O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ) definiu uma nova data para o julgamento do tabelião Ricardo Pinheiro Jucá Vasconcelos, acusado de matar a esposa grávida e os sogros em Nova Friburgo, em 2021. A audiência de instrução e julgamento está marcada para o dia 23 de junho, às 10h, na 1ª Vara Criminal do município, no Fórum Juiz Rivaldo Pereira dos Santos, na Avenida Euterpe Friburguense.
A remarcação da data ocorre após sucessivas mudanças no andamento do processo. O julgamento chegou a ser iniciado em 9 de dezembro do ano passado, mas foi interrompido no segundo dia, logo após o início do depoimento do réu. Na ocasião, ele destituiu o defensor público, alegando divergência quanto à estratégia de defesa.
A audiência, que durou mais de 16 horas, terminou com a anulação do julgamento. O TJ-Rj, então, dissolveu o conselho de sentença e havia inicialmente remarcado a sessão para o mês passado.
Crime chocou a cidade
O crime bárbaro ocorreu em 13 de agosto de 2021, quando o bairro Cônego foi palco de uma das maiores tragédias recentes do município. Segundo as investigações, Ricardo Jucá matou a tiros a esposa, Nahaty Gomes Mello, de 33 anos, que estava grávida, além da sogra, Rosemary Gomes, 67. O sogro, Wellington Gomes Mello, 75 anos, morreu alguns dias após o crime, no hospital, vítima dos ferimentos. O bebê também não resistiu.
Nahaty era conhecida na cidade por atuar como juíza de paz, celebrando casamentos e cerimônias civis, o que gerou grande comoção entre moradores e mobilização de movimentos de defesa das mulheres, que desde então cobram justiça.
Acusação e defesa
De acordo com a Polícia Civil, o crime foi premeditado e ocorreu em contexto de violência doméstica. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) sustenta que o réu agiu com frieza e deve responder por feminicídio, homicídio qualificado e aborto provocado por terceiro, além de outras qualificadoras, em concurso material.
Ricardo Jucá está preso em uma unidade prisional do Estado do Rio de Janeiro, no Grande Rio. À época da prisão, a defesa alegou que ele sofria de doença psiquiátrica e que teria cometido o crime durante um surto, solicitando que aguardasse o julgamento em liberdade.
A Justiça, no entanto, negou o pedido e manteve a prisão preventiva, observando a necessidade de preservação da ordem pública. O caso continua sendo acompanhado de perto pela população de Nova Friburgo, que aguarda o desfecho judicial de um crime que marcou profundamente a cidade.

Deixe o seu comentário