As possibilidades se apresentam, e o Friburguense pode ter novidades em breve com relação ao futuro do seu futebol. No último dia 27 de março, o empresário Claudio José Alves Melo protocolou uma proposta de compra da SAF do Tricolor da Serra. Sem maiores detalhes com relação a valores, a oferta se soma a outras alternativas que surgem para encaminhar rumos diferentes ao clube.
“Meu amor pelo Frizão surgiu ainda criança, quando escutava as transmissões na Rádio Friburgo, e já sabia da força e grandeza desse clube. Em 2024, quando surgiu o possível interesse de um ex-jogador pelo Tricolor da Serra, fiquei com medo de que, como em outros clubes, o Friburguense fosse embora da cidade. Sabemos que os interesses desses grupos é somente financeiro, trazendo atletas de fora sem valorizar as pratas da casa. Na mesma hora liguei para cinco grandes empresários da cidade, e falei que não poderíamos deixar isso acontecer. Foi assim que surgiu o interesse em comprar a SAF do Friburguense, pois sabia da minha força de articulação. Em 2015 apresentei uma grande empresa ao Flamengo, que gerou uma proposta de R$ 30 milhões. Ali tive a oportunidade de conhecer o ex-presidente, Bandeira de Mello. Em 2016, trouxe o Zico duas vezes à Friburgo para encontrar empresários locais. Muita gente me conhece, sou do ramo de telefonia, e como sempre digo, eu não conserto aparelhos, faço network. Hoje me considero preparado para investir, buscar recursos e estruturar o clube. Falta a aprovação dos conselhos Deliberativo e Diretor, pois o apoio popular já temos. Nossa meta é ter um Friburguense de portas abertas, sem cobranças de ingressos até chegar a Série A do Carioca. Nosso primeiro reforço é a torcida”, pontua o empresário.
Recursos e apoio de empresas
Em conversa com A VOZ DA SERRA, Claudio adiantou alguns detalhes de sua proposta. Ele afirma que, na questão de recursos, já há valores fechados com alguns investidores, além de empresas de renome nacional interessadas em estampar a marca na camisa do clube. Também está prevista a abertura de uma loja oficial no coração da cidade para vender camisas e produtos licenciados, ampliando a geração de receitas. Há ainda a intenção de criar um plano de sócio torcedor e de trabalhar o fortalecimento das redes sociais do clube, em especial o Instagram.
Quanto às prioridades, o empresário divide os projetos por setores. Nas divisões de base, o objetivo é criar núcleos exclusivos do Friburguense em todos os distritos e municípios vizinhos para captação de novos talentos, mantendo bom relacionamento com os grandes clubes brasileiros para negociar atletas e tornar o Tricolor um clube formador auto-sustentável. Também há uma sinalização na questão estrutural.
“Ano passado fomos procurados por um respeitado corretor da cidade, ao saber de nossa proposta de SAF, para visitar um terreno em Campo do Coelho, com 140 mil metros, tendo potencial para ser o futuro centro de treinamentos do Friburguense. Seria uma estrutura para os atletas e profissionais da comissão”, revela Claudio.
Estrutura e credibilidade
No âmbito profissional, a intenção é segmentar por departamentos: futebol profissional; base e formação; saúde e performance; marketing e comunicação; financeiro e administrado e Departamento jurídico.
“Vamos repatriar atletas que estão subvalorizados em outros clubes, pois acreditamos que com uma nova gestão eles vão querer vestir a camisa com amor e levar nosso Friburguense a elite do futebol carioca. Um exemplo é o vizinho Goytacaz, que em 2025 jogou a B2 do Carioca com pratas da casa e foi campeão. Agora vão disputar Copa Rio e podem conseguir vagas na Copa do Brasil ou no Brasileiro da Série D de 2027”, pontua.
“Nosso objetivo em curto prazo é recuperar a credibilidade do clube entre com os empresários de Nova Friburgo e região, com trabalho sério, transparente e fortalecimento da base. No médio prazo, montar um time competitivo capaz de subir nas divisões do Estado. E para longo prazo, trabalhamos com a premissa de que pensar em algo grande ou pequeno dá o mesmo trabalho. Então nossos objetivos são permanecer na Série A do Campeonato Carioca, participar da Copa São Paulo de Juniores e garantir vagas na Copa do Brasil e no Brasileirão da Série D. Não vamos fazer nada novo, apenas aplicar as práticas de gestão de clubes de menor investimento que deram certo, à exemplo do Mirassol”, explica.
Neste contexto, Claudio mostra a intenção de contar com a participação do atual gerente de futebol do Friburguense, Siqueirinha, nesse processo de fortalecimento e integração com clubes e federações.
“Sobre Siqueira, tenho a dizer que a nossa relação é muito cordial, nos tornamos próximos dentro desse projeto. Temos que respeitar sua história à frente do clube, pois ele estava presente nos maiores momentos de glória. Mas sem dinheiro não se faz futebol, e por isso o Friburguense chegou na situação atual. Importante destacar que estamos abertos ao diálogo, e qualquer decisão será discutida junto aos investidores, conforme o próprio interesse do Siqueira. Ressaltamos que Siqueira tem uma forte influência dentro da Federação de Futebol do Rio e pode ajudar muito a SAF nesse momento de transição”, finaliza.
Conforme noticiado por A VOZ DA SERRA, a direção do Friburguense também recebeu a proposta de um grupo da Escandinávia, que envolve Dinamarca, Suécia, Noruega e toda essa região da Europa, para o desenvolvimento de um projeto no Tricolor da Serra.
Na ocasião, o presidente Elberth Heringer afirmou que o clube analisava internamente com os conselhos e sócios, em fase muito inicial, com pouca formalidade. Foram feitas reuniões com as partes interessadas para a análise de todos os pontos e uma possível contraproposta.

Deixe o seu comentário