O tão aguardado julgamento do tabelião Ricardo Pinheiro Jucá Vasconcelos já tem data marcada. A 1ª Vara Criminal de Nova Friburgo designou o júri popular para os dias 9 e 10 de dezembro, no Fórum Juiz Rivaldo Pereira Santos, na Avenida Euterpe Friburguense. Ricardo é acusado de assassinar a esposa grávida de seis meses, Nahaty Gomes Mello, de 33 anos, além dos sogros, Wellington Gomes Mello, de 75, e Rosemary Gomes da Cunha, de 67, em um crime brutal ocorrido no bairro Cônego, em agosto de 2021. A violência chocou a população de Nova Friburgo.
A juíza Simone Dalila Nacif Lopes, titular da 1ª Vara Criminal, determinou que os jurados fiquem hospedados em hotel durante todo o julgamento, acompanhados pela Justiça e pela Polícia Militar. A medida busca garantir segurança, imparcialidade e evitar qualquer contato externo que possa influenciar o Conselho de Sentença.
Crime bárbaro
Na noite de 13 de agosto de 2021, o bairro Cônego foi palco de uma das maiores tragédias da história recente de Nova Friburgo. Ricardo Jucá atacou a esposa grávida e os sogros a tiros dentro da residência da família. As vítimas morreram no local e o bebê também não resistiu, configurando o crime de aborto provocado por terceiro.
Nahaty, conhecida por sua atuação como juíza de paz, celebrava casamentos e cerimônias civis, o que a tornou uma figura bastante conhecida e querida na cidade. A tragédia mobilizou familiares, amigos e movimentos sociais de defesa das mulheres, que desde então clamam por justiça.
Acusações
De acordo com as investigações da Polícia Civil, o crime foi premeditado e praticado em contexto de violência doméstica. O Ministério Público sustenta que o réu agiu com extrema frieza. Ricardo Jucá será julgado por feminicídio (morte da esposa grávida), homicídio qualificado (dos sogros) e aborto provocado por terceiro, entre outras qualificadoras, em concurso material.
O tabelião está preso em uma unidade da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), no Grande Rio. À época da prisão, a defesa alegou que ele sofria de doença psiquiátrica e que teria cometido o crime durante um surto, pedindo que aguardasse o julgamento em liberdade. A Justiça, entretanto, rejeitou a alegação e manteve a prisão preventiva, sob o argumento de “necessidade de preservação da ordem pública”.
O júri
O julgamento terá início às 11h do dia 9 de dezembro e deve se estender até o dia seguinte. Serão ouvidas testemunhas de acusação e defesa antes da votação do Conselho de Sentença, que decidirá pela condenação ou absolvição do réu.
Medidas especiais de segurança serão aplicadas ao longo do processo. Além da hospedagem em hotel, os jurados terão transporte oficial e escolta policial. A expectativa é de grande mobilização da sociedade civil e dos movimentos em defesa dos direitos das mulheres, que devem acompanhar o caso de perto.

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