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Vinicius Gastin

Esportes

Jornalista e apaixonado por esportes, responsável pela coluna de esportes do Jornal A Voz da Serra desde 2012, dando vez a todas as modalidades esportivas de Nova Friburgo e região. Também é radialista e está à frente do jornalismo da Rádio Friburgo FM.

terça-feira, 03 de fevereiro de 2026
por Jornal A Voz da Serra

Musculação ajuda a proteger o cérebro contra demência, aponta estudo

Com o aumento das temperaturas e a maior exposição do corpo ao sol, em cachoeiras, rios e praias, a procura pelas academias cresce. Contudo, já há algum tempo, a musculação deixou de ser uma atividade física focada apenas na estética. Comprovações científicas apontam que os treinos de força representam um recurso importante para o envelhecimento saudável. Inúmeros estudos apontam que o músculo é um órgão endócrino, já que durante as contrações é capaz de produzir substâncias, como as miocinas, que atuam na parte metabólica do organismo.

Contudo, a musculação também protege o cérebro contra a demência, segundo um estudo brasileiro, realizado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e publicado na revista GeroScience. A pesquisa envolveu 44 pessoas com comprometimento cognitivo leve – uma condição clínica intermediária entre o envelhecimento normal e a doença de Alzheimer, na qual o declínio cognitivo é maior do que o esperado para a idade, indicando um risco maior de demência. Os resultados mostraram que o treinamento de força não apenas melhorou o desempenho da memória, mas também alterou a anatomia cerebral.

O estudo corrobora outras pesquisas que já haviam apontado o fator de neuroproteção dos treinos de força. Uma das explicações é que durante a contração muscular, são liberadas substâncias como as miocinas, que agem como hormônios no organismo.

“As miocinas agem como mensageiros químicos, que se comunicam com várias partes do corpo. Quando as miocinas são liberadas, elas alcançam o fígado, pâncreas, tecido adiposo, sistema imunológico e o cérebro. Além disso, os treinos de força também reduzem a inflamação do organismo, bem como ajudam no equilíbrio dos hormônios do estresse e do envelhecimento”, explica a fisioterapeuta Walkíria Brunetti.

Com o envelhecimento da população, que é um fenômeno global, a prevalência de doenças relacionados à senilidade tem aumentado. Uma dessas patologias é a demência, sendo a mais comum o Alzheimer.

“As miocinas têm um efeito protetor no cérebro, pois ajudam na saúde dos neurônios, bem como estimulam a neuroplasticidade (capacidade do cérebro em criar conexões), melhoram a memória, o aprendizado, a atenção, além de reduzirem processos inflamatórios associados ao declínio cognitivo”, diz a especialista.

Há também evidências de que as miocinas liberadas durante as contrações musculares têm um papel importante na redução da inflamação cerebral e melhora da saúde metabólica do cérebro. Isso é fundamental para retardar os danos associados à demência. Por fim, as miocinas também têm um impacto positivo nos marcadores característicos da demência, como o acúmulo de beta-amiloide.

“Portanto, frente às evidências que temos hoje, podemos afirmar que os treinos de força são cruciais para manter o cérebro e o corpo saudáveis, especialmente em idosos. Claro que quanto antes a pessoa investir no fortalecimento muscular, maior a chance de prevenir o Alzheimer e outras demências”, comenta Walkíria.

 “Em relação à musculação, o ideal é praticar treinos para os membros superiores e inferiores, em dias alternados. Portanto, estamos falando de três a quatro treinos por semana. Caso a pessoa queira reforçar o fortalecimento muscular, também é interessante pensar no Pilates, que foca na musculatura profunda”, finaliza. 

Foto da galeria
Treinos de força são um recurso importante para o envelhecimento saudável (Foto: Reuters)
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