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O 171 americano está desgraçando o Botafogo

Max Wolosker
Max Wolosker
Economia, saúde, política, turismo, cultura, futebol. Essa é a miscelânea da coluna semanal de Max Wolosker, médico e jornalista, sobre tudo e sobre todos, doa a quem doer.
O artigo 171 do Código Civil trata do crime de estelionato, que se configura quando alguém, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento, induz ou mantém alguém em erro, com o objetivo de obter para si ou para outrem vantagem ilícita, em prejuízo alheio. Em termos mais simples, o estelionato é o ato de enganar alguém para obter algo de valor de forma desonesta.
Essa é a opinião formada por muitos torcedores do Botafogo, para explicar a desastrosa atuação do presidente da SAF alvinegra, John Textor, que em pouco mais de quatro anos, já que ela foi criada em 2022, coincidindo com a volta do alvinegro da Rua General Severiano, à elite do futebol brasileiro, levou os torcedores da glória à loucura. Em 2023, o clube nadou e nadou, durante no Campeonato Brasileiro, mas morreu na praia, pois depois de liderar a competição por um bom tempo. Acabou chegando em quinto lugar. No entanto, essa classificação lhe deu o direito de disputar a pré-Libertadores do ano seguinte.
Veio, então, o ano mágico de 2024, onde o time com algumas contratações pontuais, passou a sobrar em relação aos seus adversários, e conquistou os dois mais importantes torneios da temporada, o Campeonato Brasileiro de Clubes e a Libertadores da América. Dava gosto ver aquele time jogar com atletas do quilate de um Luís Henrique, Igor Jesus, Marlon Freitas, Almada, Alexandre Barboza e Bastos, entre outros. Por culpa da CBF, a participação no mundial de clubes daquele ano foi pífia, pois dois dias após a conquista do brasileirão, em 11 de dezembro, o Fogão tinha seu primeiro compromisso, quando foi derrotado pelo Pachuca do México por 3 a 0 e deu adeus à competição, após uma viagem internacional de mais de 15 horas.
Mas, o ano de 2025 mal começara e os desmandos de John Textor começaram. De uma só canetada perdeu seu técnico vencedor, o português Arthur Jorge e 14 jogadores, entre titulares e reservas imediatos, de uma só vez. Ou seja, o novo técnico teria de começar do zero, para remontar um time vencedor. Só que Textor, de futebol não entende nada e demorou mais de dois meses para contratar um novo “professor”. Foram quatro, Arthur Jorge que saiu em janeiro, Renato Paiva que só começou a trabalhar em março, Davide Ancelotti, sem nenhuma experiência, o Botafogo foi o primeiro time profissional que ele treinou, mas que durou até dezembro, quando pediu demissão por não concordar com algumas atitudes da diretoria de futebol. Com a saída de Ancelotinho veio o argentino Martin Anselmi, com resultados catastróficos até agora.
O resultado dessa atuação, que na realidade era para Textor recuperar o dinheiro que investira, sem se preocupar com os destinos do glorioso, não tardaram a aparecer. Terminou o Brasileirão de 2025 em sexto lugar e se despediu da Libertadores nas quartas de final, eliminado que foi pela LDU do Equador. No cariocão nem classificado foi, para as finais, contentando-se em disputar a Taça Rio, com os times do quinto ao oitavo lugar. Perdeu também a Recopa (disputa entre os campeões da Libertadores e da Sul-Americana do ano anterior (2024) e a Supercopa (disputa entre os campeões do Brasileirão e da Taça Brasil).
Mas, Textor começou a enfrentar problemas com a Eagle, responsável pelo Botafogo no modelo de Sociedade Anônima do Futebol, onde os demais acionistas dessa holding, querem o seu afastamento. Além disso, os problemas com o Lyon, clube da primeira divisão francesa, também pertencente à Eagle, levaram ao seu afastamento. Tudo isso se refletiu no departamento de futebol do alvinegro, que apesar de contratar novos jogadores, enfrentou um transfer-ban imposto pela Fifa, como punição ao clube por não ter cumprido um compromisso financeiro, quando da aquisição do jogador argentino Thiago Almada.
Quando o transfer-ban foi finalmente suspenso, o time já tinha sido eliminado do Carioca de 2026 e caiu frente o Barcelona de Guaiaquil, na terceira fase da Libertadores, não conseguindo a classificação para a fase de grupos. No Brasileirão ocupa a vice lanterna da competição. Na realidade, Textor enganou a torcida com um grande time em 2024 e desmanchou o time no ano seguinte e não se ganhou mais nada, retornando-se ao desempenho pífio da era pré SAF.
Para complicar mais ainda a vida do Botafogo e deixar a torcida mais preocupada, os próximos compromissos são o Palmeiras nesta quarta-feira, 18, Bragantino, no próximo sábado, 21 e Atlético Paranaense, dia 29, todos fora do Rio de Janeiro. Haja coração.

Max Wolosker
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