Inadimplência atinge o maior patamar da série histórica iniciada em 2010

Famílias estão mais endividadas e sem condições de pagar dívidas em atraso
sexta-feira, 10 de outubro de 2025
por Jornal A Voz da Serra
Foto: Freepik
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Brasileiros ficaram mais endividados e mais inadimplentes em setembro, concluiu pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). E de acordo com Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), a proporção de famílias com contas em atraso chegou a pouco mais de 30% neste mesmo mês, maior patamar da série histórica iniciada em 2010.

Proporção de famílias com contas em atraso subiu mais de 30% em setembro Aquelas de menor renda estão mais endividadase as de maior renda, em crescente inadimplência
Em relação à situação, 13% das famílias brasileiras disseram que não terão condições de pagar suas dívidas em atraso, ou seja, permanecerão inadimplentes. Para a CNC, a pesquisa "aponta um quadro de crescente fragilidade financeira".

A proporção de famílias com contas a vencer está em torno de 80%. O comprometimento da renda também permaneceu em patamar elevado: 18,8% dos consumidores tinham mais da metade dos rendimentos comprometidos com dívidas em setembro.

Quanto ao tempo de inadimplência, 48,7% das famílias com dívidas em atraso estão nesta situação há mais de 90 dias, o que reflete "o agravamento dos prazos de inadimplência e o efeito dos juros sobre o montante a ser pago", apontou Fabio Bentes, economista-chefe da CNC.

"Esses fatores corroboram que, mesmo com o lado positivo do endividamento considerado um aquecedor das vendas no comércio, a crescente inadimplência evidencia que o movimento é de frenagem desta dinâmica", avaliou Bentes, em nota oficial.

Na análise por faixas de renda, houve expansão maior do endividamento entre as famílias de renda mais baixa, que recebem até três salários mínimos por mês: nesse grupo, a proporção de endividados passou de 81,1% em agosto para 82% em setembro.

No grupo mais rico, que recebe mais de dez salários mínimos mensais, a fatia de endividados subiu de 68,7% em agosto para 69,5% em setembro.

A pesquisa considera como dívidas as contas a vencer nas modalidades cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, cheque pré-datado e prestações de carro e casa.

A CNC projeta que o endividamento aumente em 3,3 pontos percentuais até o fim deste ano em relação ao patamar que encerrou 2024, enquanto a inadimplência subiria 1,7 ponto percentual.

Empresas negativadas

O número de empresas negativadas acumulou em julho sete meses de avanço, crescendo 16% sobre o verificado no mesmo período de 2024, segundo a Serasa. Do volume total de CNPJ endividados, 7,6 milhões correspondem a pequenas e médias empresas.

O valor médio das dívidas também atingiu a máxima histórica da série, R$ 3.302,30 — com média de 7,3 dívidas por empreendimento, disse a Serasa. O valor total das dívidas soma R$ 193,40 bilhões, sendo R$ 174 bilhões de pequenas e médias empresas, afirmou.

"As empresas têm contraído dívidas cada vez mais altas, muito por conta do ambiente de juros elevados e a concessão de crédito mais criteriosa, o que deixa o ambiente mais restritivo para renegociações de dívidas e prazos", afirmou a economista Camila Abdelmalack, da Serasa Experian, em comunicado à imprensa.

"Observamos que o segundo semestre pode ser ainda mais crítico para os negócios, com as projeções de desaceleração na atividade econômica exercendo uma pressão ainda maior nos ganhos e na margem de lucro, principalmente para aquelas de menor porte", acrescentou.

A Serasa afirmou que o setor de “Serviços” concentrou a maior fatia dos CNPJs negativados em julho, respondendo por 54,1% do total. Na sequência, aparecem os segmentos de “Comércio” (33,7%) e “Indústria” (8%).

As categorias agrupadas como “Outros”, que incluem empresas do ramo Financeiro e do Terceiro Setor, representaram 3,2%, enquanto o setor Primário completou a lista com 1%, afirmou a companhia. O indicador mede a quantidade de empresas brasileiras que possuem pelo menos uma dívida vencida e não paga, apurada no último dia do mês de referência.

Mais inadimplentes, segundo a Serasa

No início do 2º semestre do ano — mês de julho, dados do principal indicador de inadimplência no país apontaram novo crescimento no volume de inadimplentes. Com 78,2 milhões de endividados, o mês registrou um aumento de 0,37%, em comparação a junho. 

Os brasileiros com idades entre 41 e 60 anos representavam, então, a maior fatia da população com nome restrito, com 35,3%. Na sequência vinham as faixas etárias de 26 a 40 anos (34%), acima de 60 anos (19,2%) e os jovens entre 18 e 25 anos (11,5%).

Em julho, o valor médio de cada acordo realizado na plataforma de renegociação de dívidas foi de R$ 736. No total, foram somados mais de R$ 11,1 bilhões.

Outras 623 milhões de ofertas estavam disponíveis para negociação no Serasa Limpa Nome. Ao todo, eram mais de R$973 bilhões em ofertas disponíveis.

(Fontes: CNC, Peic e Serasa)

 

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