Julgamento de tabelião acusado de matar a família entra no segundo dia

Sentença era esperada ainda para a noite desta quarta-feira
quarta-feira, 17 de junho de 2026
por Laís Lima*
Foto: Arquivo AVS
Foto: Arquivo AVS

O Tribunal do Júri de Nova Friburgo retomou nesta quarta-feira, 17, o julgamento do tabelião Ricardo Pinheiro Jucá Vasconcelos, acusado de matar a esposa grávida e os sogros em agosto de 2021, no bairro Cônego.

Considerado um dos casos policiais de maior repercussão da história recente do município, o processo voltou a mobilizar familiares das vítimas, representantes do Ministério Público, advogados e moradores que acompanham o caso há quase cinco anos. O crime ocorreu na noite de 13 de agosto de 2021. Nahaty Gomes de Mello, de 33 anos, grávida de seis meses e sua mãe, Rosemary Gomes da Cunha, de 67, morreram no local. O pais dela, Wellington Braga Mello, de 75 anos, foi baleado, permaneceu internado em estado grave e morreu 19 dias depois.

O julgamento foi iniciado na terça-feira, 16, às 11h, no Fórum Juiz Rivaldo Pereira Santos, na Avenida Euterpe Friburguense. A sessão se estendeu até cerca de 2h da madrugada desta quarta. Os trabalhos foram retomados pela manhã, com a continuidade dos debates entre acusação e defesa durante todo o dia. A expectativa para a divulgação da sentença era a noite desta quarta-feira, o que não havia acontecido até o fechamento desta reportagem. 

Defesa aposta em incapacidade mental

No segundo dia de julgamento, a defesa voltou a sustentar que Ricardo Jucá não possuía plena capacidade de discernimento quando os crimes ocorreram. Os advogados apresentaram aos jurados informações sobre um diagnóstico de transtorno bipolar confirmado em 2024 e defenderam que o acusado teria sofrido um surto de euforia no momento dos fatos.

Segundo a argumentação, o quadro teria sido agravado pelo uso de medicamentos controlados sem acompanhamento médico adequado, além da automedicação e do consumo de substâncias anabolizantes, incluindo produtos de uso veterinário.

A estratégia busca convencer os jurados de que o réu não tinha condições de compreender integralmente seus atos naquela noite. A questão da saúde mental é um dos pontos centrais do julgamento e já havia sido debatida em fases anteriores do processo.

Depoimento emociona plenário

A manhã desta quarta-feira também foi marcada pelos depoimentos das testemunhas de acusação. Entre elas estava a irmã de Nahaty. O relato foi um dos momentos mais emocionantes da sessão. Durante sua fala, a testemunha exibiu aos jurados um vídeo com imagens de Nahaty e dos pais. A apresentação das imagens provocou forte comoção entre os presentes e relembrou o impacto que o caso causou na cidade.

Acusação vê crime premeditado

O Ministério Público sustenta que o triplo homicídio foi premeditado e praticado em contexto de violência doméstica. Para a acusação, Ricardo Jucá agiu de forma consciente e deliberada.

O réu responde por feminicídio, em relação à morte da esposa grávida; homicídio qualificado pelas mortes dos sogros; aborto provocado por terceiro; além de qualificadoras como motivo torpe e impossibilidade de defesa das vítimas.

Os promotores também contestam a tese de incapacidade mental apresentada pela defesa. Embora exista um laudo do Instituto Heitor Carrilho apontando incapacidade de discernimento à época dos fatos, o Ministério Público destaca outro parecer psiquiátrico elaborado durante a custódia do acusado. 

O documento concluiu que ele não apresentava transtorno mental incapacitante e estava apto para os atos da vida civil. O confronto entre essas avaliações deverá ter peso importante na decisão dos jurados.

Caso marcou a história recente da cidade

Nahaty era conhecida em Nova Friburgo por atuar como juíza de paz, celebrando casamentos e cerimônias civis. Preso desde 2021 em uma unidade da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), na Região Metropolitana do Rio, Ricardo Jucá voltou a ser julgado, nesta semana, após o adiamento da sessão realizada em dezembro do ano passado.

Na ocasião, ele destituiu a Defensoria Pública, alegando falta de confiança na representação, o que levou à suspensão do júri. Quase cinco anos após o crime, o caso continua despertando forte comoção e expectativa pela decisão definitiva da Justiça.

 

(*) Estagiária com supervisão de Henrique Amorim 

 

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