Câncer, um inimigo à nossa espreita

Max Wolosker

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Economia, saúde, política, turismo, cultura, futebol. Essa é a miscelânea da coluna semanal de Max Wolosker, médico e jornalista, sobre tudo e sobre todos, doa a quem doer.

quarta-feira, 11 de março de 2026
por Max Wolosker

Estou com meu cunhado, marido da minha irmã, nas últimas, no Hospital Marcílio Dias, no Rio de Janeiro. Portador de um sarcoma de intestino, do qual falarei a seguir, mesmo após duas cirurgias e uma quimioterapia, ainda em curso, esse inimigo cruel não foi abatido e na última tomografia computadorizada, tinha se espalhado por todo o abdome. Está, agora, no CTI do Marcílio Dias, a espera de um milagre que o livre de mais sofrimentos.

Estamos assistindo a um aumento significativo da incidência de tumores malignos que a meu ver, é o preço que estamos pagando pelo aumento da longevidade, proporcionado pelos avanços da medicina. De um lado a humanidade está vivendo mais, de outro fica propicia ao aparecimento dessa doença que, em muitos casos, é o resultado do envelhecimento dos órgãos. Segundo o site “https://www.oncoguia.org.br/painel-politicas-publicas”, o câncer se consolida como a segunda causa de morte global. E diz: “O cenário da oncologia global nas próximas décadas será marcado por um crescimento acelerado e por disparidades profundas entre nações ricas e em desenvolvimento. De acordo com a mais recente análise do estudo Global Burden of Disease (GBD 2023), publicada pela prestigiada revista científica The Lancet, o câncer já é a segunda principal causa de morte no planeta, atrás apenas das doenças cardiovasculares.

Em 2023, o mundo registrou 18,5 milhões de novos casos de câncer e 10,4 milhões de óbitos. No entanto, as projeções estatísticas até 2050 indicam um salto preocupante: os diagnósticos anuais devem atingir 30,5 milhões, enquanto o número de mortes pode chegar a 18,6 milhões — um aumento de 74,5% em comparação a 2023”.

Prevenção sempre

Daí a importância do controle médico, o famoso exame preventivo, anual até os 50 anos e semestral a partir dos 60 anos, pois quanto mais precoce for a descoberta dessa praga, maiores as chances de controle ou mesmo cura. De acordo com esse site central de consultas, clínica acessível, o exame preventivo é uma das formas mais eficazes de cuidar da saúde e evitar o agravamento de doenças silenciosas. Ele ajuda a identificar doenças ainda no início, muitas vezes antes dos sintomas surgirem, aumentando significativamente as chances de um tratamento eficaz e de cura.  

No entanto, há casos, como o temido tumor de cabeça de pâncreas e o do sarcoma, em que o diagnóstico só é feito quando eles já se encontram em estado avançado. Aliás, esse foi o problema que aconteceu com o meu cunhado, quando foi descoberto e extirpado, já pesava oito quilos e, o que é pior, os sintomas iniciais não eram típicos e podiam ser confundidos com a suspeita de outras doenças.

Existe ainda a desigualdade social como fator de risco, pois a incidência da doença expõe um abismo social. Isso se deve ao fato de que cerca de 65,8% das mortes por câncer ocorrem atualmente em países de baixa e média renda. A previsão é que o aumento da mortalidade nessas regiões seja de 90,6% até 2050, enquanto nos países de alta renda esse crescimento será de 42,8%. Como já disse, embora o envelhecimento populacional seja o principal motor desses números, a falta de infraestrutura para tratamento, em países em desenvolvimento, agrava o prognóstico.

Claro que a oncologia (especialidade que se destina ao diagnóstico e tratamento dos diversos tipos de tumores malignos) é uma das que mais se desenvolvem na medicina, chegando ao ponto de já existirem subespecialidades, como é o caso do sarcoma. Só existem dois médicos especializados nesse tipo de tumor, no Brasil, um em São Paulo e outra no Rio de Janeiro, dra. Bruna David.

Mas, afinal o que é o sarcoma?

De acordo com a SBCO (Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica, “os sarcomas são um grupo diverso de tumores malignos raros que se desenvolvem nos tecidos conjuntivos, que ficam entre a pele e os órgãos internos. Os tumores podem acometer diversas partes do corpo, e são divididos em três grandes grupos: sarcomas de partes moles, ossos e GIST (tumor do estroma gastrointestinal).

Os sarcomas de partes moles, os mais comuns, podem se desenvolver nos músculos, tendões, cartilagens, células de gordura, vasos sanguíneos e nervos, por exemplo. Atualmente, estima-se que existam mais de 100 subtipos de sarcomas. No geral, cada sarcoma é nomeado a partir da região do corpo de origem. Um sarcoma nos ossos é denominado osteossarcoma; nas células gordurosas, lipossarcoma; nos músculos lisos, leiomiossarcoma; nos músculos estriados, rabdomiossarcoma; e assim por diante. 

Segundo Jadivan Leite de Oliveira, da SBCO, na maioria das vezes, os sarcomas não apresentam sintomas no início. Quando existem, eles podem variar muito dependendo do tipo, localização, tamanho e estágio do tumor. Os mais comuns são: edemas (inchaços causados por acúmulo de líquidos no corpo), nódulos ou uma massa palpável em casos mais avançados, sensação de fraqueza e cansaço, sangramentos nas fezes ou vômitos, febre em casos avançados, dores em casos específicos”.

Isso é tão verdadeiro que quando o diagnóstico definitivo de sarcoma do estroma gastrointestinal foi feito no meu cunhado, o tumor já pesava oito quilos. E, infelizmente, a cirurgia e a quimioterapia já não foram suficientes para deter a progressão. Infelizmente, às 19h do último domingo, 8, ele partiu para a eternidade.

Esse artigo foi escrito como uma matéria informativa, com o intuito de alertar os leitores para a importância e necessidade de exames preventivos, pois mesmo com sua realização não estamos livres de inimigo que está à nossa espreita, pronto para nos abater.

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