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O X da questão
Robério Canto
Escrevivendo
No estilo “caminhando contra o vento”, o professor Robério Canto vai “vivendo e Escrevivendo” causos cotidianos, com uma generosa pitada de bom humor. Imortal desde criancinha, leitor por paixão e vício, justifica sua dedicação à escrita com uma frase de Carlos Nejar: "Escrevo porque é uma forma de estar vivo, é uma forma de pensar a vida e também uma forma de consciência do universo."
Use a sua inteligência: não sei qual, mas ela existe e é muito maior do que você pensa
A acreditar no que dizem alguns cientistas, é a mãe que transmite a inteligência aos filhos, com pequena contribuição dos pais. Não que eu desfaça do seu intelecto, leitor, mas o fato é que as mulheres são mais inteligentes do que os homens. Sempre? Também não! Só em 99% dos casos. E a razão, dizem os pesquisadores, é que elas possuem dois cromossomos X, onde residem os “genes da cognição”, enquanto os machos, coitados, têm apenas um xizinho. Esse é o X da questão.
Mas como toda medalha tem dois lados, além das bordas, também há pesquisadores que não embarcam nessa canoa, ou pelo menos ficam com um pé na canoa e outro na praia. Para estes, a inteligência não é apenas um presente materno. Outros genes interferem, além de fatores ambientais, educação, convivência e toda sorte de estímulo que se receba ou não. Portanto, a sabedoria do seu filho, minha senhora, assim como a dos macacos e dos golfinhos (sem querer comparar!) é também obra paterna.
Esse assunto me fez lembrar um episódio ocorrido entre Bernard Shaw ─ genial, mas feioso, e uma atriz ─ lindíssima, mas um tanto burra. Ela lhe teria proposto casamento, sugerindo que os filhos herdariam a beleza da mãe e a inteligência do pai. Prudentemente, Shawn respondeu: “E se acontecer o contrário?” Sim, sempre há algum risco e, mesmo que não houvesse, não existe beleza ou inteligência, por maiores que sejam, que valham mais do que a voz que conforta, o abraço que acolhe, a mão que se estende.
Um consolo e um estímulo para quem julga ter uma cabeça mais dura que a Pedra do Cônego é a teoria das Múltiplas Inteligências, criada pelo psicólogo americano Howard Gardner. Segundo ele, além da inteligência linguística e matemática, merecidamente reconhecidas e valorizadas, existem pelo menos mais sete, tão importantes quanto. E, melhor ainda: ter uma predominante não exclui ter as outras.
Não vou me alongar no assunto, e não é por modéstia ou falta de espaço, é por ignorância mesmo. Quase nada conheço do assunto. Mesmo assim, me arrisco a dar um exemplo: a inteligência interpessoal, que é a capacidade de ter empatia, entender os outros e interagir com eles. É ela que permite (e a falta dela dificulta) construir bons relacionamentos, atuar em grupo, amenizar desentendimentos, resolver conflitos.
E você, o que preferiria, se tivesse que escolher como companhia para a vida toda ou mesmo como simples companheiro de trabalho: um gênio em física quântica, ou um bom amigo, verdadeiramente solidário, capaz de comparecer, socorrer, compartilhar? Antes de responder, use a sua inteligência: não sei qual é, mas ela existe e é muito maior do que você pensa.
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Microconto: Bailarinas
Sabia que nenhum concorrente tinha como impedir sua vitória. Mas só ao pisar no palco é que sentiu a pedrinha na sapatilha. Ficou em segundo lugar.
Robério Canto
Escrevivendo
No estilo “caminhando contra o vento”, o professor Robério Canto vai “vivendo e Escrevivendo” causos cotidianos, com uma generosa pitada de bom humor. Imortal desde criancinha, leitor por paixão e vício, justifica sua dedicação à escrita com uma frase de Carlos Nejar: "Escrevo porque é uma forma de estar vivo, é uma forma de pensar a vida e também uma forma de consciência do universo."
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