Por cima plumas e paetês, por baixo cueiro só

Max Wolosker

Max Wolosker

Economia, saúde, política, turismo, cultura, futebol. Essa é a miscelânea da coluna semanal de Max Wolosker, médico e jornalista, sobre tudo e sobre todos, doa a quem doer.

terça-feira, 09 de janeiro de 2024

Esse ditado popular se encaixa como uma luva à Nova Friburgo. O prefeito atual, Johnny Maycon, vem tentando incrementar o lado turístico da cidade, promovendo eventos, ao longo do seu mandato; com isso, movimenta o comércio local, aumentando a taxa de ocupação dos hotéis e enchendo os nossos restaurantes.  A característica gastronômica de Friburgo melhorou muito com a abertura de novos e a consolidação dos restaurantes já existentes. Cônego, Mury, Centro têm estabelecimentos de qualidade, com pratos da cozinha nacional e internacional, de deixar água na boca. Sem falar nos específicos de comida alemã, árabe, japonesa e italiana. Isso é patente com a divulgação pela Rota 116, empresa que administra a estrada que é o principal meio de acesso a Friburgo para quem vem do Rio de Janeiro, de que nos feriados de Natal e Ano Novo, mais de 180 mil veículos circularam pela rodovia RJ-116.

Mas, a verdade é que Nova Friburgo está jogada às traças. Uma pessoa que conheço, que aqui esteve em agosto do ano passado me falou que ficou impressionada com o mau estado de conservação da cidade. Ruas esburacadas e com mato crescendo por todos os lados, trânsito caótico, sinalização deficiente e muito lixo espalhado pelo chão.

Sou morador do Cônego, um dos IPTUS mais caros da cidade e sei como está o bairro, em matéria de abandono. Em frente a padaria Celta, existe um lixão coletivo, ali colocado para recolher o lixo do comércio. Só que ele cresceu, o volume do lixo aumentou e no final da tarde a calçada está suja, com o transbordamento da lixeira. Além disso, conta-se ainda com os catadores de lixo que contribuem para o emporcalhamento geral. Se fosse maior e fechada, a impressão de sujeira desapareceria. Tenho caminhado todas as terças, quintas e sábados não mais na Via Expressa, mas na Rua Maria Francelina Barroso, na saída dela, à direita. Ali é uma temeridade, com calçadas esburacadas, mato crescendo entre os paralelepípedos, desnivelamento e buracos ao longo dessa via pública, o que torna o trânsito moroso e perigoso. Sem falar no início dela, onde o mato está tão alto que dificulta a locomoção dos pedestres na calçada.

Na Rua Dom João VI, que liga o Cônego ao bairro Cascatinha, o mesmo quadro se apresenta acrescido de quebra-molas, um mal necessário, reconheço, única maneira eficaz de combater os abusos de velocidade de motoristas inescrupulosos. O problema é que não são padronizados nem conservados, com uma mão de tinta de tempos em tempos. Daí que mesmo em velocidade muito baixa o risco de danificar a suspensão dos carros é muito grande. Sem falar que à noite, quem não conhece o bairro e, mesmo os que conhecem, estão sujeitos a provocarem sérios acidentes. A quantidade de crateras e de remendos malfeitos no calçamento, são mais um agravante do desmazelo da administração municipal para com os seus moradores. Sem falar na concessão desenfreada para a construção de novos condomínios, casas e edifícios o que torna o trânsito mais caótico.

É claro que com tudo isso os cofres da prefeitura engordam, e não só o dela, mas ninguém leva em conta que o bairro não tem uma barragem e sim, coleção de água, o que coloca em risco o fornecimento do precioso líquido para os moradores, Aliás, pouca gente sabe, que pelas mãos do então prefeito Paulo Azevedo, uma parte dessa água foi desviada para o Alto de Olaria.

É claro que não podemos imputar esse descaso a um prefeito específico, pois isso vem ocorrendo com o passar das administrações. Claro está que tapar buracos não rende muitos votos e, no final das contas, é o que interessa para alcaides e vereadores. Na realidade, depois de eleitos só se preocupam com obras que possam render frutos nas próximas eleições. No entanto, o prefeito da vez tem de ser cobrado, pois foi nele que o eleitor depositou seus votos, na esperança de desfrutar de uma melhor qualidade de vida.

O que Johnny Maycon esquece é que uma cidade para encantar turistas e dar vontade de voltar outras vezes é, além do oferecimento de bons eventos, apresentar uma cidade limpa, bem cuidada e que encante os olhos com suas belezas naturais e aquelas deixadas pelo homem. Um exemplo disso é o descaso com a Avenida Alberto Braune que merecia uma ação conjunta de lojistas e administração pública, para melhorar o seu visual. O mesmo se aplica à Praça Dermeval Barbosa Moreira, um dos cartões postais da cidade. Um paisagista profissional saberia cuidar muito bem daquele visual e transformá-la na menina dos olhos da cidade.

Não deve ser muito trabalhoso transformar o “cueiro só”, em “rendas e bordados”.

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