Nova Friburgo perde quatro médicos nos últimos três meses

Max Wolosker

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Economia, saúde, política, turismo, cultura, futebol. Essa é a miscelânea da coluna semanal de Max Wolosker, médico e jornalista, sobre tudo e sobre todos, doa a quem doer.

quarta-feira, 25 de março de 2026
por Max Wolosker

Nos últimos três meses, Nova Friburgo perdeu quatro médicos que foram muito importantes e destacados não só na medicina, como na vida social da cidade. Em janeiro faleceu a ginecologista e obstetra Anna Maria Di Donnato Gonçalves Pereira. Formada pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UFRJ), em 1966, ela construiu uma trajetória marcada pela dedicação à medicina e à excelência no atendimento à população de Nova Friburgo, onde atuou por várias décadas. Foi reconhecida por sua atuação ética, compromisso profissional e cuidado com seus pacientes, deixando relevante contribuição para a prática médica na região.

Não trabalhei com ela, pois atuávamos em especialidades distintas, apesar da obstetrícia ter muito a ver com a endocrinologia, por causa das gestantes diabéticas. Mesmo assim, a conhecia muito, pelos encontros promovidos pela Sociedade Médica de Friburgo e por ser casada com o cirurgião Marcelo Gonçalves Pereira.

Marcelo, formado em medicina, em 1966, pela antiga Faculdade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, hoje conhecida como UniRio, era cirurgião geral, mas voltado para o aparelho digestivo. Trabalhei com ele no saudoso hospital Santo Antônio, atual Raul Sertã, no ambulatório do antigo Inamps e, posteriormente, no grupamento de perícia médica de Friburgo. Em 1995, talvez já visando algo a fazer quando se aposentasse, matriculou-se no Instituto de Filosofia da UFRJ, tornando-se bacharel a partir de 2001. Os colegas brincavam com ele dizendo que gostava de deslizar nos anéis de saturno.

Também construiu uma trajetória marcada pela dedicação à medicina e à excelência no atendimento à população de Nova Friburgo, onde atuou por várias décadas. Foi reconhecido por sua atuação ética, compromisso profissional e cuidado com seus pacientes, deixando relevante contribuição para a prática médica na região.

Era casado com a Anna Maria e formavam um casal muito unido, um exemplo de casamento bem sucedido. Ele gostava de dizer que Anna tinha sido sua primeira e única namorada. Pertencia, também, à Maçonaria, tendo sido iniciado na loja Jacques de Molay.  Faleceu no último sábado, 21, dois meses depois de sua querida Anna, talvez não resistindo às saudades.

Infelizmente, no dia seguinte, faleceu o também médico Roberto Alves da Costa, cirurgião angiológico que também atuava em nossa cidade há quase 50 anos. Trabalhei com ele no saudoso ambulatório do Inamps, anexo ao antigo hospital Santo Antônio. Era também iniciado na Maçonaria, na centenária Loja Maçônica Indústria e Caridade, situada ao final da Praça Getúlio Vargas, apesar de afastado há muitos anos. Roberto durante um período foi diretor do Hospital Raul Sertã.

Não podemos deixar de assinalar a perda do nosso eterno presidente da Sociedade Médica de Nova Friburgo, Carlos Alberto Pecci, falecido em 24 de fevereiro. Deixei para citá-lo por último, pois foi motivo de uma matéria minha, na época, pela ligação profissional e sentimental que tinha com o já saudoso Dr. Pecci. Aliás, a morte é o oposto da vida, sabemos que todos nós vamos, mais cedo ou mais tarde enfrentá-la, mas é sempre um fato triste, principalmente quando atinge pessoas que são nossas conhecidas.

Outro fato digno de nota é a idade desses colegas, todos já tendo ultrapassado a casa dos 70 anos o que deixa preocupados os demais médicos da cidade, que já chegaram ou ultrapassaram essa marca. O avanço da medicina fez com que a nossa estimativa de vida aumentasse muito, estando hoje na faixa dos 80 para as mulheres e de 75 para os homens.

No entanto, não nos tornou imortais e sabemos que nossa vez, chegará num determinado dia. Por exemplo, no sábado participei de um almoço, no Rio de Janeiro, com meus colegas da faculdade de medicina da UFF (Universidade Federal Fluminense). Prestes a completarem 52 anos de formados, agora em junho, todos já ultrapassaram os 73 anos de vida. A pergunta fatídica que fica é: Quem será o próximo?

Não pude comparecer aos velórios e enterros de Marcelo e Roberto, por não estar em Friburgo, mas faço questão de deixar minhas condolências e um abraço às famílias desses colegas, que tanto fizeram pela medicina da nossa cidade.

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