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A carne mais barata do mercado

terça-feira, 24 de novembro de 2020
por Jornal A Voz da Serra

A carne mais barata do mercado é a carne negra”. Esta música composta por Seu Jorge, Marcelo Yuca e Wilson Capellette, que ganhou espaço na Música Popular Brasileira na voz de Elza Soares, enaltece as qualidades, por muitos ignorada, da população negra na construção deste país. Mas, ao mesmo tempo, denuncia feridas abertas da sociedade brasileira: a desvalorização, o descaso, a falta de respeito, a segregação, o preconceito...

A carne mais barata do mercado é a carne negra”. Esta música composta por Seu Jorge, Marcelo Yuca e Wilson Capellette, que ganhou espaço na Música Popular Brasileira na voz de Elza Soares, enaltece as qualidades, por muitos ignorada, da população negra na construção deste país. Mas, ao mesmo tempo, denuncia feridas abertas da sociedade brasileira: a desvalorização, o descaso, a falta de respeito, a segregação, o preconceito...

Em uma entrevista, Dom José Valdeci Santos Mendes, bispo da Diocese de Brejo, referencial das pastorais sociais do Maranhão e presidente da Comissão Sociotransformadora da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), ao falar da luta pela dignidade e a resistência do povo negro, destacou a importância de, como irmãos, ouvir a voz de Deus, juntar nossas forças e assumir sua causa junto ao seu povo. 

Precisamos unir as nossas forças e dizer não a todo tipo de opressão e de negação da vida. Celebrar o dia da consciência negra (último 20 de novembro) é renovar o compromisso na luta em defesa da vida tendo como base a abertura para o diálogo, compreensão do diferente, compromisso com a justiça e empenho em defesa da vida” (Dom José Valdeci Santos Mendes, 20 nov. 2020).

Infelizmente o racismo está tão entranhado em nossa história, que se tornou estrutural. Por este motivo, muitos defendem que ele não existe mais em nosso meio. Contudo, muitas vezes somos bombardeados por relatos de pessoas que sentem na carne a dor do preconceito por terem sua pele preta.

O recente relato da morte por espancamento de um homem negro de 40 anos em uma famosa rede de supermercados no Rio Grande do Sul chocou a todos. Mas este foi somente mais um caso dentre tantos outros que sofreram e sofrem a prática de violência e abusividade programada contra pessoas negras.

Está em nossas mãos o poder de mudar esta triste realidade e execrar todo e qualquer ato discriminatório. No Concílio Vaticano II, o Magistério ressaltou o valor da fraternidade universal e a reprovação de toda a discriminação racial ou religiosa, e afirmou categoricamente que “A Igreja reprova, por isso, como contrária ao espírito de Cristo, toda e qualquer discriminação ou violência praticada por motivos de raça ou cor, condição ou religião” (Nostra aetate, 5).

Todo cristão deve se empenhar no âmbito social-político-cultural afim de garantir o direito de todos a uma cultura humana e civil, adequada à pessoa humana (cf. Compêndio da Doutrina Social da Igreja, 557; Gaudium et Spes, 60).

A doutrina da Igreja ainda nos ensina que no sacrifício de Cristo na cruz, manifestação máxima de seu amor, todas as barreiras de divisão e discórdia foram derrubadas (cf. Ef 1,8-10). Isto implica a todos que carregam a égide de cristão e que queiram viver esta nova vida em Cristo devem abraçar como meta de toda a sua existência instrumentos de paz e fraternidade, evitando que as diferenças raciais e culturais sejam motivo de divisão entre os homens (cf. Compêndio da Doutrina Social da Igreja. 431).

Somos chamados, como família humana, a recuperar a nossa própria unidade e a reconhecer a riqueza presente em nossas diferenças tendo como meta a “unidade total em Cristo” (cf. Pio XII, Discurso aos Juristas Católicos, 6 dez. 1953).

Termino esta reflexão com duas afirmações: no Brasil existe racismo e todas as carnes têm o mesmo valor, pois custaram um alto preço: a morte de Cristo na cruz.

Foto da galeria

Padre Aurecir Martins de Melo Junior é coordenador da Pastoral da Comunicação da Diocese de Nova Friburgo. Esta coluna é publicada às terças-feiras.

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A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

Os clássicos da literatura sintetizam o passado

segunda-feira, 23 de novembro de 2020
por Jornal A Voz da Serra

Faço parte de um grupo de leitura, Clássicos da Literatura, coordenado
por Márcia Lobosco. Estamos lendo Razão e Sensibilidade, a primeira obra
escrita pela escritora inglesa Jane Austen (1775-1817), publicada em 1811. O
romance nos traz questões existenciais, que nos desafiam com frequência, a
começar pelo título, que nos remete à dinâmica sentimento-pensamento-ação,
motivando-nos a olhar para esta dialética, que rege nossos movimentos, desde
o momento em que o temos nas mãos. Inegavelmente, é uma reflexão

Faço parte de um grupo de leitura, Clássicos da Literatura, coordenado
por Márcia Lobosco. Estamos lendo Razão e Sensibilidade, a primeira obra
escrita pela escritora inglesa Jane Austen (1775-1817), publicada em 1811. O
romance nos traz questões existenciais, que nos desafiam com frequência, a
começar pelo título, que nos remete à dinâmica sentimento-pensamento-ação,
motivando-nos a olhar para esta dialética, que rege nossos movimentos, desde
o momento em que o temos nas mãos. Inegavelmente, é uma reflexão
relevante à conquista da qualidade de vida, uma vez que abrange o modo
como tomamos nossas decisões e como as concretizamos.
É uma obra que aborda a história de uma família composta por quatro
mulheres e, especialmente, evidencia a relação entre duas irmãs. Mesmo com
um pouco mais de duzentos anos de vida, é uma leitura atualmente buscada,
tendo, inclusive, sido adaptada para o cinema, tal qual outras de sua autoria.
Ainda estou nas primeiras cem páginas e percebo que a natureza
humana atual não ganhou novos vieses. É a mesma! Certamente, a vida no
século XVIII foi pintada com as cores do passado; o enredo construído pela
autora mostra uma realidade muito diferente da que vivemos. Hoje, o feminino
foi atualizado pelas conquistas da mulher, pelas relações econômicas e de
produção, que provocaram mudanças significativas no âmbito cultural ao longo
do tempo. No tempo de Jane Austen, as mulheres usavam saias armadas e
montavam em cavalos; hoje, usam calças jeans e têm motos. Entretanto, a
resiliência, a sensibilidade e a capacidade de superação são características
que desde sempre permearam sua sobrevivência.
A literatura, por sobrevoar a existência do homem no Planeta Terra, por
mergulhar nos meandros da alma humana e do acontecer, tem o poder de
revelar o ser e o fazer, o desejar e o realizar, o nascer e o morrer. A literatura
faz, pois, a síntese dos modos de viver que sobrevive, ou seja, as obras
clássicas não perecem ao toque de recolher. São incisivas e têm a sublime
capacidade de mostrar com objetividade e arte as mazelas e as nobrezas
presentes em todos nós.

A qualquer momento, o texto literário pode ser interpretado em sentidos
diversos. Porém, em qualquer um deles, é possível compreender como as
civilizações construíram este mundo. Eu, particularmente, gosto de entender
em que terrenos minha geração fincou suas raízes, até porque, hoje, nós,
mulheres, trazemos resquícios do tempo em que Razão e Sensibilidade foi
escrito.
Jane Austen foi uma escritora romântica, que morreu jovem, aos 42 anos.
Dedicou sua vida à literatura e produziu obras relevantes em que realçou
sentimento feminino e a sociedade da época. Através de uma narrativa leve,
crítica e sutil, deixou uma obra que enriquece a literatura inglesa, como
Orgulho e Preconceito, Palácio das Ilusões, Amor e Amizade. A escritora fez
uma obra prazerosa de se ler em livro e de se assistir em filmes.

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Câmara Municipal

sexta-feira, 20 de novembro de 2020
por Jornal A Voz da Serra

Para pensar:
"O moedor de vozes é a chantagem, mãe da vileza contra todo o bem.”
Anderson Carmona

Para refletir:
“Em política, remédios brandos frequentemente agravam os males e os tornam incuráveis.”
Marquês de Maricá

Câmara Municipal

Para pensar:
"O moedor de vozes é a chantagem, mãe da vileza contra todo o bem.”
Anderson Carmona

Para refletir:
“Em política, remédios brandos frequentemente agravam os males e os tornam incuráveis.”
Marquês de Maricá

Câmara Municipal

Dando continuidade à nossa semana de análises do contexto político friburguense para os próximos quatro anos é chegado o momento de falar sobre as informações que envolvem o Legislativo Municipal e a composição do plenário que a população escolheu para a próxima legislatura.

Cabo de guerra

De imediato, existe a questão da eleição do presidente da Casa, e as articulações nesse sentido estão super aquecidas, como não poderia deixar de ser.

A rigor, esta deve ser a matéria política mais importante das próximas semanas, pois envolve repercussões de alcance imprevisível sobre o que serão os próximos anos de nossa história.

Tentemos, portanto, ser o mais claro a respeito do que efetivamente está em jogo.

Em dívida

O maior chantagista de nossa política opera na Câmara Municipal, e não é preciso dar qualquer dica para que o leitor que acompanha as sessões com o mínimo de interesse saiba exatamente sobre quem estamos falando.

Além dele, há um bom punhado de parlamentares cuja base eleitoral se sustenta sobre a obtenção de empregos e favores, e essa turma assume o novo mandato em dívida com tais apoiadores.

Em áudio direcionado a pessoas “que se beneficiaram de seu mandato”, por exemplo, um desses parlamentares fala sobre consolidar os votos de 50 famílias, e que “quem está com ele vai continuar com ele.”

E agora?

Já entenderam, não é?

Para que possa sobreviver na política, essa bancada depende do toma lá dá cá.

Obviamente estamos falando de vereadores de perfil governista, que estão acostumados a trocar apoio em plenário por zonas de influência na administração.

Outros, como o chantagista citado acima, fazem uso de informações comprometedoras para controlar postos de saúde, secretarias, e por aí vai.

Mas, e quando o prefeito eleito não tem nada que possa suscitar esse tipo de ameaça?

E quando ele diz que não vai negociar cargos?

Rir ou chorar?

Uma cena ocorrida nesta semana chegou a ser engraçada.

Quando um vereador falava justamente sobre o iminente fim do toma lá dá cá, diversos parlamentares começaram a articular, ali mesmo, uma aliança que fosse capaz de alçar, à presidência do Legislativo alguém imbuído de defender os interesses desta bancada assistencialista/chantagista ora ameaçada.

A ideia

A ideia é simples: com um negociador à frente do Legislativo, a governabilidade corre o risco de ficar seriamente comprometida, e a bancada do pedágio passa a ter algo em mãos para que possa “trabalhar”.

O plano desse grupo trabalha com duas possibilidades, caso venha ter sucesso: ou o futuro prefeito dobra os joelhos e deixa entrar a “boiada”, ou a Câmara asfixia seu governo e prepara armadilhas para a cassação de sua chapa, alçando justamente um chantagista ao Palácio Barão de Nova Friburgo, uma vez que o presidente do Legislativo é, também, o 2º nome na linha de sucessão.

Renovação

De modo previsível estão se desenhando uma chapa governista e outra pedagista mas, em meio a tudo isso, há que se considerar que o próximo plenário terá nada menos que 11 rostos novos, o que significa dizer que os novatos serão maioria e já chegam à casa com um poder coletivo muito grande, ainda que não formem exatamente um grupo coeso e monolítico, posto que representam partidos e pensamentos próprios.

O fato é que nem todos parecem muito satisfeitos com as opções que se apresentam, e parece existir a predisposição à formação de uma terceira chapa, que não se identifica com o perfil pedagista, mas também não parece muito confortável com um governismo que neste primeiro momento lhes parece um tanto áspero ou radical.

Será?

O colunista também entende que muitos vereadores estão buscando maneiras de aumentar o número de assessores a que têm direito, na contramão do que determina o TAC assinado com o Ministério Público.

Ainda é cedo para esse tipo de análise, mas este colunista não ficará surpreso, a partir do que andou farejando, se a via encontrada passar, por exemplo, pela nomeação de um assessor para cada comissão, o que em tese é permitido apenas sob circunstâncias especiais, exceções feitas à CCJ e à Comissão de Finanças e Orçamento.

É esperar para ver.

E aí?

E o que tiramos a partir de todo esse tabuleiro?

A interpretação deste colunista - e é bom frisar que estamos falando de uma leitura subjetiva - é a de que o futuro governo não deve confundir a firmeza de suas posições e seus propósitos com aspereza ou distanciamento.

O diálogo precisa ser preservado no fazer político, sem que isso signifique comprometer as regras que se encontram no cerne da campanha que se sagrou vencedora.

Por vezes, um tratamento cordial basta para abrir portas, sem envolver nada ilícito.

E, se em alguma dessas conversas alguém tentar dar o bote, é só gravar e expor.


 

 

Perfil desejado

A leitura do momento e do que promete vir pela frente sugere que o melhor para o município seria se a Câmara fosse liderada por um vereador experiente e ético, com força e conhecimento suficientes para assegurar a governabilidade e praticar a isenção, sem comprometer a independência dos poderes nem tampouco se curvar às necessidades chantagistas dos vereadores que, se não conseguirem dobrar o governo, sabem que não têm muitas chances de reeleição daqui a quatro anos.

Quantos parlamentares se enquadram nesse perfil?

Não muitos, com certeza.


 

Engajamento

À população, fica o alerta para que acompanhem esta corrida de perto e atentamente, e se manifestem se sentirem ser necessário.

O eleitor maduro, que anseia por mudanças mas preza pela independência dos poderes, deve agora se posicionar no sentido de assegurar que tenhamos um verdadeiro governo pela frente, capaz de levar adiante suas propostas e ideias, e não uma guerra de interesses paralisando a administração.


 

O que se espera

Fiscalizadores honrados e comprometidos com o interesse coletivo.

É disso que precisamos no plenário, e é isso que a sociedade espera.

Tanto de quem ficou, quanto de quem está chegando.

Seguiremos de olho.

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Desapego

sexta-feira, 20 de novembro de 2020
por Jornal A Voz da Serra

Desapegar-se. Verbo simples. Prática difícil. Nada simples, porém muitas vezes, necessária. É preciso ter o pulso firme e coração leve para não nos prendermos demasiadamente a tudo e todos que têm valor para nós.

Ouvi dizer que o apego ofusca a luz, como se embaçasse a clareza que pudesse existir. Senti também. É verdade, o apego atrapalha, amarra, atravanca, pesa. Sentimento estranho e mal aplicado, por assim dizer.

Desapegar-se. Verbo simples. Prática difícil. Nada simples, porém muitas vezes, necessária. É preciso ter o pulso firme e coração leve para não nos prendermos demasiadamente a tudo e todos que têm valor para nós.

Ouvi dizer que o apego ofusca a luz, como se embaçasse a clareza que pudesse existir. Senti também. É verdade, o apego atrapalha, amarra, atravanca, pesa. Sentimento estranho e mal aplicado, por assim dizer.

Apego é diferente de amor. Diferente de querer. Diferente de zelo. Apego é apego e ponto. Nós sabemos do que se trata e convivemos bastante com esse sentimento.

Há quem lute por uma vida mais livre de apegos, seja aos sentimentos, às pessoas, às coisas, à posição social, ao emprego, à matéria. Levante a mão quem se identifica com esse ato de verdadeira coragem que é buscar um caminho com mais desapego e leveza.

Sei o quão dolorida e difícil é uma existência pautada no apego arraigado à alma. Dóem os ombros só de pensar. Dói a nuca também. E a têmpora direita. Sei o quanto a leveza de desapegar-se aos poucos dos excessos que encobrem o dia a dia é libertadora. E faz bem à saúde, diga-se de passagem.

Atualmente muito tem se falado nas práticas minimalistas, em valorizar um estilo de vida com menos acúmulo, menos barulho, menos objetos e mais espaço para o ar circular. Menos coisas e mais verde, mais contato com a natureza. Tenho percebido como essa tribo está ganhando integrantes. A galera que está valorizando mais o ser do que o ter, mais o tempo do que uma conta bancária recheada às custas de dias e noites de incessante trabalho, andando em corda bamba contra o fluxo do materialismo. Dá gosto de ver. E me parece um processo de desapego também. Desapegar-se do velho mundo e buscar um novo, o seu próprio mundo, mais próximo da verdadeira essência.

Essa reviravolta no meio da vida, esse desapego de tantas coisas e muitas vezes do próprio ego é um processo dos mais bonitos que tenho presenciado. Mas ainda assim, talvez não dê tão certo se não for bem delineado, se não contar com pitadas de sabedoria e um tanto de planejamento. O desapego é bom, traz leveza, mas para muitos, é um treinamento novo, sem precedentes e difícil de lidar. Ainda assim, vale a pena sentir e conhecer melhor o verdadeiro significado do desapego.

Como bem disse a escritora Martha Medeiros: “longa vida aos que conseguem se desapegar do ego e ver a graça da coisa.”

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Renda fixa, a classe mais popular de investimentos

sexta-feira, 20 de novembro de 2020
por Jornal A Voz da Serra

Provavelmente você tem – ou já teve – algum dinheiro aplicado na caderneta de poupança; por sua vez, um investimento em renda fixa. Ou, caso tenha um volume mais expressivo, muito provavelmente o gerente da sua agência lhe ofereceu algum CDB (também investimento de renda fixa) para “melhorar a sua relação com o banco”; cá entre nós, essa estratégia não passa de conversa de vendedor precisando bater meta.

Provavelmente você tem – ou já teve – algum dinheiro aplicado na caderneta de poupança; por sua vez, um investimento em renda fixa. Ou, caso tenha um volume mais expressivo, muito provavelmente o gerente da sua agência lhe ofereceu algum CDB (também investimento de renda fixa) para “melhorar a sua relação com o banco”; cá entre nós, essa estratégia não passa de conversa de vendedor precisando bater meta.

A propósito, vale a observação: nunca (nunca!) aceite um produto de renda fixa com rentabilidade pós fixada abaixo de 100% do CDI. Acredite em mim, você merece investimentos muito melhores e com toda a segurança da garantia pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito).

Antes de entrarmos especificamente nos produtos disponíveis para esta classe de investimentos, é muito importante considerarmos seus riscos. Ao adquirir qualquer produto de renda fixa, você está atuando como credor da companhia emissora do título; literalmente, você empresta dinheiro para uma grande empresa e ela te paga os juros por esta operação. Portanto, o maior risco deste investimento é emprestar dinheiro para uma empresa que venha à falência e não pague as dívidas assumidas com seus credores.

Contudo, para assegurar os investidores da categoria, existe o FGC: associação responsável por assegurar, para cada CPF, até R$1 milhão (até R$ 250mil por instituição, limitando o recurso a quatro instituições diferentes) caso os emissores dos títulos de renda fixa não estejam em condições de assumir seu compromisso. É o FGC que garante seus investimentos e isso faz com que esta classe de investimentos seja tão popular e segura.

Entretanto, tanta segurança traz suas desvantagens.

Há uma taxa bastante conhecida – e muito comentada por mim, aqui – para representar os parâmetros de juros de acordo com a realidade econômica do momento e definir as rentabilidades sobre os produtos de investimentos em renda fixa. Estou me referindo à taxa Selic que, por sua vez, encontra-se no menor patamar histórico – aos 2% ao ano – e influencia diretamente na remuneração do investidor; tornado a renda fixa algo pouco rentável nos últimos anos, ainda que de alta segurança.

Portanto, ao escolher seus investimentos considere sempre o equilíbrio mais saudável entre segurança e rentabilidade e lembre-se: a cada escolha, uma renúncia. Procure viver bem com seu planejamento de investimentos e faça, desta, uma experiência positiva.

Tem gostado da relação entre risco e retorno desta classe de investimentos? Vamos entender o processo necessário para a aquisição dos seus ativos.

Considerando que já tenha sua conta em algum banco ou corretora de investimentos, o processo é simples:

- Analisar os produtos garantidos pelo FGC: poupança, CDB (Certificado de Depósito Bancário); LCI (Letras de Crédito Imobiliário); LCA (Letras de Crédito do Agronegócio); LC (Letras de Câmbio); LH (Letras Hipotecárias).

- Entender os riscos de produtos não garantidos pelo FGC: Tesouro Direto (títulos públicos); CRI (Certificados de Recebíveis Imobiliários); CRA (Certificados de Recebíveis do Agronegócio); Debêntures (títulos de dívidas de empresas).

- Definida a preferência entre produtos de renda fixa com ou sem a garantia do FGC, o próximo passo é buscar a liquidez (tempo de resgate do dinheiro) que mais se adeque à sua realidade financeira. Este é o ponto principal, pois caso retire o dinheiro investido antes da data de vencimento você perde toda – sim, toda(!) – a rentabilidade prometida pelo investimento.

- Por fim, só aqui busque estudar e selecionar os ativos de maior rentabilidade.

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Balanço eleitoral

quinta-feira, 19 de novembro de 2020
por Jornal A Voz da Serra

Para pensar:
"Um estadista pensa nas próximas gerações, um populista pensa nas próximas eleições.”
James Freeman Clarke

Para refletir:
“O sucesso eventual do populismo depende de alimentar-se do fracasso e da miséria de muitos.”
Alessandro Loiola

Balanço eleitoral

Para pensar:
"Um estadista pensa nas próximas gerações, um populista pensa nas próximas eleições.”
James Freeman Clarke

Para refletir:
“O sucesso eventual do populismo depende de alimentar-se do fracasso e da miséria de muitos.”
Alessandro Loiola

Balanço eleitoral

Na reta final da campanha a coluna manifestou, por duas vezes, o entendimento de que ao menos quatro grupos representavam grandes riscos à população friburguense, a partir do histórico de alguns de seus integrantes mais destacados.

A boa notícia é que, quando a corrida afunilou, nenhum desses grupos brigou, de fato, pela vitória.

Menos mal

Ao que parece, o eleitor friburguense foi capaz de identificar as ciladas, as apelações, os comunicadores vendidos, e perceber que tinha gente disposta a tudo para comandar a prefeitura.

Ao menos no que diz respeito ao Executivo, apesar de todos os perigos de uma eleição que poderia ter sido definida com menos de 20 mil votos, os atalhos e o jogo sujo não preponderaram.

Fragilidade

Claro, muita gente talvez se sinta desconfortável com o fato de que, no patamar de votos em que os cargos se definiram, um grupo suficientemente grande e coeso, como é o caso da comunidade evangélica, teve a força necessária para determinar os rumos da campanha.

Certamente, num contexto menos fragmentado e pontuado por duas ou três fortes referências políticas, teriam sido necessários mais votos e a composição do eleitorado teria de ser um tanto mais diversificada, o que sempre é o ideal.

Memória

Basta, todavia, dar uma breve olhada nos grupos em disputa para perceber que a cidade não se livrou apenas de um governo com o qual jamais teve identificação, mas também de um bom punhado de alternativas que contavam justamente com a exasperação e o desespero do eleitor para espalhar desinformação, alimentar medos e preconceitos, interpretar estereótipos, fazer assistencialismo, confundir e tirar algum benefício do caos.

A cidade esteve perto sim de cavar mais alguns palmos no fundo do poço, e é de se esperar que Justiça faça agora a sua parte e a população não se esqueça de quem é quem.

Derrotados

De fato, não foram apenas grupos políticos que foram derrotados, mas todo um modo rasteiro de fazer política, baseado, sobretudo, em populismo barato e mentiras espalhadas por vozes de aluguel em redes sociais e grupos de WhatsApp.

De forma impiedosa as urnas mostraram que os elogios e ataques unilaterais promovidos sem cessar por essa turma - que vive tentando valorizar o próprio passe junto aos políticos que os financiam -, no fim das contas foram peso morto, fizeram muito pouca diferença.

Posicionamentos vendidos, no frigir dos ovos, possuem traços em comum.

Gratidão

Por outro lado, o jornal que tantos atacam, que “embrulha peixe”, com sua postura de não se vender e a isenção de quem dá espaço a críticas e notícias positivas conforme cada ato faça por merecer, goza da confiança de quem leva a própria opinião a sério e se torna obstáculo a quem é pago para aumentar o distanciamento entre aquilo que é feito e aquilo que é noticiado.

De fato, em meio a todos os ataques sofridos nesses últimos dias, as manifestações de apoio por parte dos leitores contam-se às centenas, bem como são numerosos e espontâneos os comentários em defesa do jornal em postagens difamatórias.

A todos os leitores que nos dão este respaldo, nosso muito obrigado.

Tônica

E é importante que todos saibam que essa deve ser a tônica dos próximos anos.

O prefeito eleito sinaliza a disposição para enfrentar esquemas longamente enraizados na administração municipal, seguindo em rota de colisão com interesses que certamente hão de revidar.

E sabemos que não faltam difamadores ansiosos por financiamento para que o ataquem, dizendo o que seus senhorios não poderiam falar publicamente.

A se confirmar tal expectativa, a difamação tende a ser intensa.

Em espera

Este colunista, por tudo o que viu nos últimos quatro anos, está dando um voto de confiança a Johnny Maycon e aguardando pelos fatos.

Se o novo prefeito mantiver a postura que adotou no Legislativo e realmente comprar essas brigas, cortar boquinhas, revisar contratos deficitários e enfrentar o toma lá dá cá, encontrará neste espaço o respaldo necessário.

Desnecessário dizer que, se tomar os rumos adotados por governos recentes, encontrará as mesmas críticas que seus antecessores encontraram.

A torcida, contudo, sempre foi e sempre será a favor.

Ler o momento

De todo modo, o importante é que o cidadão esteja atento, porque no fim das contas é o apoio popular que dará forças (ou não) a todo este enfrentamento.

A população quer realmente mudança e renovação?

Quer de verdade o fim de privilégios, de contratos suspeitos, da falta de transparência, de nomeações ou caminhos para furar filas?

Se sim, então o momento é de cobrar quem prometeu tudo isso, e também de lhe dar sugestões e o crédito necessário, prestando menos atenção a quem depende da perpetuação de políticos chantageáveis para que possa sobreviver.

Até qualquer dia

A coluna de hoje se encerra com uma nota muito triste, lamentando o falecimento do querido Padre Salomão.

Homem desprovido de qualquer interesse pessoal, qualquer vestígio de malícia ou ambição, que dedicou a vida inteiramente ao próximo, sempre feliz por servir.

Que privilégio o de quem teve oportunidade de conviver e aprender com ele, tanta sabedoria inata em sua simplicidade e seu silêncio, tanto exemplo a ser seguido.

Vá com Deus, querido amigo. E obrigado por tudo.

Já sentimos saudades.

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A memória sobre o 11º Batalhão de Polícia Militar

quinta-feira, 19 de novembro de 2020
por Jornal A Voz da Serra

Com a chegada da Corte portuguesa ao Brasil, um dos primeiros atos do príncipe-regente D. João VI foi organizar o serviço policial no Rio de Janeiro. Instituiu em 5 de abril de 1808 a Intendência Geral da Polícia da Corte, criando o cargo de intendente geral da Polícia. Já a Polícia Militar foi criada em 13 de maio de 1809 com a denominação de Divisão Militar da Guarda Real de Polícia. Inicialmente foi constituída de três companhias de infantaria e uma de cavalaria.

Com a chegada da Corte portuguesa ao Brasil, um dos primeiros atos do príncipe-regente D. João VI foi organizar o serviço policial no Rio de Janeiro. Instituiu em 5 de abril de 1808 a Intendência Geral da Polícia da Corte, criando o cargo de intendente geral da Polícia. Já a Polícia Militar foi criada em 13 de maio de 1809 com a denominação de Divisão Militar da Guarda Real de Polícia. Inicialmente foi constituída de três companhias de infantaria e uma de cavalaria. No ano de 1858 transformou-se no Corpo Militar da Polícia da Corte e a receita para pagar o salário dos membros da corporação provinha do aluguel do patrimônio próprio, soltura das cadeias e calabouços, aplicação de açoites em escravos a pedido dos senhores, entre outras receitas. Recomendo a leitura do livro “Polícia no Rio de Janeiro, repressão e resistência numa cidade do século XIX” de Thomas Holloway para conhecer a história desta instituição.

Entrevistei o friburguense e tenente-coronel aposentado Newton Imbroinise que foi o primeiro comandante da Polícia Militar no município, o 11° Batalhão. Formado em direito, engenharia e história, Imbroinise nos informa o motivo pelo qual, entre as três cidades serranas, o município de Nova Friburgo foi o escolhido para abrigar o quartel. Em plena ditadura militar o comando do Primeiro Exército via a necessidade de estabelecer um quartel na região serrana do estado fluminense. Municípios como Petrópolis e Teresópolis com residências de veraneio de alguns generais, como de Ernesto Geisel, eram, inicialmente, os mais indicados.

Participando da reunião Newton Imbroinise argumentou que Nova Friburgo tinha notadamente mais necessidade de um quartel pois possuía aproximadamente quatro mil operários e havia infiltração do partido comunista nas indústrias têxteis. Cumpre destacar que até então era o Sanatório Naval quem servia de força auxiliar em caso de distúrbios. O “jipe do Sanatório Naval vai descer” era um sinal de alerta para os que ameaçavam desafiar a ordem na cidade.

Diante da argumentação de Imbroinise o comando do Primeiro Exército deu prioridade a Nova Friburgo. A primeira instalação da Polícia Militar foi na avenida entre as ruas Fernando Bizzoto e Oliveira Botelho acomodada em uma residência alugada pelo estado. Para instalar o quartel definitivamente ofereceram a Imbroinise o Lazareto, hospital que funcionava para acolher pacientes em caso de epidemias com doenças infectocontagiosas, como ocorreu com a gripe espanhola no município. Imbroinise não aceitou instalar o quartel em um local insalubre e resolveu tomar posse da antiga estação de trem. Tratava-se de uma estação de carga inaugurada em 15 de junho de 1933 na Chácara do Gambá, denominada de Estação Friburgo-Cargas.

Com o fim a linha férrea em 1964 a estação foi ocupada por famílias de funcionários da extinta Estrada de Ferro Leopoldina que residiam nos seus prédios. Imbroinise promoveu a remoção das famílias do local e deu início às obras para a instalação do quartel. Para tanto contou com a ajuda da Associação Comercial, Industrial e Agrícola e empresários locais. O auxílio do médico Feliciano da Costa, ex comandante e capitão de corveta do Sanatório Naval na terraplanagem e realização das obras foi fundamental.

Finalmente o quartel foi inaugurado em 1971. Imbroinise recusou praças domiciliados fora do município pois tinha ciência que era hábito enviarem policiais com problemas de disciplina para os pequenos quartéis. Como friburguense desejava policiais naturais de Nova Friburgo. No entanto ninguém queria ser policial. Ele foi para a porta das fábricas em uma kombi com um alto-falante tentando convencer operários a se tornarem policiais. Todavia foi difícil pois o salário de um policial estava aquém do que pagavam as fábricas. Fazendo uso de outras estratégias e com muito esforço conseguiu arregimentar 15 soldados, todos friburguenses.

De acordo com o sargento Braulio Batista Gomes atualmente o 11° Batalhão cobre oito municípios. Além de Nova Friburgo, Bom Jardim, Duas Barras, Cordeiro, Cantagalo, Macuco, Trajano de Moraes e Santa Maria Madalena. Porém no passado o quartel era responsável pela segurança de 17 municípios.

Além de atuar na polícia política monitorando os comunistas o comandante tinha entre as suas atribuições os crimes que ocorriam na cidade. O mais marcante foi o caso do “criminoso das Braunes”. Tratava-se de um indivíduo que tinha o hábito de esfaquear os homens que namoravam garotas nos automóveis e atuava somente no bairro das Braunes. Foram 11 as vítimas mas nenhum caso fatal. Por meio de investigação conseguiram prender o criminoso.

De outros casos pitorescos Imbroinise se recorda que havia escaramuças entre os policiais e os marinheiros das colônias de férias, o conhecido “conflito de fardas”. Se refere com orgulho que a Polícia Militar lutou na Guerra do Paraguai formando o 12º Corpo de Voluntários da Pátria, conhecidos como treme-terra. Segundo ele quem matou o comandante das Forças Armadas Solano López na Guerra do Paraguai foi o cabo Chico Diabo, mas quem prendeu o ditador foi o friburguense Sargento Pardal. Em sua homenagem a Câmara Municipal deu nome a uma rua no bairro de Olaria de Cândido Pardal.

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    A estação de trem passa a ser a sede do 11° Batalhão

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    Antigo uniforme com capacete norte-americano

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    O criminoso das Braunes sorri para o fotógrafo

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A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

Por que ser honesto?

quinta-feira, 19 de novembro de 2020
por Jornal A Voz da Serra

Existe um motivo para ser honesto que realmente nos impeça de mentir? O médico Alex Lickerman escreveu um interessante artigo com o título acima que foi publicado em 23 de fevereiro de 2014 no site www.psychologytoday.com. ,Vou compartilhar com você agora algumas ideias dele e minhas sobre este tópico.

Existe um motivo para ser honesto que realmente nos impeça de mentir? O médico Alex Lickerman escreveu um interessante artigo com o título acima que foi publicado em 23 de fevereiro de 2014 no site www.psychologytoday.com. ,Vou compartilhar com você agora algumas ideias dele e minhas sobre este tópico.

Podemos mentir de formas variadas e às vezes meio subconscientemente. Porém, a maioria de nós mesmo mentindo se considera honesta. Há alguns anos li um artigo excelente no Jornal do Brasil onde foi explicado sobre a razão pela qual políticos mentem de forma cínica sem aparentar nenhum remorso ou preocupação com isso. O articulista dizia que eles mentem porque acreditam na mentira como sendo verdade.

Talvez isso seja verdade para alguns. Só para alguns. Quando um político promete que vai construir hospitais, creches, estradas, parques públicos, viadutos, escolas, pode não necessariamente sofrer de megalomania, mas acreditar que será capaz de fazer tudo isso em quatro anos de mandato. É como se fosse uma ingenuidade. Mas a maioria não é ingênua quando promete isto nas campanhas para serem eleitos. Eles mentem conscientemente e querem ludibriar os indivíduos movidos pela emoção, ou por alguma doação miserável de cesta básica, tijolos e cimento para construção, ou algo correspondente.

No livro “The (Honest) Truth About Dishonesty”, “A (honesta) verdade sobre desonestidade”, Dan Ariely oferece evidências de que somos capazes de acreditar que somos honestos, embora mentimos ou trapaceamos fazendo isso às vezes apenas de pequenas maneiras. Portanto, somos capazes de dizer a nós mesmos que somos honestos e que só somos desonestos das maneiras que achamos não importar. É possível você mentir ou trapacear de pequenas maneiras que lhe dê vantagens, mas ainda assim ver a si mesmo como fundamentalmente honesto. Que maluquice, não é?

Lickerman afirma que há bons motivos para você ser honesto, mesmo quando acha que não precisa ser. Vejam três deles: Ao contar uma pequena mentira você corre o risco de ser desmascarado e ser revelado como mentiroso, o que não só prejudica sua reputação, mas também reduz a tendência dos outros confiar em você. Além disso, uma mentira frequentemente leva à necessidade de contar outra mentira talvez maior, com risco de consequências negativas mais complexas serem descobertas. Você não pode prever as consequências de contar uma pequena mentira e, se essas consequências forem mais ruins do que você esperava, seu senso de responsabilidade e, portanto, a culpa pode causar muito mais angústia do que você imagina.

Mas cabe uma pergunta: será que os corruptos sentem angústia devido aos seus atos desonestos? Será que quando deitam em sua cama de noite para dormir surge tristeza por pensar que está roubando a população? Os corruptos têm remorso? O que é, e quem é que os domina a ponto de arranjarem desculpa para suas atitudes corruptas e não terem senso de culpa, arrependimento? Será que o corrupto domina a si mesmo, ou será que é dominado, e, equivocadamente alega ser livre?

Dr. Alex levanta uma pergunta parafraseada aqui: “O que torna a mentira tão atraente que leva o corrupto a praticá-la frequentemente? Em geral é para obter a vantagem da proteção. Que proteção? De si mesmo. O corrupto mente para se proteger da maldade que pratica ou está intencionando a praticar. Mente cinicamente diante de uma CPI para evitar constrangimento, vergonha, conflito, perda da função, prisão.

Mente por causa de conflitos de interesses, para conseguir o que deseja, geralmente para obter riqueza material de modo fácil e rápido. Mente para tentar passar uma imagem boa de si para a comunidade, para tentar obter respeito das pessoas, para fingir que é virtuoso, escondendo, temporariamente, a verdade de seu caráter corrupto. O que você, que é corrupto, diz para seu filho e para sua filha, ambos adolescentes, que vê a mansão que você comprou roubando dinheiro público, e pergunta: “Papai, como você conseguiu comprar esta imensa casa neste condomínio de luxo?”

Viver na mentira perpetua o estresse. Embota o cérebro. Prejudica o sistema imunológico. Rouba a paz mental. Produz mais sofrimento na comunidade. É verdade, pode fornecer um nível econômico de vida de classe social alta. Mas há uma imensa diferença entre boa qualidade de vida (física, mental e espiritual) e alto padrão de vida. Uma coisa não está necessariamente atrelada à outra. Os corruptos não são felizes e não possuem paz.

Sendo honesto e honesta, na sua família, no trabalho, na sua comunidade religiosa, na sua função no Poder Legislativo, Executivo e Judiciário, muitas pessoas serão ajudadas, e você prestará imenso benefício para o alívio do sofrimento humano comunitário. Não é esta uma das melhores gratificações na vida?

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Johnny

quarta-feira, 18 de novembro de 2020
por Jornal A Voz da Serra

Para pensar:
"O otimista é um tolo. O pessimista, um chato. Bom mesmo é ser um realista esperançoso.”
Ariano Suassuna

Para refletir:
“O fim da esperança é o começo da morte.”
Charles de Gaulle

Johnny

Ao longo dos últimos quatro anos, fazendo a cobertura das atividades do Legislativo municipal, este colunista teve oportunidade de conviver bastante com o novo prefeito eleito de Nova Friburgo, vereador Johnny Maycon.

Para pensar:
"O otimista é um tolo. O pessimista, um chato. Bom mesmo é ser um realista esperançoso.”
Ariano Suassuna

Para refletir:
“O fim da esperança é o começo da morte.”
Charles de Gaulle

Johnny

Ao longo dos últimos quatro anos, fazendo a cobertura das atividades do Legislativo municipal, este colunista teve oportunidade de conviver bastante com o novo prefeito eleito de Nova Friburgo, vereador Johnny Maycon.

Agora, diante do resultado das eleições, parece oportuno falar um pouco sobre essa experiência, e o tipo de expectativas que ela levanta quanto ao que se pode esperar da próxima administração municipal, caso sua conduta não venha a se alterar.

Caráter

A primeira e talvez mais importante coisa a se registrar é que Johnny Maycon é um rapaz sério, que verdadeiramente acredita nas coisas que diz, e é coerente com elas.

Características que obviamente deveriam ser pressupostos na vida pública (e também fora dela), mas que no contexto político brasileiro e friburguense atual acabam sendo dignas de nota.

Testado

Aos 31 anos ele assumiu seu primeiro mandato na Câmara Municipal, sendo confrontado logo de cara com um governo que constantemente testou o quanto cada vereador estava apto a exercer suas funções e disposto a fiscalizar e se envolver.

E é justo reconhecer que Johnny foi um dos poucos que passaram nesse teste, entre os parlamentares da atual legislatura.

Aprendizado (1)

É também notório que o prefeito eleito aprendeu muito sobre o funcionamento das instituições e sobre os problemas da gestão municipal ao longo de seu primeiro mandato.

Algo que fica claro não apenas na evolução de seus discursos, mas na qualidade e na efetividade de suas ações fiscalizatórias.

Aprendizado (2)

Claro que ele tem apenas 35 anos, e não escapa às características da juventude, para o bem ou para o mal.

E é óbvio que, quando tiver 39 e encerrar o novo mandato, terá muito mais experiência e conhecimento do que tem agora.

Ainda assim, sua experiência não deve ser desprezada.

Além disso, já foram dadas demonstrações de que Johnny aprende rápido.

Desafios

Além de todos os desafios complexos que tem pela frente, basicamente envolvendo o enfrentamento da(s) crise(s) decorrente(s) da Covid-19, Johnny também tem consciência de que foi eleito com o apoio de pequena parcela da população, em grande parte (mas não integralmente) condensada na comunidade evangélica friburguense.

Diversos setores de nossa sociedade o encaram com desconfiança, e parece claro que os tradicionais mandatários do município não se reconhecem nele.

Independência

Parte dessa desconfiança advém de sua filiação partidária, e a julgar pela conjuntura nacional certamente haveria bons motivos para tais ressalvas.

Ainda assim, o convívio próximo deixa claro que o prefeito eleito não deverá se dobrar a qualquer influência partidária com a qual não concorde, e a forma como o  Republicanos instruiu que o partido compusesse a base do governo Renato Bravo é bom exemplo disso.

Chantagistas (1)

A difícil missão de desconstruir a desconfiança junto a esses setores e assegurar apoio popular suficiente para as medidas que precisam ser tomadas certamente não será facilitada pelos ataques que com certeza irá sofrer.

Na Câmara Municipal há um bom punhado de vereadores cujas reeleições sustentam-se sobre assistencialismo, sobre a obtenção de empregos e gratificações, e é de se esperar que essa turma reaja fortemente à anunciada determinação de não negociar cargos para obtenção de base de governo.

Um dos caminhos, claro, será tentar entregar a presidência a um desses chantagistas.

Falaremos sobre isso em breve.

Chantagistas (2)

Além disso, também na comunicação, sobretudo em redes sociais, é grande o contingente de párias, de difamadores profissionais, pessoas que ganham a vida chantageando, vendendo elogios ou ataques mentirosos, e seria demais imaginar que agora, sem luta, essa turminha vai espalhar currículos e procurar emprego.

Antes, é claro, vão tentar valorizar os próprios passes, fazer parecer que têm alguma influência ou relevância, como se o recente resultado das urnas não tivesse deixado claro o suficiente que falam apenas para si mesmos e não são levados a sério por ninguém que se dê ao respeito.

Voto de confiança

Apesar de todo este contexto, contudo, a cidade faria bem ao dar um voto de confiança ao prefeito que acabou de eleger.

Primeiro, obviamente, porque ninguém ganha se a cidade não estiver indo bem, e depois porque a fragmentação política, o vácuo de lideranças, a falta de referências, a descrença crescente reservada aos governantes e a falta de renovação nos cargos eletivos têm exposto Nova Friburgo a enormes riscos, e são situações que não podem mais esperar para que comecem a ser revertidas.

Apoio necessário

Medidas como privilegiar a memória administrativa e dar preferência a servidores de carreira na composição dos primeiros escalões da equipe de governo há muito são aguardadas e só podem ser elogiadas.

Da mesma forma, a disposição para retomar alguns serviços terceirizados que há tempos acumulam suspeitas com relação aos valores investidos também precisa contar com apoio da população, pois irá mexer com interesses pesados, certamente dispostos a financiar campanhas de difamação.

Caminho certo

Atuando como vereador, Johnny acertou muito mais do que errou.

Existem sim arestas que podem e talvez precisem ser aparadas, mas o tempo joga a seu favor.

Se, ao longo dos próximos anos, o prefeito eleito preservar os princípios e mantiver a curva de aprendizado que marcaram sua passagem pelo Legislativo, então encontrará neste espaço mais elogios do que críticas.

Esperança

Assim como dissemos anteriormente a todos os prefeitos, o espaço está aberto para qualquer esclarecimento que se faça necessário à população, qualquer notícia de interesse público.

A única contrapartida que esperamos é a de um governo sério, comprometido com o interesse coletivo, que saiba lidar com denúncias ou críticas construtivas de maneira madura e producente.

Boa sorte, Johnny.

Este colunista torce por você.

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Não é Johnny Mathis, mas é Johnny Maycon

quarta-feira, 18 de novembro de 2020
por Jornal A Voz da Serra

Trata-se apenas de uma comparação, pois o primeiro um cantor famoso na década de 1960, tem muito a ver com a carreira meteórica do prefeito eleito, em Nova Friburgo, no último domingo, 15. O cantor lançou seu primeiro álbum, nos Estados Unidos, no ano de 1956 e em 1957, após sua aparição no show de Ed Sulivan, ficou célebre e sua carreira deslanchou, aos 32 anos de idade.

Trata-se apenas de uma comparação, pois o primeiro um cantor famoso na década de 1960, tem muito a ver com a carreira meteórica do prefeito eleito, em Nova Friburgo, no último domingo, 15. O cantor lançou seu primeiro álbum, nos Estados Unidos, no ano de 1956 e em 1957, após sua aparição no show de Ed Sulivan, ficou célebre e sua carreira deslanchou, aos 32 anos de idade.

Johnny Maycon (Partido Republicanos) é o novo prefeito de Nova Friburgo. A confirmação se deu às 22h50 do último domingo, após quase seis horas de muita tensão e expectativa decorrentes de um processo de apuração e divulgação sensivelmente mais lento do que em eleições anteriores.  Johnny tem 35 anos e é engenheiro mecânico formado pela Uerj. Ele foi eleito em 2016 como vereador e cumpre o primeiro mandato no Legislativo. Portanto, em pouquíssimo tempo atinge o mais alto grau da política friburguense e, consolida uma tendência atual que é a de sacudir o bolor de velhos caciques e apostar no sangue novo, não comprometido ainda com o que a de pior na política brasileira.

No Facebook colhi algumas informações como a de que como vereador, Johnny foi presidente da Comissão Especial que reformulou a Lei Orgânica do Município após quase três décadas. Foi presidente da CPI que apontou fraude e superfaturamento superior a R$ 1 milhão na prestação do serviço de alimentação do Hospital Municipal Raul Sertã. Realizou inúmeras denúncias de corrupção da gestão pública municipal tendo por duas vezes culminado em operações da PF. Apresentou vários projetos que visam combater o sistema, gerar benefícios à população e dar transparência aos atos da administração pública municipal.

Aliás, é o que se espera de todo homem público, seja qual o cargo que ocupar. É também membro da Igreja do Evangelho Quadrangular onde exerceu o cargo de secretário regional de Missões e coordenador regional de Jovens; foi ordenado pastor e é professor do Instituto Teológico.

Não resta a menor dúvida de que, em princípio, o novo prefeito tem tudo para acertar e, quem sabe, dar a essa cidade um chefe de governo que há muito tempo não vemos sentado na cadeira principal do Palácio Barão de Nova Friburgo. O único senão, opinião minha e que posso mudar se me mostrarem que estou errado, é que no meu ponto de vista, não se mistura religião com política, pois ambos são diametralmente opostos, já que a primeira trata dos aspectos espirituais do ser humano e a segunda, lida com a materialidade da vida terrena. Mas, é claro quem uma pessoa inteligente e que esteja imbuída de prestar um bom serviço à comunidade, saberá separar com transparência uma coisa da outra.

Johnny eu não lhe conheço, mas desejo que ao ser empossado prefeito de Nova Friburgo, para o quatriênio 2021-2024, você seja um diferencial na vida política de nossa cidade, pois pior do que a atual administração, uma das mais desastradas dos últimos tempos, acredito que a sua não será. Renato Bravo foi hors concours, basta ver o índice de rejeição que os eleitores lhe reservaram, com seus pífios 3.540 votos, 3,70% do total, abaixo dos nulos que foram 3,87%.

Sua missão não será fácil, pois há muito a fazer numa cidade esburacada, mal conservada, mal iluminada, com um funcionalismo mal remunerado, jogada às traças, mesmo. O pior é que como 2020 foi um ano terrível, em que muitos empresários faliram e muitas lojas fecharam suas portas, a arrecadação será menor, mas os encargos continuarão e haja criatividade para honrá-los.

Não fui seu eleitor, mas como friburguense de coração torço para que a sua administração seja um diferencial e deixe claro que a renovação na política, seja aonde for, é uma questão de sobrevivência e de arejamento para uma classe que ano a ano perde a confiança dos eleitores. Mesmo se levarmos em conta a pandemia atual, o índice de abstenção e de votos nulos, da eleição que se finda, no estado do Rio de Janeiro, foi uma das maiores dos últimos tempos.

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