O que é uma SAF?

Vinicius Gastin

Esportes

Jornalista e apaixonado por esportes, responsável pela coluna de esportes do Jornal A Voz da Serra desde 2012, dando vez a todas as modalidades esportivas de Nova Friburgo e região. Também é radialista e está à frente do jornalismo da Rádio Friburgo FM.

sábado, 07 de março de 2026
por Vinicius Gastin

Possibilidade no Friburguense gera debates e reações entre torcedores

Na edição da última terça-feira, 3, A VOZ DA SERRA noticiou a existência de uma proposta para a compra do futebol do Friburguense, através de um modelo equivalente ao de uma SAF. A oferta feita por um grupo europeu é analisada pelo clube, de forma cuidadosa, e ainda é debatida internamente entre os conselhos legais do Tricolor antes de qualquer tipo de avanço. Tal fato repercutiu e despertou a curiosidade entre os torcedores sobre as possibilidades futuras para o Frizão.

A Sociedade Anônima do Futebol (SAF) é um tipo específico de empresa, criado pelo Congresso em 6 de agosto de 2021, por meio da lei 14.193/2021. A legislação estimula que clubes de futebol a migrem da associação civil sem fins lucrativos para a empresarial. A Lei da SAF, como ficou conhecida, incentiva a mudança para este formato de clube-empresa, que dispõe de normas de governança, controle e meios de financiamento específicos para a atividade do futebol.

Clubes podem ser fundados diretamente com essa estrutura, ser convertidos de associação civil para SAF ou podem fazer a cisão de seu departamento de futebol, com a transferência de todos os ativos relacionados à atividade futebolística para a empresa. Uma vez que a companhia é constituída, é possível vender parte majoritária, minoritária ou todo seu capital para um novo proprietário.

Em busca de recursos

De fato, algo semelhante é desenvolvido pelo Friburguense há algum tempo. O futebol tricolor é terceirizado, e o gerente José Siqueira, o Siqueirinha, é o responsável por gerir os rumos deste setor do clube. A questão central, atualmente, é a falta de capacidade financeira e recursos para serem investidos. É exatamente neste contexto que entra a busca por novos caminhos.

Sem esse “dinheiro novo”, torna-se praticamente inviável desenvolver um trabalho a médio e longo prazo ou investir na melhoria de infraestrutura. Nas últimas temporadas, em especial após as quedas de divisão, o Friburguense mantém entre três a quatro meses de atividades profissionais, tendo dificuldades para honrar compromissos, manter atletas e desenvolver projetos. Os times que sobem e conseguem calendário completo são aqueles que conseguem ter um poder financeiro maior.

Ou seja, como o Tricolor já tem um modelo parecido de gestão do futebol, o ponto chave é a busca por novos recursos, abertura de portas e algumas mudanças estruturais, dentro e fora de campo, algo que certamente também irá refletir no trabalho feito com as divisões de base. 

“Muita gente fala como se a SAF fosse a resolução de toso os problemas. E eu posso falar que o Friburguense talvez tenha sido a primeira SAF no Brasil. Lembro que, estrategicamente, eu e Alexandre (então presidente), entre 1998 e 1999, fizemos uma contabilidade diferente. É lógico que a contabilidade oficial é conjunta, sem separar o futebol do social. O clube é uma coisa só, um CNPJ só. Mas a gente trabalhou os caixas de forma separada, de futebol e social, para mostrar ao social que realmente o futebol poderia viver sozinho”, relembra Siqueira.

“Os clubes têm que escolher os seus investidores de acordo com as suas necessidades. E os clubes pequenos, diferente dos grandes, têm necessidades diferentes. A gente necessita de calendário, de voltar à Série A do Carioca, formar jogadores... São objetivos que todo clube tem que ter, é claro. Mas hoje não temos um calendário de profissional. Querendo ou não, o grande investidor de time pequeno vai bater na porta do clube justamente para formação. Então, ele vai procurar o que você tem de condição na cidade que você atua. É uma relação muito difícil. Umas SAFs vão dar certo, outras não. Algumas procuram por investidores de verdade, em relação ao tamanho do cheque, e não por quem tem o que se precisa de verdade. Então, eu acho que esse é o grande planejamento, esse é o grande projeto”, finaliza.

Foto da galeria
Em busca de novos investimentos, Friburguense avalia propostas para o seu futebol (Foto: Divulgação Vinicius Gastin
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