Hamilton Werneck

Hamilton Werneck

Eis um homem que representa com exatidão o significado da palavra “mestre”. Pedagogo, palestrante e educador, Hamilton Werneck compartilha com os leitores de A VOZ DA SERRA, todas as quartas, sua vasta experiência com a Educação no Brasil.

13/12/2017

Quando comemoramos o nosso dia, o dia do mestre, em 15 de outubro, embora nossa dignidade não dependa de dia, mês ou ano, não restam dúvidas que nosso ânimo fica abalado diante da realidade. De nada interessa termos uma significativa marca no tempo e termos falta de dignidade no espaço, não sermos considerados na sociedade, sermos menosprezados pelas forças da incompreensão e desligados por completo de uma visão mais profunda sobre a necessidade da educação.

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06/12/2017

Às vezes pensamos na perda da dignidade do magistério, porque somos professores. Na realidade, muitos profissionais perderam a dignidade, à medida que foram denegrindo, através dos meios de comunicação e até da fofoca, os mais diversos setores pelas mais variadas razões, algumas absolutamente sem razão. Mudou-se o conceito de médico, advogado, juiz, policial, todos metidos num único rol, sem se levar em conta a experiência das pessoas, os estudos feitos, a competência e o respeito. A questão, portanto, não é só do magistério, e isso até nos conforta.

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30/11/2017

Hoje, para recobrar a dignidade, o professor busca as ruas, faz piquetes, enfrenta a polícia e até nivela seu vocabulário aos níveis das “galerias gerais” dos “estádios” quando os juízes apitam pênaltis contra um time no minuto final de uma partida fadada ao empate. Apanhando da polícia, sem o título de coronéis e sem serem reconhecidos como “cabos” pela falta do fardamento, caminham os educadores desta nação apelando para os dinossauros de Spilberg como forma de protesto, defesa e sobrevivência.

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22/11/2017

Antes da década de 1970, quando o magistério era considerado profissão abnegada, carecendo muitos profissionais de registros, mas esbanjando, alguns, muita competência, a população escolarizada do país era muito reduzida e o Brasil não apresentava números percentuais junto às Nações Unidas para justificar empréstimos externos, dado o fato de investir pouco em educação. Nessa época, os professores eram respeitados, exigiam o respeito respaldados pelas instituições, embora o afastamento entre eles e os alunos fosse maior.

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15/11/2017

A vida humana gira em torno de duas vertentes: o medo e sonho. E eles exigem de todos a capacidade de movimento entre uma coisa e outra através da administração dos dois comportamentos. O medo acaba por levar ao cuidado com o exercício da profissão. O profissional é cobrado pelos seus atos e, por vezes, não tem como se eximir de culpa, apesar das justificativas. Se um médico alegou ter esquecido uma pinça dentro do abdômen do paciente porque seu salário não é compatível com seus desejos, ninguém aceita. Não adianta dizer que, se ganhasse melhor, não esqueceria a pinça lá dentro.

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08/11/2017

Todo professor deveria ensinar seus alunos a estudar ou, pelo menos, corrigir os erros do estudo errado. Não é difícil saber se um aluno estuda errado, basta verificar seu comportamento antes de uma avaliação. O estudo errado é feito para passar de ano, para obter nota e, logo depois, esquecer tudo. É uma espécie de trabalho linear que funciona assim: “decora, faz prova e esquece”. Por isso um acadêmico de um curso de direito pode obter notas excelentes durante o curso e não passar na prova da OAB. Por que ele esquece?

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01/11/2017

Há ofertas no Brasil de uma grande variedade de livros didáticos provenientes das aquisições do próprio Ministério da Educação e dos editados por sistemas de ensino. A grande diferença está na gratuidade dos livros distribuídos pelo MEC, enquanto os demais devem ser comprados pelas prefeituras.

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25/10/2017

A maioria das escolas nas décadas de 1960 e 1970 usava o expediente da suspensão de educandos das atividades acadêmicas como castigo. Também era comum que três suspensões durante o ano correspondesse à transferência compulsória, chamada na época de expulsão. Entendia-se naquelas épocas que suspender um aluno deveria ter uma relação com alguma falta considerava muito grave cometida na instituição. Não havia, portanto, nessas décadas de mais disciplina e menos diálogo uma banalização da suspensão.

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18/10/2017

Entre obedecer e respeitar

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11/10/2017

Problemas de ontem, problemas de hoje

Há um modo simplista de agir condenando os alunos de hoje, alegando-se que, no passado, eles eram mais comportados, evoluindo o raciocínio para a tentativa da volta de um sistema disciplinar coercitivo, único capaz, pelo menos para alguns, de por um freio aos desmandos de hoje. Também não é verdade que os professores de antigamente eram melhores que os de hoje. Se no passado existiram bons professores, o mesmo ocorre no presente. Os relapsos do presente encontram vários similares no passado.

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