O presidente da Comissão de Mobilidade, Ordem Urbana e Paz Social da Câmara Municipal, vereador Maicon Gonçalves (Mobiliza) encaminhou, na última sexta-feira, 24, uma representação complementar à 2ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Nova Friburgo, com o intuito de impedir que seja implantada a mão dupla na Rua General Osório, a partir das 6h deste domingo, 26, conforme anunciado pela prefeitura.
Com a representação, o vereador reforça o posicionamento preliminar da Promotoria que já havia expedido uma “notícia de fato” observando a necessidade da apresentação, por parte da prefeitura, de estudos técnicos que comprovem a viabilidade da alteração no tráfego daquela via. “O que preocupa esta Comissão é a possibilidade de que a intervenção seja implementada antes da conclusão da fase inicial de instrução determinada por esta Promotoria”, diz trecho da representação encaminhada pelo vereador que observa a existência de um manifesto de moradores contrários à medida com 817 assinaturas.
Segundo a prefeitura, a mudança tem caráter experimental pelo período de 60 dias e deverá contar com adequações em vias adjacentes. O projeto prevê que a Rua Aristão Pinto passará a operar em sentido único, na direção da Rua General Osório à Avenida Santos Dumont e à ponte da Rua Sete de Setembro. Já as Ruas Carlos Magno do Valle e José Antônio Alves terão o sentido de circulação invertido. Está prevista também a instalação de três conjuntos de semáforos.
A opinião de um engenheiro
Para o engenheiro civil e geotécnico Ivison Macedo, ouvido nesta sexta-feira, 24, por A VOZ DA SERRA, a proposta de transformar a Rua General Osório em via de mão dupla preocupa por tratar-se de um dos corredores urbanos com grande circulação de pedestres. Ainda mais, porque, ao longo da via, concentram-se escolas, dois hospitais, clínicas médicas e cursos que atraem àquela via muitos idosos e crianças.
“Até o momento, não são conhecidos estudos públicos que demonstrem que essa rua apresente histórico de acidentes capaz de justificar uma intervenção dessa magnitude. Da mesma forma, não foram divulgadas simulações de tráfego, avaliações de impacto sobre as vias adjacentes, análises da segurança dos pedestres, estudos dos tempos semafóricos ou estimativas sobre os reflexos no sistema viário”, destaca Ivison.
Ele observa ainda que “caso a intervenção seja implantada sem embasamento técnico e gere acidentes poderá ser objeto de apuração pelos órgãos de controle e, se for o caso, pelo Poder Judiciário. Vale lembrar que o Plano de Mobilidade afirma que qualquer mudança de circulação deve ser precedida por modelagem técnica, justamente para prever impactos positivos e negativos decorrentes de alterações no sistema viário”, detalha Ivison.




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