Nova Friburgo às vésperas da COP30

A Urgência de um plano moderno para resíduos sólidos
sábado, 25 de outubro de 2025
por Ana Moreira
Nova Friburgo às vésperas da COP30

Com a realização da COP30 se aproximando do Brasil, que sediará em 2025 a mais importante conferência climática do mundo, Nova Friburgo se vê diante de um paradoxo preocupante: o município ainda não definiu a solução para seu aterro sanitário, questão fundamental para uma gestão ambiental responsável.

Nesta quinta-feira, 23, tomei conhecimento através de reportagem de A VOZ DA SERRA da publicação da homologação da licitação para esse fim, que estava suspensa pelo TCE/RJ. Nova Friburgo continua sem saber maiores detalhes sobre como esses serviços serão prestados.

Desde 2010, quando foi sancionada a Lei 12.305, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos, o Brasil deveria estar em rota de modernização no tratamento do lixo urbano. 

Passados 15 anos, o Plano Nacional de Resíduos Sólidos estabelece diretrizes claras: superar o modelo tradicional de coleta de lixo misto e priorizar a coleta seletiva, recuperar recursos naturais por meio da reciclagem e fortalecer a economia circular.

Para Nova Friburgo, cidade com forte vocação turística e ambiental, a indefinição sobre o destino final dos resíduos representa não apenas um descumprimento legal, mas uma oportunidade perdida de se posicionar como referência regional em sustentabilidade.

O caminho é conhecido: fomentar e incentivar cooperativas e associações de reciclagem, que geram renda e inclusão social; ampliar e divulgar pontos de coleta de logística reversa, responsabilizando fabricantes pelo ciclo completo de seus produtos; apoiar iniciativas de educação ambiental e climática nas escolas e comunidades; e, principalmente, implantar um plano atual e moderno de gestão integrada de resíduos sólidos.

Enquanto o mundo volta os olhos para o Brasil, como anfitrião da COP30, Nova Friburgo tem a chance de transformar seu desafio em protagonismo, provando que políticas públicas ambientais efetivas começam na gestão responsável do que produzimos e descartamos diariamente. 

A questão que fica é: estaremos à altura deste momento?

*Professora e coordenadora do projeto de extensão da Uerj sobre Educação Ambiental (Ecoeduca) 

 

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