Notícias de Nova Friburgo e Região Serrana
Novos rumos?

Vinicius Gastin
Esportes
Jornalista e apaixonado por esportes, responsável pela coluna de esportes do Jornal A Voz da Serra desde 2012, dando vez a todas as modalidades esportivas de Nova Friburgo e região. Também é radialista e está à frente do jornalismo da Rádio Friburgo FM.
Friburguense recebe proposta de grupo europeu por futebol; clube prega cautela
O Friburguense pode ter novos rumos para o seu futebol em breve. Em busca de novos investimentos para o clube, a direção recebeu uma proposta de um grupo da Escandinávia, que envolve Dinamarca, Suécia, Noruega e toda essa região da Europa, para o desenvolvimento de um projeto no Tricolor da Serra. Os contatos e reuniões acontecem com a diretoria e com os representantes de todos os conselhos legais do clube. O atual gerente de futebol do clube, José Siqueira, o Siqueirinha, com contrato até 2027, não participou desses encontros, mas está ciente sobre a oferta, da qual é um grande entusiasta, inclusive.
Em contato com o presidente Elberth Heringer, A VOZ DA SERRA ouviu que o clube “analisa internamente com os conselhos e sócios”. Segundo Elberth, essa é apenas mais uma proposta em fase muito inicial, ainda com pouca formalidade. São feitas reuniões com as partes interessadas para a análise de todos os pontos e uma possível contraproposta. Posteriormente pode haver a discussão sobre uma possível concretização ou não. “Ou seja, é muito pouco ainda para se criar expectativa”, avalia o presidente.
Tentativa de recolocação no cenário nacional
A reportagem apurou que o grupo pretende investir no futebol profissional para subir o Friburguense de divisão e tentar voltar à Série A1 do Campeonato Carioca em um curto espaço de tempo. Após esse primeiro momento, a ideia é recolocar o Tricolor da Serra no cenário nacional, com a disputa de competições como a Copa do Brasil e a Série D do Brasileiro, mirando acessos e a consolidação de um calendário completo. Contudo, a grande menina dos olhos do grupo é a formação dos jogadores.
O gerente de futebol do Friburguense, Siqueirinha, confirmou que não esteve presente às reuniões, contudo, ele tem conhecimento sobre a oferta, através do contato feito por um dos representantes do grupo.
“Vou dar uma opinião em cima do questionamento, mas deixo bem claro que esse entendimento, essa opinião minha, não vai afetar em nada na negociação. Foi falado qual era o projeto, e me passado até o interesse que eu continuasse. Eles acham fundamental por conta de toda a relação que a gente tem com outros clubes, confederação, ou seja, aproveitar um pouco dessa experiência para dentro do projeto. Isso é uma coisa que não ficou definida, mas acho que o interesse maior era conversar sobre isso. Foi quando tive a oportunidade de entender o projeto”, pontua.
“Eu sei que às vezes a rede social vem carregada de interesse em falar de forma positiva ou de forma negativa. Então, eu tenho que ter cuidado na hora de passar quais são os interesses profissionais para um clube de futebol. O meu parecer sobre a montagem do projeto é positivo, diferente de tudo o que eu vi até agora. Tudo que eu sonho de oportunidade para esses garotos de Nova Friburgo e de toda a região é uma relação de criar para eles, primeiro, um sentido de ser profissional. Não a expectativa de muito dinheiro, não a expectativa de fama, porque isso aí tem sido prioridade. Quando você tem um clube como o Friburguense, na situação que está, afasta alguns garotos dessa oportunidade. Só há expectativas de que vai para um torneio, vai para uma peneira e aí, com isso, eu vou para time grande. Isso pode acontecer para um, mas, na maioria, tem todo um processo de treinamento”, continua Siqueira.
Profissionalização de jogadores
Nesse contexto, a ideia do grupo é oportunizar a saída de jogadores da região para um profissionalismo, com expectativas maiores, até pela ligação direta com a Europa. Algo que pode mobilizar mais jovens, ou seja, ampliar as perspectivas de torná-los jogadores profissionais.
“Eles estão querendo trazer toda a disciplina do futebol europeu para dentro do futebol brasileiro, que tem a arte, a ginga, o drible. Ou seja, eles não querem engessar o futebol brasileiro, eles querem estar unindo. Por isso que eles estão vindo para o Brasil. Querem criar essa mistura para que tenha sucesso naquilo que é a formação. Então, quando falam de pegar uma base, de formar jogador, a mentalidade é muito alta. É criar oportunidade de tudo o que a gente já teve de profissionais, seja ela na área de odontologia, nutricionismo, de psicologia. Eles querem trazer o ensino do inglês para dentro do clube. Friburgo facilita muito a questão da dupla nacionalidade, por conta de ter a maioria de descendências de países da Europa. Então, tudo isso também está no radar deles, e é o que sempre quis oportunizar na base para essa criançada”, revela Siqueirinha.
A intenção, no primeiro momento, seria aproveitar os profissionais da região, qualificá-los com cursos da CBF - por exemplo - e, no futuro próximo, trazer treinadores com formação europeia. Dentro desse processo, o time profissional também cresceria, sendo consequência de todo o trabalho a ser realizado com a base e a melhoria das condições estruturais.
“Vamos imaginar o Friburguense numa Série A hoje do Carioca. Quantas coisas têm que ser feitas aqui no nosso estádio hoje para trazer um Flamengo para jogar aqui? Olha o tempo que você pode levar para chegar numa Série A. Mas todo o processo de chegar numa Série B, Série A de um Brasileiro pode acontecer quando a mentalidade é essa, e vem atrelada a um fechamento de anel do estádio. Ela tem que estar atrelada. Por quê? Você cresce com um time competitivo, mas automaticamente você tem que ir. Está aí o Mirassol, com um centro de treinamento fera e um estádio que tem que estar adequado para jogar uma Série A. Então, eu acho que o processo de crescimento é proporcional. Acho o projeto muito bom, mas cabe a cada setor do clube entender que quem está fazendo, aonde quer chegar, por que está fazendo, não é simplesmente qual o cheque que vai dar. Esse tem sido o grande problema nos clubes brasileiros. Eu acho que a gente tem uma grande oportunidade de dar uma mudança de rumo na história do clube”, opina Siqueira.

Vinicius Gastin
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