca de 500 anos, e a trilha da pedra redonda de onde se tem uma visão de 360 graus de toda região da serra, do alto de seus quase dois mil metros de altitude. Outra trilha, também com uma vista exuberante a da pedra partida. Ambas têm uma caminhada de cerca de dois quilômetros, mas numa trilha sem muitas dificuldades.
Agora, para quem gosta de fondue, Monte Verde é um prato feito, com vários estabelecimentos oferecendo rodízios do delicioso prato suíço, popularizado pelos franceses. Uma curiosidade que merece ser comentada é a respeito da Casa do ApfelStrudel, famosa na região, com uma característica, desde às 16h até 21h, sai uma fornada de hora em hora. A guloseima é muito saborosa, mas a servida no restaurante Burgermeister, de Friburgo é muito melhor. Pelo menos foi o que eu e a minha esposa achamos.
Ao retornar soube que a Vilage do Samba foi a grande campeã do desfile do carnaval, com um enredo sobre o candomblé, uma homenagem às raízes afro-brasileiras. É o seu quarto título consecutivo, de um total de 30, ao longo da sua história. Parabéns aos componentes dessa vitoriosa escola de samba friburguense.
E que o Brasil, finalmente, comece o ano de 2026, aliás um ano muito importante para a política nacional.
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Max Wolosker
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