Inadmissível

sexta-feira, 27 de novembro de 2020

Para pensar:
"Não são as ervas más que afogam a boa semente, e sim a negligência do lavrador.”
Confúcio

Para refletir:
“A covardia é a mãe da crueldade.”
Michel de Montaigne

Inadmissível

A coluna falou ontem, 26, a respeito das dietas enterais, próprias para pacientes intubados, que desde o último sábado, 21, se esgotaram nos estoques do Hospital Raul Sertã.

Também lembramos que, ao longo dos últimos meses, em duas oportunidades o estoque chegou a níveis críticos e a coluna atuou nos bastidores para informar a Secretaria Municipal de Saúde sobre o problema a fim de que pacientes em situação muito fragilizada não ficassem desguarnecidos.

Aos que gostam de dizer que a coluna só faz criticar, fica aí registrado um bom exemplo do tipo de atuação colaborativa que sempre tentamos estabelecer.

Sério demais

Pois bem, a coluna consultou dois nutricionistas a respeito da gravidade desta situação, e recebeu respostas para lá de alarmantes.

Usando termos bem mais pesados do que estes, os profissionais disseram que sim, a falta de dietas enterais pode sim agravar os quadros clínicos de quem já está lutando pela vida.

E isso, meus amigos, é sério demais.

Pode haver atenuantes, mas não há justificativas.

É o tipo de coisa que simplesmente não pode acontecer.

Início difícil

A situação envolvendo as dietas enterais - e a promessa é de que os estoques serão abastecidos hoje - serve também como indicativo do tipo de situação que a próxima gestão municipal irá encontrar.

Os procedimentos licitatórios para fornecimento de alimentação hospitalar, por exemplo, não devem ser concluídos a tempo de serem aproveitados pelo próximo governo em seus primeiros dias.

E aí o que acontece? Contrato emergencial, é lógico.

Leviandade

Para quem acompanha nossa política com a devida proximidade está muito fácil antever o quadro que se desenha, e é importante que a população esteja a par dos fatos, porque as campanhas de desinformação serão intensas e constantes.

O leitor certamente verá, por exemplo, muitas postagens atacando o próximo governo por contratos emergenciais em seus primeiros dias, ironizando o fato do vereador Johnny Maycon ter se posicionado tantas vezes contra eles, e eliminando das narrativas todo o contexto deixado pela atual gestão que, em alguns casos, não deixa outra alternativa imediata.

Pais e filhos

É evidente que se contratos emergenciais se tornarem uma prática ou continuarem a acontecer após o prazo necessário para regularização dos processos, então algo estará errado.

Não seria razoável, no entanto, responsabilizar este ou qualquer outro governo pelo cenário que encontra ao assumir um novo mandato.

Exceto, é claro, em casos de reeleição.

Destrancou

Conforme a coluna havia previsto, a pauta da Câmara Municipal foi destrancada para a sessão ordinária desta quinta-feira, 26, na medida em que o projeto do Executivo que solicitava autorização legislativa para abertura de crédito suplementar superior a R$ 2,7 milhões para aquisição de cestas básicas utilizando recursos do combate à Covid-19 foi apreciado, primeiro pela Comissão de Constituição e Justiça, e depois pelo plenário.

Resumo

A VOZ DA SERRA publica na página 3 desta edição reportagem sobre o contexto desta apreciação, mas a coluna pode resumir dizendo que, por mais desconfortável que estivesse com a forma como se deu todo o episódio, os vereadores jamais votariam contra a distribuição de cestas básicas, tanto mais num contexto em que parcela tão grande de nossa população efetivamente depende de suporte momentâneo para a manutenção de condições mínimas de sobrevivência digna.

Grilos

As vozes, todavia, que começaram a espalhar em redes sociais e grupos de WhatsApp que a distribuição de cestas básicas estava interrompida por responsabilidade da Câmara Municipal foram, mais uma vez, tendenciosas e reducionistas, posto que o contexto é mesmo delicado e demandava debates.

As últimas eleições, no entanto, deixaram bem claro que vozes levianas são acolhidas por um número cada vez menor de pessoas.

Que bom.

Alívio

Em meio a todas as tensões que permeiam os corredores da Câmara Municipal atualmente, a sessão desta quinta-feira, 26, teve um momento de bem-vindo alívio graças ao talento da jovem cantora Tatila Krau, que nessa oportunidade recebeu seu (justíssimo) título de cidadã friburguense, por intermédio do vereador Zezinho do Caminhão.

Após a deliberação de todas as matérias, e antes que o tiroteio recomeçasse nos discursos finais, durante alguns minutos todos tiveram a chance de relaxar ao som de uma das mais belas vozes do Brasil cantando o clássico “Tente outra vez”, de Raul Seixas e Paulo Coelho.

A chamada Casa do Povo faria bem se tivesse mais momentos como esse.

Vale ver

Aliás, a interpretação de Tatila está disponível em meio a gravação da 74ª sessão ordinária, e se alguém se animar a ver, vale a pena continuar mais um pouco e ouvir também os discursos finais, em especial dos vereadores Marcinho e Zezinho do Caminhão, para uma compreensão um pouco mais ampla a respeito do que está acontecendo, e do que vem pela frente.

Nosso futuro

Diversas notícias publicadas nas páginas deste jornal sugerem uma escalada na violência, se não em números absolutos (informações que coluna não detém) ao menos em brutalidade e exposição.

Em meio a todas as dificuldades que aguardam o próximo governo, investir em urbanismo e promoção de condições mínimas de desenvolvimento das próximas gerações surge como uma frente que não pode ser negligenciada.

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