As mulheres passaram a representar a maior parcela da população inadimplente no Brasil. Segundo levantamentos da Serasa, divulgado nesta semana, as mulheres respondiam por 49,8% dos inadimplentes em 2016. Dez anos depois, esse percentual subiu para 50,5%, ultrapassando pela primeira vez a participação masculina. O total de mulheres com restrições no nome passou de 27,7 milhões para 40,4 milhões no período.
O número é preocupante. Além de enfrentarem salários menores em diversas áreas do mercado de trabalho, muitas mulheres também acumulam a responsabilidade pela administração financeira da casa e pelo sustento dos filhos. Em muitos casos, são elas que recorrem ao crédito para cobrir despesas básicas quando o orçamento não fecha no fim do mês.
O impacto é percebido principalmente entre mães e chefes de família. Dados da Serasa mostram ainda que as mulheres representam mais da metade dos brasileiros com o nome negativado e enfrentam mais dificuldades para recuperar o equilíbrio financeiro, especialmente em períodos de aumento do custo de vida.
Preparo e investimento
Apesar do crescimento do interesse feminino por investimentos e planejamento financeiro, especialistas destacam que ainda existe uma diferença significativa no acesso à educação financeira.
Uma pesquisa da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) revelou que apenas 31% das mulheres brasileiras investem atualmente. Entre os homens, esse percentual chega a 41%. Além disso, 69% das mulheres afirmam não investir ou desconhecem produtos financeiros.
Brasil endividado
O avanço do endividamento acontece em um momento em que o Brasil registra índices recordes de famílias com algum tipo de dívida. De acordo com o levantamento feito pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), mais de 80% das famílias brasileiras declararam dívidas em aberto no mês de abril, seja por meio de cartão de crédito, empréstimos ou financiamentos.
De acordo com a pesquisa, "o índice é impulsionado pela alta taxa de juros, pelo crescimento do uso do crédito rotativo, pela pressão do custo de vida e pelo avanço das apostas online (bets) sobre o orçamento doméstico. O aumento do comprometimento da renda das famílias também acendeu um alerta sobre os impactos econômicos e sociais do superendividamento no país”.
Mais do que números, o crescimento da inadimplência feminina revela um retrato social que envolve renda, mercado de trabalho e responsabilidades familiares. Enquanto cada vez mais mulheres buscam independência financeira e acesso ao mundo dos investimentos, muitas ainda enfrentam o desafio de equilibrar as contas em meio a um cenário econômico que continua pressionando o orçamento doméstico.
(Com informações da Agência Senado e E-Investidor Estadão)

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