Em abril de 1945, a bucólica Nova Friburgo despertava com os apitos do trem e das fábricas têxteis Arp, Ypu e Filó, e observava a carreira de centenas de bicicletas e dos raros automóveis em circulação — os Chevrolets e Fords das décadas de 20 e 30, todos importados. A maioria pertencia a motoristas “de praça”, que faziam ponto em frente à Estação Leopoldina, hoje sede da prefeitura.
O Hotel Engert, que hospedava os visitantes que subiam a serra de trem, era referência e motivo de orgulho. O “Campeonato Citadino” reuniu, em 1945, apenas três times de futebol: Esperança, Fluminense e Friburgo, e este último sagrou-se campeão.
As garrafas de Coca-Cola chamavam a atenção da garotada, que preferia os guaranás de produção local, como o Caledônia. Os friburguenses iam às compras em lojas como a Casa Libaneza, A Vantajosa, Bota Preta, Casa Chaleira, Papelaria Simões, Farmácia Brasil, Miele, Spinelli e Casa de Couros Mattos, entre outras.
As bandas Campesina e Euterpe já disputavam entre si qual era a melhor, em concorridas apresentações pelos coretos. Nas alamedas da Praça Getúlio Vargas, as moças desfilavam com saias rodadas cobrindo bem além dos joelhos (quanto mais compridas, mais elegantes) e homens usavam terno de linho.
As crianças estudavam no Grupo Escolar Ribeiro de Almeida. As de famílias mais abastadas, se meninos, eram matriculados no Anchieta, enquanto as meninas cursavam o “Normal” no Nossa Senhora das Dores. Nas domingueiras, cinemas de rua como o Leal e o recém-inaugurado Eldorado eram diversão garantida, assim como bailes em clubes como o de Xadrez.
A Rádio Nacional popularizava talentos que o Brasil jamais esqueceu, como Mário Lago, Cauby Peixoto, Emilinha Borba, Paulo Gracindo, Janete Clair e muitos outros. E as vozes de Francisco Alves, Nelson Gonçalves e Orlando Silva lideravam as paradas de sucesso.
Durante 2ª Guerra Mundial, jovens friburguenses foram lutar na Itália, junto com recrutas de outros municípios vizinhos. Após a guerra, um abaixo-assinado fez erguer, na Praça do Suspiro, um obelisco em homenagem aos nossos pracinhas. Dos 67 soldados enviados, um deles, Antônio Moraes, morreu no front.
Política e sucessão
O jornal A VOZ DA SERRA foi fundado, em 1945, pelo então prefeito Dante Laginestra, com um grupo de amigos e correligionários, do qual fazia parte Américo Ventura Filho. O objetivo do semanário era dar sustentação política ao PSD do então interventor federal no estado, Amaral Peixoto.
Em 1953, passadas as eleições, o jornal estava prestes a encerrar suas atividades, mas a sua popularidade era tão grande que Américo decidiu adquirir as cotas da pequena editora. Com quatro páginas, o novo jornal focava nos acontecimentos políticos da cidade e do país.
Américo ficou à frente do jornal até sua morte, em 1973, sendo substituído por seu filho, Laercio Rangel Ventura. O mesmo se repetiu em 2013, com a filha de Laercio, Adriana Ventura, que assumiu a direção após a morte do pai.
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