Nova Friburgo se degrada a olhos vistos

Max Wolosker

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Economia, saúde, política, turismo, cultura, futebol. Essa é a miscelânea da coluna semanal de Max Wolosker, médico e jornalista, sobre tudo e sobre todos, doa a quem doer.

quarta-feira, 15 de abril de 2026
por Max Wolosker

Na década de 1860, no século 19, a Baía de Guanabara deveria ser linda, pouco poluída, com um mar azul cristalino e muitas ilhas no seu interior. Existia um conjunto de ilhas, cuja maior com o nome de Sapucaia foi escolhida, a partir de 1865 para ser o vazadouro de lixo da cidade do Rio de Janeiro, o que degradou em muito o local. Em 1949 essas ilhas foram interligadas por um aterro, dando origem a atual Ilha do Fundão, para abrigar a cidade universitária, da então Universidade do Brasil. Com isso, um lugar degradado deu origem a um excelente local de formação universitária para os jovens do Rio de Janeiro e do Brasil

Infelizmente, Nova Friburgo está tomando esse rumo, o da degradação, em função do descaso que a cidade vem recebendo a partir da entrada, em cena, de prefeitos despreparados, desconhecendo a história e a importância que essa cidade já teve, desde a sua fundação até o final da década de 1990 do século passado. Pode-se falar mal de César Guinle, Feliciano Costa, Amâncio Azevedo, José Eugênio Muller, Alencar Pires Barroso, Heródoto Bento de Melo ou de Paulo Azevedo, mas foram homens que além dos interesses pessoais fizeram muito por Friburgo e se preocuparam com seu papel dentre as cidades a serem lembradas no antigo Estado do Rio de janeiro e, do novo estado, após a fusão dos estados do Rio e Guanabara, a partir de 1º de julho de 1974, durante o governo do general Ernesto Geisel.

Houve uma época em que Friburgo só ficava atrás das cidades do Rio de Janeiro, Niterói, Campos e Petrópolis, dada a importância das suas belezas naturais, das suas indústrias, da sua rede hoteleira e da sua pujança cultural, com colégios ranqueados entre os melhores do estado, teatros e cinemas, estações de rádio e pelo menos dois jornais importantes. Era, também, um polo de atração turística, com seus inúmeros grandes hotéis.

A partir da derrota de Paulo Azevedo para Saudade Braga, em 2000, os ventos passaram a ter a direção sudeste, conhecido como um mau vento e a cidade começou seu calvário de declínio. Demerval Neto, Rogério Cabral, Renato Bravo e, atualmente, Johnny Maycon completaram a lista de alcaides que conseguiram descaracterizar a, então, Suíça Brasileira. Tanto é assim, que os outrora famosos encontros da Associação Fribourg-Nova Friburgo, que estreitavam os laços entre os dois países, com suíços sendo hospedados por famílias friburguenses e com a recíproca, no país helvético, praticamente, desapareceram.

A colonização suíça só permanece viva, na memória dos descendentes mais antigos e que viveram aqueles encontros memoráveis. A cidade se descaracterizou e perdeu seu charme. Posso afirmar isso, pois próximo de completar 50 anos morando aqui, acompanhei com desgosto a sua derrocada.

A atual legislação é um desastre, nas mãos de um jovem que tinha tudo para deixar seu nome gravado na história, mas que preferiu seguir a tônica que caracteriza os políticos brasileiros atuais: o descaso com a coisa pública. Nova Friburgo é hoje uma cidade esburacada, não importa o bairro, com um calçamento sem nenhum tipo de conservação, onde o que impera é a falta de conservação. Não é possível que o responsável pela supervisão das vias públicas não veja isso, A não ser que seu deslocamento pela cidade seja feito de helicóptero.

Trânsito caótico

O trânsito um horror sem que a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana tome qualquer providência. O que ocorre em frente a Superpão, no Paissandu, é uma calamidade, onde motoristas chegam ao ponto de estacionarem em fila dupla, numa pista de rolamento, que já é por si só um caos. Não se vê no local, um agente sequer do referido órgão, para pôr ordem naquele descalabro. É um espanto que um acidente mais sério ainda não tenha ocorrido. Não para por aí, pois avanços de sinais, ultrapassagens perigosas, alta velocidade, circulação em áreas de contramão e imprudência são uma constante. A falta de educação de alguns motoristas de Friburgo é um caso de polícia. A omissão do poder público uma constante.

Lixo nas ruas

A sujeira da cidade salta aos olhos até dos menos observadores. Lixo nas ruas, não é culpa dos lixeiros, trabalhadores dignos e muitas vezes desprezados, mas da omissão das autoridades que não promovem uma campanha para educar a população, nem disponibilizam e fiscalizam locais para recolhimento de lixo, não executam uma capina regular nos locais que têm mato, o que propicia surgimento de ratos e outras pragas. Sem falar nos imóveis mal-conservados, que denotam o desleixo do proprietário e da falta de fiscalização, além de serem propícios para invasões.

Saúde: doença crônica

 A saúde pública é outro problema, onde o descaso com o Hospital Raul Sertã é uma constante. Recentemente, um documento divulgado por servidores daquele nosocômio elevou ainda mais a pressão sobre esse importante segmento da cidade. O texto foi definido pelos próprios trabalhadores como um verdadeiro pedido de socorro e reúne denúncias graves sobre falta de profissionais, ausência de materiais básicos e dificuldades em vários setores da principal unidade hospitalar da cidade.

Pão e circo

 Mas, justiça seja feita, o que não falta são festas para todos os gostos. A máxima de que para o povo basta pão e circo, é atribuída ao imperador romano Júlio César e nos lembra de uma realidade antiga, mas que ecoa até hoje: quando as pessoas são mantidas entretidas e com necessidades básicas supridas, tendem a não questionar ou buscar mudanças. “Pão e circo” representam mais do que comida e diversão; é uma estratégia para desviar a atenção daquilo que realmente importa.

Nova Friburgo pede socorro e cabe a nós moradores, restaurar a importância e pujança que ela já teve.

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