Violência financeira é o principal tipo de abuso contra idosos em Friburgo

Município vem registrando aumento das ocorrências de violência contra pessoas com mais de 60 anos
sexta-feira, 24 de julho de 2026
por Isabella Rodrigues (*)
Foto: Magnific
Foto: Magnific

Recentemente o Sistema de Informações e Monitoramento sobre o Envelhecimento (Sime), divulgou diversos dados referentes aos idosos moradores no Estado do Rio de Janeiro. Entre as informações, foi observado o alto número de casos de violência registrados em Nova Friburgo, que tem 21,3% de sua população formada por idosos, cerca de 40 mil. 

As informações, segundo os dados mais recentes divulgados pelo Instituto de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro (ISP-RJ), mostram que o município contabilizou, em um ano, 670 ocorrências de violência contra idosos. Desse total, a violência financeira é responsável por 390 registros. 

O número representa mais da metade dos casos e revela que, embora as agressões físicas ainda despertam maior atenção, a principal ameaça muitas vezes acontece de forma silenciosa, dentro da própria família e por meio da exploração do patrimônio das vítimas.

Entre as ocorrências registradas pelo ISP-RJ, a violência psicológica aparece como a segunda mais frequente, com 189 casos. O levantamento coloca Nova Friburgo entre os municípios da Região Serrana com maior número de registros envolvendo esse tipo de crime.

Violência no estado

O panorama acompanha uma realidade observada em todo o estado. No Rio de Janeiro, aproximadamente 55 mil casos de violência contra idosos foram registrados em um ano, sendo cerca de 37 mil relacionados à violência financeira. Em nível nacional, os dados também chamam a atenção. 

Segundo a Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, o Brasil registrou aumento de 38% nas denúncias de violência contra idosos nos primeiros meses de 2025, indicando que o envelhecimento da população tem sido acompanhado pelo crescimento das violações de direitos.

Tipos de violência

Embora agressões físicas sejam as formas de violência mais lembradas pela população, especialistas alertam que os abusos financeiros costumam permanecer ocultos por muito mais tempo. Em muitos episódios, familiares ou pessoas próximas assumem o controle do recebimento de aposentadorias, contas bancárias, cartões de benefícios ou convencem o idoso a realizar empréstimos, assinar procurações ou transferir bens sem compreender plenamente as consequências.

A violência patrimonial também pode ocorrer quando alguém utiliza dinheiro, imóveis ou outros bens da pessoa idosa sem autorização ou em benefício próprio. Segundo o Instituto de Longevidade, esse tipo de abuso afeta diretamente a autonomia e a qualidade de vida das vítimas, que muitas vezes passam a depender financeiramente justamente daqueles que praticam a violência. Além disso, o medo de denunciar e os vínculos familiares fazem com que muitos casos permaneçam escondidos.

Além da exploração financeira, a violência psicológica aparece como a segunda ocorrência mais registrada em Nova Friburgo. Ela inclui atitudes como ofensas, intimidações, constrangimentos, ameaças, isolamento social e qualquer comportamento que provoque sofrimento emocional ou diminua a autoestima da pessoa idosa. Muitas vezes, esse tipo de abuso acontece de forma contínua e acompanha outras formas de violência, tornando a situação ainda mais difícil de ser identificada.

Como identificar

Sinais como mudanças repentinas na situação financeira, desaparecimento de documentos, movimentações bancárias incomuns, isolamento, medo excessivo, alterações de comportamento e dificuldades para comprar medicamentos ou alimentos podem indicar que o idoso está sendo vítima de algum tipo de abuso. A orientação é que familiares, vizinhos, amigos e profissionais de saúde fiquem atentos a essas situações e comuniquem qualquer suspeita aos órgãos competentes.

Especialistas ressaltam que preservar a autonomia, a dignidade e o patrimônio das pessoas idosas é uma responsabilidade coletiva e um direito garantido pelo Estatuto da Pessoa Idosa.

(*) Estagiária com supervisão de Henrique Amorim

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