Segundo uma pesquisa feita pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), no ano passado, 53% da população brasileira não leram nem parte de um livro durante o ano. Isso mostra uma diminuição de cerca de 6,7 milhões de leitores no país.
Existem alguns projetos sociais em Nova Friburgo que estimulam crianças, jovens e adultos a cultivarem o hábito da leitura e a consumirem cada vez mais livros, como o projeto sociocultural “A árvore que dá livros”, que chega à sua 14ª edição.
O projeto existe desde 2012, e atualmente, conta com a organização das três idealizadoras: Rosangela Buarque, Luisa Machado e Scheila Santiago. A parceria surgiu através de uma fotografia na internet, uma árvore de natal composta por livros, vista por Rosangela e Luisa, que logo entraram em contato com Scheila para, juntas, aperfeiçoarem o projeto.
“A ideia que tivemos foi de uma árvore feita com livros doados para a comunidade. É uma iniciativa que tem como objetivo o incentivo à leitura para todos os públicos de todas as idades”, explica Rosangela.

O impacto social da Árvore é nítido. Desde sua primeira edição tornou-se um sucesso na cidade, arrecadando mais de 15 mil livros ao longo desses anos. Em 2012, foram doados cerca de 800 livros, apesar de muitos serem livros didáticos antigos, enciclopédias, e revistas com informações ultrapassadas, ao longo dos anos o público do projeto entendeu que o principal gênero doado deve ser o literário. Luisa conta que, “no último ano, a Árvore recebeu cerca de 1.500 livros, com uma pequena porcentagem sendo de livros didáticos”.
Ela também aponta que, desde a primeira edição, a participação de crianças e jovens é fundamental, e que, ao longo do tempo, o projeto incentivou cada vez mais a doação de livros para o público infantil. “Já houve edições que conseguimos montar até duas árvores, uma voltada exclusivamente para o público infantil. Além disso, contamos também com a parceria e divulgação do projeto em algumas escolas da cidade”, conta Luisa.
Ela reforça a missão do projeto de incentivar os mais novos a consumirem cada vez mais livros, mas também deixa claro a intenção do projeto: abranger todas as idades, sendo crianças, adolescentes, adultos e idosos. “Recebemos livros que agradam todos os públicos, e talvez esse seja o grande diferencial da Árvore. Ela é feita por todos, e para todos”, completa.
A leitura traz um grande desenvolvimento para jovens e adolescentes em formação, com a melhora da fala e da escrita, além de servir como inspiração para pequenos escritores brilharem e explorarem os gêneros literários.
Um exemplo dessa possibilidade é o jovem Conrado, que cresceu com o projeto. “Eu sempre gosto de lembrar da história do Conrado. Um rapaz que, na época, aos 13 anos, chegou à Árvore querendo doar exemplares do livro de poesias que ele mesmo havia escrito. Ele declamou algumas, emocionou muita gente, e desde então comparece à todas as edições do projeto”, relembra Luisa.
A edição de 2025 já está confirmada, com os últimos detalhes sendo definidos, e em breve mais informações serão divulgadas nas redes sociais. Os pontos de recolhimento de doação também serão definidos, e normalmente ficam em locais de grande movimento na cidade.
“O dia da Árvore que dá livros é sempre uma alegria para mim, e tenho certeza que esse ano não vai ser diferente. Nossa expectativa maior é justamente com a doação de livros voltados para o público infantil, para que possamos montar novamente uma Árvore só para os pequenos”, finaliza Rosangela.
Roda de leitura infantil
Em 2025, mais um projeto surgiu em Nova Friburgo. A Sala de Leitura e Livraria Tangolomango (Praça Getúlio Vargas, 105 - loja 13) que veio com a proposta de ser um espaço acolhedor voltado para a literatura infantil. Laerte Vargas, contador de histórias e idealizador do espaço, tem uma vasta experiência na área, atuando há mais de 30 anos como contador de histórias e facilitador de oficinas.
Entre seus projetos na livraria, estão: a roda de leitura, que acontece em sábados programados, focado na narração de histórias, e o TEiA, projeto voltado para crianças neurodivergentes que estão dentro do Transtorno de Espectro Autista (TEA).
Para Laerte, “um equívoco comum é tratar a leitura como hábito, o que faz parecer que é uma prática que pode ser feita maquinalmente, sem o necessário envolvimento e comprometimento. Leitura é prazer, não pode ser praticada sem envolvimento integral”.
Ele também explica que atualmente existe um grande investimento das editoras em livros desse gênero. Mas observa que muitos pais incentivam a leitura e disponibilizam os livros para os filhos durante a primeira infância, após a entrada na fase escolar, pressupõe que os professores devem ficar exclusivamente com essa tarefa.
A livraria também fica aberta para visitação de escolas, que querem promover um contato maior entre os livros e seus alunos. “A leitura, para ser rica e plural, demanda um investimento contínuo das famílias em livros e atualização acerca das obras que estão sendo lançadas e que possam contribuir para o crescimento dos filhos como leitores”, completa.
Para maior incentivo da leitura, a livraria criou o Clube de Leitura Câmara Cascudo, uma forma de estender e facilitar o acesso aos livros por propiciar descontos aos frequentadores e clientes da loja. A partir da pontuação de livros lidos, o associado acumulará pontos que serão revertidos para a aquisição de novos livros. E também, foi criado um ponto de leitura, disponibilizando livros para empréstimo gratuito, que está sendo viabilizado na parte externa da loja.

Literatura para crianças neurodivergentes
Para as crianças com TEA, o papel da leitura é ainda mais necessário e resulta em uma maior compreensão de mundo. Os livros também ajudam na percepção de empatia, desenvolvimento cognitivo, comunicação e socialização, resolução de conflitos e autonomia. Além disso, é importante a menção e protagonismo de personagens neurodivergentes nos livros, para gerar representatividade e identificação das crianças na hora da leitura.
Na cidade, o projeto TEiA, feito pela livraria Tangolomango, busca promover o desenvolvimento cognitivo e social das crianças, com a narração de histórias e contos, e atividades especiais, voltadas para a necessidade delas. Quem conduz as atividades é a psicopedagoga Viviane Thomaz, com a coordenação de Vera Veronese, educadora e especialista na elaboração e execução de projetos literários, e com assessoria do Contador de Histórias e Arte Educador Laerte Vargas. As atividades são voltadas para momentos lúdicos, com atividades de leitura de contos de fadas, parlendas e poesia.
O projeto oferece quatro encontros mensais, para grupos de até quatro crianças por vez, e estão com inscrições abertas. Antes da participação nas atividades, é feito um momento de avaliação com os pais, para reconhecer o comportamento de cada criança. Inicialmente, o projeto trabalha com crianças do Nível I, o grau mais leve do TEA.
“O primeiro passo é o interesse das famílias pelos títulos que tratam do tema. Eles já estão disponíveis na loja e devem ser o preâmbulo para participação nos grupos, por tratarem de situações comuns às crianças inseridas no Espectro Autista. Após isso, é marcada uma entrevista com as profissionais para exposição precisa das etapas do trabalho. O valor pago pelos pais cobre os custos do projeto, como os profissionais envolvidos e materiais utilizados”, explica Laerte.
O contador de histórias finaliza dizendo que, “a inclusão e o desenvolvimento de crianças neurodivergentes estiveram presentes desde o processo embrionário da Tangolomango, com escolhas de livros que promovem a conscientização e o desenvolvimento delas. No projeto, as crianças também podem vivenciar a ambiência de uma livraria”.

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