O distrito de São Pedro da Serra, além de suas belezas naturais, agora é também um espaço de lembranças, emoções e reencontros com a infância. Até o dia 15 de novembro, a Praça do Coreto recebe a exposição “Jardim da Memória”, criada pela artista Vanda Aranha, que convida o público a revisitar afetos e brincadeiras de outros tempos por meio de instalações de ferro que misturam arte, natureza e sensibilidade.
As obras, distribuídas ao ar livre em frente à quadra de esportes, despertam a curiosidade de quem passa. Feitas com elementos simples e poéticos, elas criam um ambiente lúdico e acolhedor, que dialoga com a memória coletiva e com a imaginação infantil. Ao falar sobre a proposta da mostra, Vanda explica que o trabalho foi pensado para tocar todas as idades:
“Fiz esse trabalho para todas as crianças, e também para as que vivem dentro de nós. É um convite para brincar, imaginar, lembrar das antigas brincadeiras. Assim, acontece uma conversa entre gerações. Já ouvi pais dizendo aos filhos: ‘papai adorava brincar de bola de gude, pipa, carniça’. Ninguém passa por esse espaço sem se conectar de alguma forma”, conta.
Segundo a artista, o “Jardim da Memória” tem múltiplas camadas de leitura e provoca diferentes emoções. “É uma experiência visual, sensorial e afetiva. Cada visitante encontra ali um pedaço da própria história, um fragmento de algo vivido ou sonhado”, define Vanda.
Arte que atravessa fronteiras
Com uma trajetória marcada pela experimentação e pela relação entre arte, natureza e memória, Vanda Aranha também vem conquistando reconhecimento fora do Brasil. A artista participou de dois festivais internacionais de jardins, um em Ponte de Lima, a vila mais antiga de Portugal, e outro em Allariz, na Espanha, cidades consideradas co-irmãs.
“Foram experiências riquíssimas. Em Ponte de Lima, criei uma árvore feita de compensado encaixado, desenvolvida junto com o artista Fábio Azevedo. O trabalho foi inspirado no tema ‘Jardim do Conhecimento’. O tronco da árvore é uma estante, formada por várias camadas, como fichários”, explica.
Essas participações reforçam o diálogo internacional da arte produzida por Vanda, que combina delicadeza estética com profundidade conceitual. Sua obra busca transformar espaços comuns em ambientes de contemplação e troca afetiva, onde o público é parte ativa da experiência artística.
Um convite à lembrança e à sensibilidade
“Jardim da Memória” chega a São Pedro da Serra como um respiro poético em meio à rotina. Em um cenário natural cercado por montanhas, o trabalho se integra à paisagem e se transforma conforme a luz e o olhar de cada visitante. A exposição é gratuita e aberta ao público diariamente, na Praça do Coreto, no centro de São Pedro da Serra.
Mais do que uma mostra artística, a instalação é um convite à pausa, à observação e ao reencontro com o que há de mais genuíno em cada um: a capacidade de se emocionar, brincar e recordar.





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