Três em cada dez cursos de medicina avaliados no Brasil apresentaram desempenho insatisfatório e serão alvo de sanções do Ministério da Educação (MEC). O dado faz parte do resultado do Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica), divulgado na última segunda-feira,19, que analisou 351 cursos em todo o país.
De acordo com o levantamento, ao menos 13 mil médicos formados em 2025 estudaram em faculdades que obtiveram conceito 1 ou 2, as duas notas mais baixas da escala, considerada não proficiente pelo MEC. Esse contingente representa cerca de 30% dos concluintes avaliados no exame.
No total, 107 cursos não alcançaram o desempenho esperado. Destes, 99 deverão sofrer algum tipo de sanção administrativa, que pode variar desde a proibição de aumento de vagas até a suspensão total de novos ingressos. Em casos mais graves e persistentes, as instituições correm risco de fechamento definitivo nos próximos anos. Para saber a lista completa das faculdades reprovadas é só acessar o Portal Gov.br/ Enamed.
O presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), José Hiran Gallo, classificou o cenário como alarmante. “Quando mais de um terço dos egressos obtém desempenho insuficiente pelo próprio MEC, estamos diante de um problema estrutural gravíssimo”, afirmou.
Entre os cursos avaliados, 243 ficaram nas faixas intermediárias (conceitos 3 a 5) do antigo Conceito Enade, enquanto apenas 49 alcançaram a nota máxima. Outros 24 receberam conceito 1, o menor possível, e um curso não foi avaliado por não ter estudantes concluintes inscritos.
Sobre o Enamed
O Enamed é uma nova avaliação criada pelo MEC e aplicada pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais). O exame substitui o Enade para os cursos de medicina, ampliando o número de questões de 40 para 100, com foco na avaliação da qualidade da formação médica e da proficiência dos estudantes. A partir de 2026, a prova também será aplicada aos alunos do 4º ano do curso e deverá servir como etapa unificada para o ingresso na residência médica.
Desigualdade regional
Os resultados revelam grandes disparidades entre as regiões do país. O Norte apresentou o pior desempenho proporcional, com 47% dos cursos avaliados recebendo conceitos 1 ou 2 e apenas um curso com nota máxima. No Centro-Oeste, 40% dos cursos tiveram desempenho insatisfatório, com destaque negativo para o estado de Goiás.
O Nordeste ficou próximo da média nacional, com 30% dos cursos reprovados. No Sudeste, onde está o maior número absoluto de faculdades de medicina, 32% receberam conceitos insuficientes. Chama atenção o caso do Rio de Janeiro: dos 22 cursos avaliados no estado, dez ficaram abaixo do mínimo aceitável e nenhum obteve conceito 5, situação inédita na região.
O Sul apresentou o melhor resultado proporcional, com apenas 14% dos cursos reprovados e o mesmo percentual alcançando a nota máxima.
Sanções e consequências
As penalidades previstas para os cursos com conceitos 1 e 2 incluem redução de vagas em 25% ou 50%, proibição de novos ingressos, suspensão total do curso e restrição ao acesso a programas federais, como o Fundo de Financiamento do Estudante do Ensino Superior (Fies). As instituições terão prazo de 30 dias para apresentar defesa. As sanções permanecerão válidas até a próxima edição do Enamed, prevista para outubro de 2026.
Quase 40 mil estudantes concluintes participaram do exame em 2025. Apenas 67% demonstraram proficiência considerada adequada para o exercício seguro da medicina.
Diante dos resultados, o CFM e a Associação Médica Brasileira (AMB) voltaram a defender a criação de um exame nacional de proficiência para médicos, nos moldes do que já ocorre em outras profissões regulamentadas.
A Associação Nacional das Universidades Particulares (Anup) tentou barrar a divulgação dos resultados na Justiça, alegando falhas metodológicas e risco de dano reputacional às instituições.
O pedido foi negado, sob o entendimento de que a divulgação, por si só, não gera sanções automáticas e que o risco alegado era apenas hipotético. Para o MEC, as medidas têm caráter corretivo e visam conter a expansão de cursos com formação considerada inadequada, elevando o padrão da educação médica no país.
(Com informações da Agência Brasil, G1 e O Globo)

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