Rio das Ostras e Búzios voltam a interditar praias e impor novas restrições

Proibições de festas na areia e de novas hospedagens são algumas das medidas contra avanço da Covid. Friburgo descarta barreiras sanitárias
sexta-feira, 18 de dezembro de 2020
por Adriana Oliveira e Fernando Moreira ([email protected])
Rio das Ostras e Búzios voltam a interditar praias e impor novas restrições

A uma semana do início das festas de fim de ano, duas das cidades da Região dos Lagos mais frequentadas por friburguenses, Rio das Ostras e Búzios, decidiram dar um passo atrás na flexibilização das restrições para enfrentar o avanço do  coronavírus. As praias dos dois balneários estão sendo novamente interditadas. 

Em Rio das Ostras, festas de Natal e réveillon estão proibidas em locais públicos e restaurantes, assim como fogos, mesmo privados, nas praias, onde também não será permitida a montagem de tendas este ano.

Em resposta aos questionamentos de A VOZ DA SERRA sobre seguir ou não o exemplo dos municípios praianos, a Prefeitura de Nova Friburgo limitou-se a informar, por meio de nota,  que “deve manter todas as medidas atuais para o enfrentamento à Covid-19 neste final de ano. Isso inclui as ações de fiscalização para garantir o cumprimento dos decretos de flexibilização, conforme a bandeira em vigor”.

Indagada se não seria o caso de implantar barreiras sanitárias nos acessos da cidade, a prefeitura informou que, “a princípio, não serão implementadas, visto que os destinos mais procurados para o réveillon, até pelos próprios friburguenses, costumam ser as cidades de praia. Contudo, a prefeitura segue atenta à eventual mudança deste cenário”.

Portanto, pelo menos até este domingo, 20, seguem valendo em Nova Friburgo as medidas restritivas referentes ao estágio de bandeira vermelha, o segundo mais rígido da retomada gradual e segura das atividades. Nesta sexta-feira, 18,  o governo municipal anunciará a bandeira que passará a vigorar a partir da próxima segunda, 21.

Preocupação em Rio das Ostras

Em Rio das Ostras, coube à secretária municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo, Aurora Siqueira, explicar as novas medidas (foto), em vídeo gravado nas redes sociais oficiais da prefeitura nesta quarta-feira, 16.

“Acabamos de reunir o gabinete de crise. O comércio local está muito preocupado. Estamos entrando num colapso da saúde, com a economia já em colapso.  A gente espera o ano inteiro pelo turista, para movimentar a nossa economia, mas não é momento para isso. O turista vai chegar e, se passar mal, não teremos condições de atender. Temos que tomar medidas mais restritivas para este verão”, disse ela.

O decreto já em vigor no município vai ser renovado por mais 30 dias, com as seguintes medidas, entre novas e atuais:

  • Interdição da orla, com proibição de atividades desportivas  e da permanência de banhistas nas praias
  • Fechamento de clubes e das áreas coletivas de condomínios, como piscinas, saunas e quadras
  • Suspensão da prática de esportes coletivos
  • Ampliação do funcionamento do comércio das 9h às 21h, a fim de diluir o movimento nas lojas
  • Fiscalização do uso de máscaras faciais.
  • Restaurantes, bares, lanchonetes, depósitos e comércios afins não poderão funcionar nos dias 24, 25 e 31 de dezembro
  • Ficam proibidas toda e qualquer comemoração e festividade nos estabelecimentos de gastronomia e entretenimento, assim como em todos os locais públicos, áreas sociais de clubes e condomínios no mês de dezembro.
  • Continuam proibidos todos os tipos de eventos, pagos ou gratuitos; funcionamento de feiras livres, casas de festas, boates e casas de shows com venda ou não de ingressos.
  • Fica suspensa a execução de qualquer tipo de música, seja ambiente, voz e violão, banda, DJ, entre outros, em diversos estabelecimentos e locais públicos. 
  • Quiosques só podem dispor de quatro mesas na calçada e fica proibida a utilização da areia. Os demais estabelecimentos – restaurantes, bares, depósitos, bares com serviço completo de gastronomia e lanchonetes – não podem instalar mesas nas calçadas e têm capacidade máxima permitida de 30%.
  • Restaurantes, lanchonetes, bares com serviço de gastronomia completo, quiosques, ambulantes de qualquer natureza, cachorro quente ou qualquer outro lanche de rua, quer bebida ou comida, só podem funcionar até 23h. E bares e depósitos passam a funcionar até às 20h.
  • Fica mantida a proibição da venda e consumo de bebidas alcoólicas em balcões dos estabelecimentos de qualquer natureza, permitindo a comercialização apenas para retirada ou delivery.
  • Toque de recolher da meia-noite às 5h, com proibição do trânsito e  locomoção de pessoas, exceto em razão de atividades laborais. Nenhum estabelecimento comercial poderá estar aberto ou trabalhar em sistema de delivery ou drive-thru entre meia-noite e 6h.

“Está acontecendo muito agora a  transmissão de jovens para idosos, que estão pegando Covid mesmo sem sair de casa”, disse a secretária.

Em Búzios, prazo para hóspedes irem embora 

Por decisão judicial, Búzios também volta para bandeira vermelha a partir desta quinta, 17. Turistas já hospedados no balneário têm prazo de 72 horas para deixar hotéis, pousadas e imóveis de aluguel para temporada.

A bandeira vermelha sinaliza risco muito elevado de colapso da rede de saúde e a necessidade de isolamento social completo.

A decisão da 2ª Vara do município proíbe ainda novas reservas. A medida atende a pedido da Defensoria Pública e cabe recurso.

Além da paralisação do setor turístico, a decisão da Justiça obriga a prefeitura local a retroagir imediatamente com todas as medidas de flexibilização adotadas até agora. Todas as praias do balneário voltam a ficar interditadas.  Restaurantes voltam a funcionar somente em sistema de delivery e só está permitido o funcionamento de lojas de serviços essenciais, como farmácias, mercados, hortifrutigranjeiros, padarias, lojas de produtos para animais, distribuidoras de gás e água mineral, respeitando a ocupação máxima de 30% da capacidade.

Em nota, a  Prefeitura de Búzios informou que vai cumprir a determinação judicial, enquanto entra com recurso.

Protestos

Segundo o portal de notícias G1, trabalhadores de diferentes setores da economia protestaram contra a decisão da Justiça. Entre os manifestantes estão comerciantes, trabalhadores de hotéis, pousadas e pessoas que trabalham com passeios de barco. Os manifestantes tomaram a avenida principal e se direcionaram para a prefeitura, que fica ao lado do Fórum, com cartazes com frases como "Búzios não fecha" e "Lockdown não".

A Associação Comercial e Empresarial de Búzios disse que vai notificar representantes do Poder Executivo e do Judiciário solicitando o posicionamento de ambos sobre a atual situação sanitária do município e quais medidas podem ser realizadas para evitar "uma ação tão extrema e que pode acarretar resultados traumáticos à manutenção socioeconômica do município com consequências que se estenderão para além deste ano".

 

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